Hoje, durante nossa reunião de equipe, a polêmica sobre como devemos apresentar o nosso trabalho para o cliente surgiu. Todo foi causado por uma simples pergunta: nosso trabalho deve ser apresentado como imagens estáticas (layouts) ou usando storytelling? A resposta me parecia óbvia. Storytelling, claro. Porém, um dos líderes da equipe argumentou de forma diferente. Ele argumentou que a nossa audiência (os principais stakeholders do projeto) não julgaria o nosso trabalho com base em como nós íriamos apresentá-lo, mas sim comparando layouts e escolhendo qual versão seria a “mais bonita”.

Fiquei chocado com a resposta, e confesso que demorei um pouco para voltar aos meus sentidos.

Storytelling in UX

Mesmo assim, que eu não concordasse com o que foi dito, eu entendi o ponto de vista dele. Infelizmente vivemos numa realidade cruel (eu posso estar exagerando, eu sei que há piores), onde o esforço e o tempo investido em “criar experiências boas” é facilmente ignorado e jogado no lixo em detrimento a outros aspectos que passam bem longe de UX. Isso tende a acontecer porque os responsáveis em aprovar o nosso trabalho têm outras prioridades nas suas agendas ou porque têm uma visão restrita diferente do que está sendo proposto. Não interpretem mal as minhas palavras, em nenhum momento estou sugerindo que devemos desistir e não investir tempo no uso de Storytelling para criar grandes experiências. Muito pelo contrário, na verdade, eu acho que Storytelling é uma peça fundamental para criar e elaborar uma experiência. Afinal, uma boa experiência é uma boa história pra contar.

Após a reunião, e dando-lhe um pouco mais de pensamento, percebi que podia estar confundido duas coisas. Uma coisa é como você apresenta o trabalho para o seu cliente e outra coisa é a forma como você chega na solução. No entanto, eu acredito que uma conexão entre essas dois coisas ainda existe. O elemento da narrativa tem um peso maior no segundo do que no primeiro, claro. No primeiro caso, é importante ter uma apresentação que tenha um fluxo coerente e num formato de história, em vez de ser uma listagem de fatos. Porém, eu acredito que é ainda mais importante usar Storytelling para conceber uma experiência, mesmo que essa experiência seja um simples layout.  Usar Storytelling ajuda o profissional de UX a entender os diferentes elementos e situações em que uma interface vai ser utilizada. Mais importante ainda, usar um método como esse ajuda a encontrar padrões na interface e destacar ações importantes que o usuário terá que tomar na interface. Em resumo, contar uma história pode ajudar a definir o contexto e as interações para a experiência e a definir o papel da interface que você está projetando.

No final do dia o importante é ser capaz de responder às perguntas que o seu público (os stakeholders) possa ter, como “por que você colocou esse botão lá?” ou “por que você está comunicando isso assim?”. Esse é o tipo de pergunta que a nossa audiência vai ter, e provavelmente as respostas dessas perguntas os ajudarão a escolher qual layout é “o mais bonito”. Por isso usando métodos como Storytelling nos ajuda a construir os argumentos (que são muitas vezes apoiados por algum tipo de pesquisa também) para explicar e defender a solução final.

Você já passou por uma situação parecida? Sua audiência é menos ou mais madura do que a que eu mencionei no exemplo acima? Como você costuma lidar com isso? Comentários são muito bem-vindos.