Uma startup dentro de uma agência de publicidade

Bruno Oyama

O nosso querido urso Bruno Oyama deu uma entrevista para o excelente Chocoladesign sobre sua transição do modelo de trabalho da AgênciaClick para um modelo de Startup dentro da JWT, ambas em São Paulo.

Entre os assuntos abordados pelo Bruno e pela Andrea Pacheco (entrevistadora), estão o modelo ágil que eles adotam lá dentro, o papel híbrido de UX e UI Designer, o framework de Design de Serviços utilizados por eles e a parceria muito próxima entre designers e desenvolvedores (que já virou até motivo de post aqui).

Manda o play aí:

Táticas usadas por startups para construir bons produtos

Táticas de pesquisa

Há alguns dias me deparei com um artigo que falava sobre 7 práticas usadas por startups para construir grandes produtos digitais. Interessante observar como algumas delas podem ser incorporadas por sua agência/empresa/produtora para facilitar o processo de criação desses produtos e garantir que você está desenhando uma experiência realmente relevante para seus consumidores.

Muitas delas se relacionam a pesquisa. Minha experiência em agências diz que esse é um ponto delicado, muitas vezes negligenciado pelo time por puro desconhecimento ou falta de insistência. Infelizmente, isso se reflete diretamente no resultado final daquilo que está sendo construído.

As dicas servem para refrescar a memória sobre como esses métodos (de Design e de Pesquisa) podem ser rapidamente incorporados ao processo de trabalho, sem aumentar notavelmente os custos ou prejudicar o prazo.

Vamos a essas 7 práticas listadas pelo artigo:

  1. Mockups clicáveis. Muitos times pensam que precisam construir uma interface de alta fidelidade antes de mostrá-la aos consumidores para colher feedback. Mas não. Muitas vezes um mockup clicável, com poucas telas linkadas entre si, pode oferecer feedback em muito pouco tempo. Ferramentas como o Keynote ou o InVision podem agilizar muito a criação desses mockups. É um ótimo método para ser usado até antes do início do desenvolvimento.
  2. Entrevistas com consumidores. Ao invés de trabalhar em um vácuo, utilize dados como combustível para desenhar o produto. Saia do escritório e fale com pessoas que você acredita que usarão seu produto. Converse com elas sobre o problema que você está tentando resolver. É claro que você já ouviu isso antes. Pesquisa com consumidor é igual a usar fio dental: todo mundo concorda que é importante, mas é muito difícil construir o hábito. Pesquisadores têm feito isso há décadas e existe muito conhecimento disponível sobre como fazer pesquisas rapidamente e de forma eficaz. Construa um roteiro para ajudar a guiar a conversa.
  3. Portas falsas. Você pode rapidamente descobrir como os consumidores vão interagir com uma nova funcionalidade lançando apenas parte dela. Ao invés de trabalhosamente construir todo o sistema, lance apenas o primeiro passo dele. Pela quantidade de cliques, você pode observar qual o real interesse das pessoas em utilizarem aquela funcionalidade – e isso pode te dar argumentos suficientes para convencer os stakeholders da importância em construi-la.
  4. Concorrentes. Quando times desenham um novo produto, eles chegam à mesa com vários conceitos já formados sobre os concorrentes. É muito fácil olhar para outros produtos e ter uma opinião sobre quais partes deles são valiosas e quais partes não funcionam bem. Mas se você usa apenas a intuição, corre o risco de copiar dos seus concorrentes uma série de funcionalidades que seus consumidores não precisam ter. Use seus concorrentes como se fossem protótipos gratuitos. Peça para as pessoas usarem e comentarem as funcionalidades que os concorrentes possuem e descubra se elas foram relevantes ou não. Com esse conhecimento, você acaba fazendo decisões de design mais embasadas e inteligentes.
  5. Microquestionários. Questionários são um jeito tentador de descobrir coisas, do conforto da sua cadeira de escritório. Mas construir um bom questionário pode ser surpreendentemente difícil. É muito, muito simples estragar uma pesquisa ao desenhá-la, e acabar coletando informações irrelevantes ou distorcidas. Incluir microquestionários na interface do produto, durante a navegação dos seus usuários, pode ser um jeito simples de coletar dados sem correr o risco de que esses dados sejam irrelevantes. Você está coletando os dados no exato momento em que as pessoas estão usando o produto, sem as distorções causadas pelo distanciamento entre os respondentes e o contexto de uso.
  6. Protótipos com dados reais. Mockups clicáveis são um bom ponto de partida, mas você pode aprender mais ainda caso construa um protótipo que utiliza dados reais. Construa um protótipo que você não tenha medo de jogar fora, caso descubra que o produto não funciona bem. Ele pode conter bugs e não ter 100% da informação final, mas busque um protótipo mais próximo possível do conteúdo real. Você pode coletar dados fazendo pesquisas com usuários que navegam no seu protótipo, ou então simplesmente observando métricas de uso, cliques e interações.
  7. Visita de campo. Olhe para consumidores de verdade, usando seu produto em uma situação de verdade. É muito comum a gente pensar que conhece bastante do consumidor, depois de várias reuniões falando sobre ele dentro do escritório. Mas o melhor jeito de entender como as pessoas interagem com o produto é visitando o local onde ele será usado. Parece muito trabalhoso, mas em duas ou três horas você coleta insights muito valiosos sobre as pessoas para as quais está desenhando.

O que as startups podem ensinar a outras empresas sobre UX?

Há alguns dias escrevi aqui sobre o Hipmunk e seus filtros de busca que fazem a diferença na hora de procurar passagens aéreas ou hospedagem em hotéis. E acabei de ler um outro artigo que fala de um assunto, de certa forma, relacionado.

O CourseKit é uma ferramenta online para quem quer organizar seu próprio curso. Você cadastra as aulas, convida os alunos, faz posts regulares para toda a turma e ainda hospeda os arquivos da aula dentro do site. Fica tudo registrado na página do seu curso, inclusive as notas dos alunos e links para referências externas que você queria compartilhar com eles.

Estou usando a ferramenta para preparar um curso de UX.

Edward Boches, CCO da Mullen, também.

Numa bela noite, Edward perdeu tudo o que tinha publicado na ferramenta, de repente, sem a menor explicação. Assustado, tentou republicar o conteúdo das aulas que lembrava de cabeça. Mas essa segunda tentativa também falhou. Desesperado, tuitou para o @coursekit pedindo ajuda para recuperar o que tinha perdido.

CourseKit

Demorou apenas 10 minutos para responderem, e a resposta ainda veio com um pedido de desculpas pela demora. “Estávamos em reunião”, disse o pessoal do CourseKit.

Em poucos minutos, Edward estava ao telefone com um dos engenheiros do site, que prontamente assumiu a culpa pela falha e prometeu recuperar as informações que tinham sido perdidas por causa de um bug no site.

Na manhã seguinte, as informações do curso de Edward estavam todas republicadas no site. Incluindo uma explicação detalhada de que ninguém mais tinha acesso àquelas informacões, a não ser o CTO da startup.

Em seu blog, Edward conta que continuará usando o serviço, mesmo depois da falha que ocorreu. E que a resposta rápida e humana da empresa o fez mais fiel ainda a ela.

É claro que você não vai esperar esse tipo de presteza e agilidade da sua operadora de celular, não é mesmo?

Mas será que não deveria?

Fico me questionando se essa dedicação toda das startups em atender seus clientes se deva ao fato de ainda não terem milhões de outros clientes, ou se é algo autenticamente enraizado em sua cultura.

Outro dia o Google lançou uma ferramenta que permite que você agradeça seus amigos por terem dado +1 em um resultado de busca que tenha sido útil para você.

Se esse tipo de empresa já percebeu que hoje em dia a experiência do usuário é fator essencial para determinar o sucesso de um produto, quanto tempo será que vai demorar para as outras perceberem?

UX para Startups

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Muito boa a apresentação abaixo. Nela, Alexa Andrzejewski conta um pouco do processo de criação do Foodspotting, startup que se define como: “um aplicativo que te permite encontrar pratos, não apenas restaurantes”.

Deu para aprender algumas coisas lendo sobre a história de Alexa e do Foodspotting. A primeira delas é que, se você consegue definir a sua ideia em uma frase curta, as chances de que a ideia seja boa são maiores.

A segunda coisa é que o profissional de UX deve ser um bom sintetizador de ideias. Independente se a ideia será contada em um papo de elevador, no verso de um guardanapo ou através de wireframes e fluxogramas.

Segundo ela, as vantagens de você contar a sua ideia para pessoas variadas e ouvir o feedback delas é muito maior do que o risco de ter alguém desocupado pronto para copiar sua ideia e colocá-la em prática.

A ideia do Foodspotting demorou 6 meses para ser moldada e definida, até Alexa encontrar o parceiro ideal para o projeto. O primeiro passo foi ilustrar a ideia do serviço com o poster que você vê abaixo (clique para ampliar).

Assim fica mais fácil visualizar uma ideia, certo? A partir de um storyboard como esses, é possível inclusive começar a definir o escopo do projeto e suas prioridades.

Para ler mais sobre o processo de criação do Foodspotting, leia o post Can You Picture That, escrito pela própria Alexa.

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