Diversos tipos de pesquisa com usuários, organizados em um único gráfico

Métodos de Pesquisa com Usuários

No eixo horizontal, os métodos vão de Qualitativos a Quantitativos.

No eixo vertical, os métodos vão de Attitudinal (o que as pessoas respondem quando são perguntadas) até Behavioral (o que elas realmente fazem quando são observadas).

E as cores/formas geométricas mostram se os produtos são testados em seu contexto original de uso ou se eles são descontextualizados para o teste.

A recomendação aqui, como sempre, é equilibrar as pesquisas que você faz de forma que elas não fiquem todas em um único quadrante. Por exemplo: se você nunca caminha em direção ao topo do gráfico (onde ficam os tipos de teste que normalmente são mais custosos), pode ser sinal de que você está perguntando demais e observando de menos.

Do bom e velho Alertbox, do Nielsen.

Como incorporar pesquisa com usuários no seu projeto (e deixar o #mimimi de lado)

Work hard and stop the mimimi

Faz vários anos que trabalho em agências de publicidade e faz vários anos que “a gente precisa fazer mais pesquisa”.

“Precisamos incorporar pesquisa no processo.”

“Precisamos conseguir mais verba para fazer pesquisa.”

“Se tivéssemos mais tempo, poderíamos ter feito pesquisa e mimimi…”

E então “Pesquisa” fica sempre sendo esse tabu, essa coisa intangível que as pessoas adoram reforçar a importância, mas ninguém tem muita força de vontade de fazer. Em menos de metade dos projetos em que trabalhei houve mobilização suficiente para fazer algum tipo de pesquisa que envolvesse os usuários reais do produto. E não, isso não é exclusividade dos brasileiros: fora do país o índice é praticamente igual.

Daí que as coisas estão mudando. Aos poucos, mas estão mudando.

E esse post é justamente para compartilhar alguns aprendizados com vocês.

Reparem que as “respostas” que eu listei aí embaixo para a pergunta-título do post (“Como incorporar pesquisa com usuários no seu projeto?”) não vêm realmente em formato de respostas, mas sim em formato de novas perguntas. É só uma forma de fazer você se questionar se isso funcionaria no seu projeto também. Quem sabe essas perguntas também não ajudam a mudança a acontecer mais rapidamente aí do seu lado :)

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Monday Readings

Monday Readings UX AI

Mais uma edição do Monday Readings: um copo de café + 30 minutos da manhã de segunda-feira + 5 links relacionados a design, tecnologia ou comportamento. Para começarem a semana inspirados :)

Monday, 25.03.13

#1

Dave Grohl no SXSW
O vocalista do Foo Fighters fez uma apresentação inspirada sobre música, encontrar a própria voz e fazer o que gosta no South By Southwest. Um trecho dela: “Imagine Bob Dylan singing in front of Christina Aguilera on the Voice: ‘You’re a little nasaly and sharp,’ It’s your voice! Cherise it till it goes

#2

7 fatos sobre consumo mobile
A BBDO e a AOL se juntaram para realizar um estudo que buscou entender comportamentos e hábitos mobile e investigar o que leva as pessoas a usarem certos aplicativos e sites mobile. A partir dele, foi possível identificar 7 segmentações de momentos mobile. Pesquisa disponível para download (em inglês).

#3

Minimalismo como estilo de vida
Matéria sobre como a tendência minimalista vem ganhando adeptos que cada vez mais querem consumir menos. “As músicas se tornaram MP3, descartando os CDs. Serviços como o Netflix, que passam filmes em ‘streaming’, e ‘torrents’ feriram de morte os DVDs. Os livros ainda resistem, mas para muitos é questão de tempo – a Amazon já vende mais livros eletrônicos do que físicos e hoje uma biblioteca inteira pode ser guardada e lida em um “tablet” ou Kindle.

#4

O lado D do Brasil
Matéria sobre a classe D brasileira, com um retrato de Campo Alegre, uma cidade no interior no Nordeste que concentra a maior quantidade de famílias classe D do país, 65% das famílias vivem com uma renda entre um e dois salários mínimos. A despeito disso, cidades como essa vem atraindo empreendedores de todo o país.

#5

A informação precisa ser livre, mas o mundo ainda não está pronto
Interessante artigo sobre o debate da “Free Culture”/Cultura Gratuita ou Livre, que possibilita termos acesso gratuito a informações, músicas, dados, etc, e alguns fatos que demonstram que talvez não estejamos preparados para ela.

E um cartum para descontrair =)

Como o Facebook redesenhou seu Newsfeed com a ajuda dos usuários

Novo newsfeed do Facebook

O Facebook está em processo de lançar uma nova versão do Newsfeed gradualmente, para pequenos grupos de usuários, até o dia de “virar a chave” e torná-lo disponível para todos. O novo design, que estão chamando de “mobile-inspired”, traz algumas novidades nos formatos de posts e na inteligência por trás de seu algoritmo.

A UX Researcher Jane Justice Leibrock compartilhou com o Mashable e outros veículos um pouco dos bastidores do que eles chamam de “chamar os usuários para fazer engenharia reversa” do feed. A ideia era entender como os usuários realmente interagem com o Newsfeed no dia-a-dia.

Processo de design do novo newsfeed

Para fazer o teste, eles imprimiram as histórias do Newsfeed daquela pessoa e pediram para que o participante selecionasse as histórias que eram interessantes para ele – descartando o restante. Depois, em um processo de “agrupamento por afinidade” (affinity-mapping), a pessoa afixava as histórias em um mural e colocava um post-it nomeando aquele grupo.

“A look at our data showed that the stories people click, like, and comment on the most are actually the very stories they said they wanted the ability to filter out: page posts, stories about songs and games, and stories friends liked or commented on,” Leibrock wrote. “Since people were clearly interested in these stories, our task became figuring out how to display them separately from News Feed, in a way that people would want to see them.”

Foi então que o conceito de Múltiplos Newsfeeds surgiu – e a nova versão do site já contempla esse tipo de navegação.

Processo de design do novo newsfeed do Facebook

Interessante ver um pouco do processo de design colaborativo de uma empresa desse porte. A reportagem completa você vê aqui.

Táticas usadas por startups para construir bons produtos

Táticas de pesquisa

Há alguns dias me deparei com um artigo que falava sobre 7 práticas usadas por startups para construir grandes produtos digitais. Interessante observar como algumas delas podem ser incorporadas por sua agência/empresa/produtora para facilitar o processo de criação desses produtos e garantir que você está desenhando uma experiência realmente relevante para seus consumidores.

Muitas delas se relacionam a pesquisa. Minha experiência em agências diz que esse é um ponto delicado, muitas vezes negligenciado pelo time por puro desconhecimento ou falta de insistência. Infelizmente, isso se reflete diretamente no resultado final daquilo que está sendo construído.

As dicas servem para refrescar a memória sobre como esses métodos (de Design e de Pesquisa) podem ser rapidamente incorporados ao processo de trabalho, sem aumentar notavelmente os custos ou prejudicar o prazo.

Vamos a essas 7 práticas listadas pelo artigo:

  1. Mockups clicáveis. Muitos times pensam que precisam construir uma interface de alta fidelidade antes de mostrá-la aos consumidores para colher feedback. Mas não. Muitas vezes um mockup clicável, com poucas telas linkadas entre si, pode oferecer feedback em muito pouco tempo. Ferramentas como o Keynote ou o InVision podem agilizar muito a criação desses mockups. É um ótimo método para ser usado até antes do início do desenvolvimento.
  2. Entrevistas com consumidores. Ao invés de trabalhar em um vácuo, utilize dados como combustível para desenhar o produto. Saia do escritório e fale com pessoas que você acredita que usarão seu produto. Converse com elas sobre o problema que você está tentando resolver. É claro que você já ouviu isso antes. Pesquisa com consumidor é igual a usar fio dental: todo mundo concorda que é importante, mas é muito difícil construir o hábito. Pesquisadores têm feito isso há décadas e existe muito conhecimento disponível sobre como fazer pesquisas rapidamente e de forma eficaz. Construa um roteiro para ajudar a guiar a conversa.
  3. Portas falsas. Você pode rapidamente descobrir como os consumidores vão interagir com uma nova funcionalidade lançando apenas parte dela. Ao invés de trabalhosamente construir todo o sistema, lance apenas o primeiro passo dele. Pela quantidade de cliques, você pode observar qual o real interesse das pessoas em utilizarem aquela funcionalidade – e isso pode te dar argumentos suficientes para convencer os stakeholders da importância em construi-la.
  4. Concorrentes. Quando times desenham um novo produto, eles chegam à mesa com vários conceitos já formados sobre os concorrentes. É muito fácil olhar para outros produtos e ter uma opinião sobre quais partes deles são valiosas e quais partes não funcionam bem. Mas se você usa apenas a intuição, corre o risco de copiar dos seus concorrentes uma série de funcionalidades que seus consumidores não precisam ter. Use seus concorrentes como se fossem protótipos gratuitos. Peça para as pessoas usarem e comentarem as funcionalidades que os concorrentes possuem e descubra se elas foram relevantes ou não. Com esse conhecimento, você acaba fazendo decisões de design mais embasadas e inteligentes.
  5. Microquestionários. Questionários são um jeito tentador de descobrir coisas, do conforto da sua cadeira de escritório. Mas construir um bom questionário pode ser surpreendentemente difícil. É muito, muito simples estragar uma pesquisa ao desenhá-la, e acabar coletando informações irrelevantes ou distorcidas. Incluir microquestionários na interface do produto, durante a navegação dos seus usuários, pode ser um jeito simples de coletar dados sem correr o risco de que esses dados sejam irrelevantes. Você está coletando os dados no exato momento em que as pessoas estão usando o produto, sem as distorções causadas pelo distanciamento entre os respondentes e o contexto de uso.
  6. Protótipos com dados reais. Mockups clicáveis são um bom ponto de partida, mas você pode aprender mais ainda caso construa um protótipo que utiliza dados reais. Construa um protótipo que você não tenha medo de jogar fora, caso descubra que o produto não funciona bem. Ele pode conter bugs e não ter 100% da informação final, mas busque um protótipo mais próximo possível do conteúdo real. Você pode coletar dados fazendo pesquisas com usuários que navegam no seu protótipo, ou então simplesmente observando métricas de uso, cliques e interações.
  7. Visita de campo. Olhe para consumidores de verdade, usando seu produto em uma situação de verdade. É muito comum a gente pensar que conhece bastante do consumidor, depois de várias reuniões falando sobre ele dentro do escritório. Mas o melhor jeito de entender como as pessoas interagem com o produto é visitando o local onde ele será usado. Parece muito trabalhoso, mas em duas ou três horas você coleta insights muito valiosos sobre as pessoas para as quais está desenhando.

Por que a página de Nova Aba do Firefox está vazia

Página de "Nova Aba" em diferentes navegadores

Conta o blog da Mozilla que a decisão de deixar a página de Nova Aba do Firefox em branco foi feita após muita pesquisa com os usuários. Quando você abre uma nova aba em outros navegadores (como o Chrome e o Safari), eles mostram uma página especial de Nova Aba que apresenta links para os websites que você mais acessa – ou que acessou recentemente.

A iniciativa partiu da suspeita que muita informação naquela página acabaria distraindo os usuários de chegarem no destino que eles pretendiam ao abrirem a nova aba. A partir de análise das métricas do navegador (em um programa piloto chamado Test Pilot, que eles realizam com cerca de 3 milhões de usuários), eles perceberam alguns dados interessantes que mais para frente ajudarão a comprovar -ou não- a suspeita.

Diariamente, um usuário médio do Firefox:

  • Abre 11 novas abas
  • Carrega 7 páginas
  • Visita 2 domínios únicos
  • Visita 2 páginas em uma mesma aba antes de fechá-la

O bacana é que eles conseguem medir COMO as pessoas acessam um site ao abrirem uma nova aba – seja digitando a URL na barra de endereços, usando o autocomplete, usando o dropdown com os endereços mais recentes ou mesmo digitando algo no campo de busca que fica logo à direita da barra. Veja abaixo:

Métodos de navegação mais usados

A pesquisa ainda está em andamento e o próximo passo consiste em testar diferentes variações para a página de Nova Aba, que por enquanto está em branco.

Se você quiser acompanhar o andamento dessa história, vale seguir o blog do projeto Test Pilot da Mozilla. É nesse teste que eles vão descobrir se o excesso de informação na nova aba pode realmente atrapalhar o usuário ou não. E quem sabe daqui a algumas semanas essa página não estará mais vazia :)

O quanto as pessoas mudam as configurações?

A nova homepage do Facebook, mais uma vez, causou polêmica no fascinante-mundo-dos-arquitetos-de-informação-que-gostam-de-polêmicas. Uns odiaram, uns amaram.

Segundo Noel Franus, um dos Experience Directors daqui, a homepage só tem um problema: assumir que os usuários querem mudar suas configurações o tempo todo.

Por um lado é verdade. Será que as pessoas gostam de ficar alterando configurações?

  • “Quero que histórias desse tipo apareçam mais vezes na home”
  • “Quero receber menos atualizações dessa pessoa”
  • “Quero que esse post seja público, quero que o post seguinte seja privado”

Será que as pessoas sequer mudam as configurações?

Conta Jared Spool em seu blog que uma vez ele e seu time fizeram um teste para entender o quanto as pessoas mudavam as configurações de um determinado software ou aplicativo.

Na época o Microsoft Word gravava todas as customizações que os usuários haviam feito no software em um arquivo chamado config.ini, que ficava salvo no disco rígido do computador. Eles então pediram para que as pessoas localizassem o arquivo no disco rígido e o enviassem por email para eles. Depois de centenas de emails recebidos, eles criaram um robô que lia os arquivos e compilava os resultados em um relatório.

A surpresa: menos de 5% dos usuários haviam alterado alguma coisa nas configurações – uma opção sequer. Mais de 95% usavam o software do jeito que ele havia sido instalado.

Mesmo recursos simples, como a opção de salvar o arquivo automaticamente para evitar perdas (opção essa que precisava ser voluntariamente ativada nas configurações), nunca foram ativados. Mais de 95% das pessoas usavam o Word com a funcionalidade de autosave desativada.

"Para reflexão, amiguinhos."

Quando perguntados do porquê de não terem ativado o autosave, os usuários respondiam: “O software deve vir assim por algum motivo. A Microsoft deve saber o que está fazendo.”

Será?

Quando perguntaram à Microsoft se o autosave vinha desligado para otimizar a performance, descobriram que não era esse o motivo. Semanas depois foram constatar que ele vinha desligado simplesmente porque um programador decidiu que o arquivo config.ini deveria vir com todas as configurações “zeradas”. E zero, no código binário, significa desativado.

O programador esperava que em algum ponto do desenvolvimento alguém falaria a ele quais features deveriam vir desligadas e quais deveriam vir ligadas. Mas isso nunca aconteceu.

Depois de analisarem a pesquisa novamente – mas dessa vez perguntando às pessoas qual sua profissão -, descobriram um fato interessante. O número de usuários que mudavam alguma configuração no aplicativo continuava abaixo dos 5% em qualquer uma das profissões, com exceção de duas: designers e programadores. Nesse caso, eles mudavam de 40% a 80% das configurações disponíveis no software.

Como diz Spool em seu blog:

“If you’re a programmer or designer, then you’re not like most people. Just because you change your settings in apps you use doesn’t mean that your users will, unless they are also programmers and designers.”

A próxima discussão? A nova “Timeline” do Facebook.

Ainda não usei muito e não consegui formar uma opinião a respeito. No entanto, logo de cara é possível perceber que eles capricharam no design e que conseguiram fazer uma interface realmente leve – que carrega o conteúdo progressivamente à medida em que você navega pela história da sua vida.

Aliás, se você está no Facebook você pode me seguir ou seguir o Blog de AI por lá – e depois nos contar o que achou.

A ciência do User Experience Design

Muita gente entra em contato por email (blog.arquiteturadeinformacao@gmail.com) ou pelo twitter (@blogdeai) querendo saber mais sobre o que é User Experience Design, qual o processo de trabalho de um UX Designer e como eu resumiria em poucas palavras como funciona a disciplina.

A apresentação abaixo é bastante simples mas mostra pontos bem importantes na hora de definir o UX Design: a diferença entre Arte e Design, alguns dos tipos de design que se contrapõem ao design centrado no usuário, e um pouco sobre pesquisa e método científico. Um prato cheio para quem está iniciando na área.

(Se você estiver lendo este post por RSS e a apresentação acima não abrir, veja-a no blog)