Google e a granularidade do design

Já faz um tempo que o Google começou internamente o tal do Projeto Kennedy. Na prática, o projeto consistia em redesenhar e unificar a linguagem visual de todos os produtos da empresa, para que a experiência do usuário fosse mais uniforme em todos os lugares/contextos/devices/interfaces em que ela acontecia.

Começou com o redesenho do Gmail e do Google Reader (saudade), que deixaram de ter aquele azul todo e passaram a valorizar mais os espaços em branco e os tons de cinza. O vermelho também apareceu com mais força, em vários “calls-to-action” distribuídos pela interface. Depois de uma pequena pausa e de movimentações na liderança da empresa, o projeto voltou e amadureceu bastante. Em junho de 2012, quando o Google Now foi anunciado, as pessoas começaram a reparar em uma novidade nessa nova linha visual que o Google passava a adotar: os cards.

Google Now Card

Google Now Card - Birthday

Os cards são simplesmente cartões, brancos, digitais, que replicam a aparência de cartões físicos reais. São extremamente clean, usam o espaço em branco com bastante inteligência, possuem uma tipografia marcante e imagens sem bordas, estouradas na altura ou largura do card. Eles contêm informações variadas: de previsão do tempo a condições de trânsito, de lembretes de aniversários dos amigos a informações sobre sua caixa de entrada de emails – e por aí vai.

Há alguns meses o Google começou a mostrar mais detalhes sobre a interface do Google Glass.

No Google I/O, semana passada, o Google anunciou o redesign do Google Plus.

O que todos esses produtos têm em comum?

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Uma teoria sobre beleza

Uma teoria sobre beleza

Somos apaixonados por beleza. Viajamos atrás de belas paisagens e culturas, passamos horas ouvindo músicas e filmes que nos tocam, apreciamos a estética de peças de arte e design. Pessoas gastam milhões todos os anos em produtos cosméticos e cirurgias para ficarem mais belos, adequando-se ao padrão de beleza vigente. Mas você é capaz de definir o que é beleza, porque ela é tão importante nas nossas vidas e porque achamos certas coisas belas e outras não?

“A beleza está nos olhos de quem vê.
É o que mexe com você pessoalmente.
Ou, como algumas pessoas – especialmente acadêmicos – preferem, a beleza está nos olhos culturalmente condicionados de quem vê.”

O conceito de beleza mudou e continua mudando bastante e hoje podemos dizer que beleza é individual e relativa. Não é mais relacionada àquela beleza clássica dos antigos, com a graça e harmonia que Platão pregava. Tudo e nada pode ser considerado belo hoje, e em alguns casos, pode estar menos relacionado com a forma e mais com sua mensagem e significado. Mas embora haja muitas diferenças culturais, podemos dizer que há também noções e valores estéticos universais.

O filósofo Denis Dutton explica essa universalidade recorrendo à história evolucionária de Darwin. Enquanto a seleção natural explica a evolução da nossa anatomia e fisiologia básicas, a seleção sexual ajuda a explicar a evolução de outros atributos que em muitos casos operam contra a sobrevivência natural. O exemplo mais comum é o do rabo de pavão, que embora belo, não tem funcionalidade alguma. Nesse caso, o rabo do pavão é resultado das escolhas de acasalamento feitas pelas fêmeas, que o torna mais atrativo para elas e assim, uma melhor escolha para reprodução.

Para Dutton, “a experiência da beleza é uma das maneiras que a evolução tem de criar e manter interesse e fascinação, para nos encorajar a tomar as decisões mais adaptativas para sobrevivência e reprodução”. A beleza é o jeito da natureza de agir à distância.

Será que, a exemplo do rabo do pavão, a beleza das interfaces ajuda de certa forma a ditar quais vão ou não perecer? Não existiria uma teoria da seleção sexual no design das interfaces, atraindo ou retraindo mais os usuários, consequentemente gerando mais ou menos lucro, o que indicaria a sobrevivência e evolução dos produtos?

Fato é que encontramos beleza em performances habilidosas, em coisas bem feitas. Seja uma bela canção, um quadro ou aplicativo de mobile, que além da função, também busca perfeição estética. Da mesma forma que dizem que “experiências não podem ser desenhadas” (você só desenha a INTERFACE, mas a EXPERIÊNCIA é subjetiva de quem a vive), a beleza não está apenas nos olhos de quem vê, ela está no fundo das nossas mentes.

*Imagem extraída do The Big Picture.

1 ano de Google Glass. E daí?

Google Glass

O futuro imaginado pelo cinema sempre nos traz algo diferente em relação à interação. Na maioria desses “exercícios de imaginar o futuro”, controlar os sistemas por voz é sempre visto como algo natural e livre de qualquer obstáculo.

Como muitos de vocês já leram por aí (ou por aqui), o Google Glass tem justamente essa proposta. A maioria das interações acontece por voz, e somente em alguns casos você precisa levar seu dedo indicador até a haste dos óculos para usar a interface sensível a toque.

O problema é que o futuro que chegou não agradou tanto quando achavam que iria agradar.

Um vídeo feito pelo The Verge mostra bem como funciona o sistema e dá algumas impressões dos usuários sobre qual a sensação de utilizar o brinquedinho. Mostra coisas como setups, interação com o celular e outros aspectos do produto. Um dos melhores vídeos que vi por aí.

Os funcionários do Business Insider também fizeram um vídeo onde eles relatam a experiência inicial em utilizar o treco. E em um de seus artigos eles dizem, com todas as letras: Nobody Likes Google Glass.

Google Glass 2

Como era de se esperar, começam a surgir as piadinhas (como essa aí acima) a respeito da loucura que é incorporar o Google Glass no dia-a-dia. Várias piadas. Sátira no Saturday Night Live e tudo. Tem até um tumblr bizarro sobre Homens brancos usando Google Glass - e talvez “bizarro” seja uma palavra bem apropriada nesse caso.

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UX is where we start

Bob Greenberg

Bob Greenberg (o “RG” da R/GA) e Nick Law (Global Chief Creative Officer), falando sobre por que a palavra “advertising” não serve muito para descrever o que a agência faz, e sobre como a R/GA inicia o seu processo criativo pela experiência do usuário (UX).

Dá para ativar Closed Caption no player:

O vídeo acima foi gravado após a R/GA ser nomeada Interactive Agency of the Year no One Show 2013, além de ter recebido 15 outros prêmios no festival.

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Receita para cozinhar boas experiências do usuário

iA

Em torno de um tema polêmico – e Oliver Reichenstein sabe fazer isso – voltamos ao tema de entregáveis, metodologia e processos.

Bureaucracy - Working with paper, scissors and glue to produce digital interfaces, creating cellulose mountains that no one would ever want to even look at.

A agencia iA – Information Architects se coloca no mercado com “foco na essência”, seja lá o que isso quer dizer. Nesta apresentação eles levantam alguns temas “contra-cultura-ux”. Ok, não é tão pesado assim, mas vale a leitura. É rapidinho.

Link: http://cloudfront6.ia.net/wp-content/uploads/2010/09/IA-on-iA_1-0_ORN.pdf

Um checklist de usabilidade (para detectar problemas antes mesmo do teste com usuários)

Checklist_Forms

Algumas pessoas vão achar esse link um crime, outras uma mão na roda.

A Userium (uma empresa de pesquisa em experiência do usuário) criou um checklist de problemas de usabilidade mais comuns que os produtos digitais enfrentam e disponibilizou tudo em seu site. Tem várias categorias: formulários, conteúdo, layout, links, busca, navegação, acessibilidade e “homepage”.

Como incorporar pesquisa com usuários no seu projeto (e deixar o #mimimi de lado)

Work hard and stop the mimimi

Faz vários anos que trabalho em agências de publicidade e faz vários anos que “a gente precisa fazer mais pesquisa”.

“Precisamos incorporar pesquisa no processo.”

“Precisamos conseguir mais verba para fazer pesquisa.”

“Se tivéssemos mais tempo, poderíamos ter feito pesquisa e mimimi…”

E então “Pesquisa” fica sempre sendo esse tabu, essa coisa intangível que as pessoas adoram reforçar a importância, mas ninguém tem muita força de vontade de fazer. Em menos de metade dos projetos em que trabalhei houve mobilização suficiente para fazer algum tipo de pesquisa que envolvesse os usuários reais do produto. E não, isso não é exclusividade dos brasileiros: fora do país o índice é praticamente igual.

Daí que as coisas estão mudando. Aos poucos, mas estão mudando.

E esse post é justamente para compartilhar alguns aprendizados com vocês.

Reparem que as “respostas” que eu listei aí embaixo para a pergunta-título do post (“Como incorporar pesquisa com usuários no seu projeto?”) não vêm realmente em formato de respostas, mas sim em formato de novas perguntas. É só uma forma de fazer você se questionar se isso funcionaria no seu projeto também. Quem sabe essas perguntas também não ajudam a mudança a acontecer mais rapidamente aí do seu lado :)

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