O lado negro dos wireframes: criando profissionais de um método só

wireframes

Já falamos por aqui sobre os vários métodos de UX e a função de cada um deles dentro do projeto. Alguns são relacionados a pesquisa com usuário, outros mais dirigidos a estratégia e planejamento de produto, outros mais focados em design – e assim por diante, um para cada etapa do projeto.

Ainda assim, UX Designers são lembrados primariamente pelos bons e velhos wireframes. Não adianta. É a marca registrada do UX Designer e, no fim das contas, é o bottomline do que a gente faz: a forma mais reduzida e tangível de materializar tudo aquilo que aprendemos à medida em que estudamos o usuário ou definimos a estratégia do produto.

Mas será que estamos aprendendo tudo o que devemos saber antes de colocar a mão na massa e produzir esses tais wireframes?

O mercado viciado em wireframes

Conversando com amigos freelancers, ouço com frequência a mesma história: clientes que só resolvem envolver o profissional de UX na jogada de última hora, quando o prazo está apertado e o diretor de arte precisa começar o layout no dia seguinte.

“Oi, meu nome é Fulana e eu estou tocando um projeto para a agência X. Você faz freelas, né? Você consegue fazer uma estimativa e orçamento e me devolver ainda hoje? O ideal é você entregar os wireframes prontos pra gente até amanhã, porque o Diretor de Arte já está parado esperando pra começar.”

Soa familiar?

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Diversos tipos de pesquisa com usuários, organizados em um único gráfico

Métodos de Pesquisa com Usuários

No eixo horizontal, os métodos vão de Qualitativos a Quantitativos.

No eixo vertical, os métodos vão de Attitudinal (o que as pessoas respondem quando são perguntadas) até Behavioral (o que elas realmente fazem quando são observadas).

E as cores/formas geométricas mostram se os produtos são testados em seu contexto original de uso ou se eles são descontextualizados para o teste.

A recomendação aqui, como sempre, é equilibrar as pesquisas que você faz de forma que elas não fiquem todas em um único quadrante. Por exemplo: se você nunca caminha em direção ao topo do gráfico (onde ficam os tipos de teste que normalmente são mais custosos), pode ser sinal de que você está perguntando demais e observando de menos.

Do bom e velho Alertbox, do Nielsen.

Como incorporar pesquisa com usuários no seu projeto (e deixar o #mimimi de lado)

Work hard and stop the mimimi

Faz vários anos que trabalho em agências de publicidade e faz vários anos que “a gente precisa fazer mais pesquisa”.

“Precisamos incorporar pesquisa no processo.”

“Precisamos conseguir mais verba para fazer pesquisa.”

“Se tivéssemos mais tempo, poderíamos ter feito pesquisa e mimimi…”

E então “Pesquisa” fica sempre sendo esse tabu, essa coisa intangível que as pessoas adoram reforçar a importância, mas ninguém tem muita força de vontade de fazer. Em menos de metade dos projetos em que trabalhei houve mobilização suficiente para fazer algum tipo de pesquisa que envolvesse os usuários reais do produto. E não, isso não é exclusividade dos brasileiros: fora do país o índice é praticamente igual.

Daí que as coisas estão mudando. Aos poucos, mas estão mudando.

E esse post é justamente para compartilhar alguns aprendizados com vocês.

Reparem que as “respostas” que eu listei aí embaixo para a pergunta-título do post (“Como incorporar pesquisa com usuários no seu projeto?”) não vêm realmente em formato de respostas, mas sim em formato de novas perguntas. É só uma forma de fazer você se questionar se isso funcionaria no seu projeto também. Quem sabe essas perguntas também não ajudam a mudança a acontecer mais rapidamente aí do seu lado :)

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Biblioteca de métodos de design da AC4D

AC4D Design Library

Post rápido para deixar um link muito bacana que encontrei esses dias. O pessoal da AC4D (Austin Center for Design) criou uma biblioteca de métodos de design, licenciado sob Creative Commons, onde eles mostram vários processos de pesquisa, geração de ideias, síntese e documentação.

Link: AC4D Design Library >

Táticas usadas por startups para construir bons produtos

Táticas de pesquisa

Há alguns dias me deparei com um artigo que falava sobre 7 práticas usadas por startups para construir grandes produtos digitais. Interessante observar como algumas delas podem ser incorporadas por sua agência/empresa/produtora para facilitar o processo de criação desses produtos e garantir que você está desenhando uma experiência realmente relevante para seus consumidores.

Muitas delas se relacionam a pesquisa. Minha experiência em agências diz que esse é um ponto delicado, muitas vezes negligenciado pelo time por puro desconhecimento ou falta de insistência. Infelizmente, isso se reflete diretamente no resultado final daquilo que está sendo construído.

As dicas servem para refrescar a memória sobre como esses métodos (de Design e de Pesquisa) podem ser rapidamente incorporados ao processo de trabalho, sem aumentar notavelmente os custos ou prejudicar o prazo.

Vamos a essas 7 práticas listadas pelo artigo:

  1. Mockups clicáveis. Muitos times pensam que precisam construir uma interface de alta fidelidade antes de mostrá-la aos consumidores para colher feedback. Mas não. Muitas vezes um mockup clicável, com poucas telas linkadas entre si, pode oferecer feedback em muito pouco tempo. Ferramentas como o Keynote ou o InVision podem agilizar muito a criação desses mockups. É um ótimo método para ser usado até antes do início do desenvolvimento.
  2. Entrevistas com consumidores. Ao invés de trabalhar em um vácuo, utilize dados como combustível para desenhar o produto. Saia do escritório e fale com pessoas que você acredita que usarão seu produto. Converse com elas sobre o problema que você está tentando resolver. É claro que você já ouviu isso antes. Pesquisa com consumidor é igual a usar fio dental: todo mundo concorda que é importante, mas é muito difícil construir o hábito. Pesquisadores têm feito isso há décadas e existe muito conhecimento disponível sobre como fazer pesquisas rapidamente e de forma eficaz. Construa um roteiro para ajudar a guiar a conversa.
  3. Portas falsas. Você pode rapidamente descobrir como os consumidores vão interagir com uma nova funcionalidade lançando apenas parte dela. Ao invés de trabalhosamente construir todo o sistema, lance apenas o primeiro passo dele. Pela quantidade de cliques, você pode observar qual o real interesse das pessoas em utilizarem aquela funcionalidade – e isso pode te dar argumentos suficientes para convencer os stakeholders da importância em construi-la.
  4. Concorrentes. Quando times desenham um novo produto, eles chegam à mesa com vários conceitos já formados sobre os concorrentes. É muito fácil olhar para outros produtos e ter uma opinião sobre quais partes deles são valiosas e quais partes não funcionam bem. Mas se você usa apenas a intuição, corre o risco de copiar dos seus concorrentes uma série de funcionalidades que seus consumidores não precisam ter. Use seus concorrentes como se fossem protótipos gratuitos. Peça para as pessoas usarem e comentarem as funcionalidades que os concorrentes possuem e descubra se elas foram relevantes ou não. Com esse conhecimento, você acaba fazendo decisões de design mais embasadas e inteligentes.
  5. Microquestionários. Questionários são um jeito tentador de descobrir coisas, do conforto da sua cadeira de escritório. Mas construir um bom questionário pode ser surpreendentemente difícil. É muito, muito simples estragar uma pesquisa ao desenhá-la, e acabar coletando informações irrelevantes ou distorcidas. Incluir microquestionários na interface do produto, durante a navegação dos seus usuários, pode ser um jeito simples de coletar dados sem correr o risco de que esses dados sejam irrelevantes. Você está coletando os dados no exato momento em que as pessoas estão usando o produto, sem as distorções causadas pelo distanciamento entre os respondentes e o contexto de uso.
  6. Protótipos com dados reais. Mockups clicáveis são um bom ponto de partida, mas você pode aprender mais ainda caso construa um protótipo que utiliza dados reais. Construa um protótipo que você não tenha medo de jogar fora, caso descubra que o produto não funciona bem. Ele pode conter bugs e não ter 100% da informação final, mas busque um protótipo mais próximo possível do conteúdo real. Você pode coletar dados fazendo pesquisas com usuários que navegam no seu protótipo, ou então simplesmente observando métricas de uso, cliques e interações.
  7. Visita de campo. Olhe para consumidores de verdade, usando seu produto em uma situação de verdade. É muito comum a gente pensar que conhece bastante do consumidor, depois de várias reuniões falando sobre ele dentro do escritório. Mas o melhor jeito de entender como as pessoas interagem com o produto é visitando o local onde ele será usado. Parece muito trabalhoso, mas em duas ou três horas você coleta insights muito valiosos sobre as pessoas para as quais está desenhando.
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