A composição de um time multidisciplinar de UX

Se você está procurando um profissional de UX que saiba criar a visão de UX de um produto, fazer visitas de campo, criar personas, identificar as tarefas do sistema, estabelecer métricas de usabilidade, prototipar, desenhar e layoutar as telas todas e ainda fazer um teste de usabilidade que comprove que o produto funciona (analisando e apresentando os resultados do teste) – você não está procurando um profissional de UX. Você está procurando um Leonardo Da Vinci do UX.

Leonardo da Vinci

Oi, chamou?

Um bom design é multidisciplinar. O próprio ISO 9241-210 descreve os 6 princípios que garantem que um design é centrado no usuário:

  • The design is based upon an explicit understanding of users, tasks and environments.
  • Users are involved throughout design and development.
  • The design is driven and refined by user-centred evaluation.
  • The process is iterative.
  • The design addresses the whole user experience.
  • The design team includes multidisciplinary skills and perspectives.

O último item da lista ajuda a reforçar o argumento de que um bom design é multidisciplinar. Dificilmente você vai encontrar uma pessoa que cuide de todo o UX Design sozinho – a não ser que essa pessoa seja um gênio.

Este post aqui lista 7 diferentes especialidades do Design da Experência do Usuário. Veja abaixo:

  • Gerenciamento
    “Design is so critical it should be on the agenda of every meeting in every single department” — Tom Peters.
    Em um time multidisciplinar, alguém precisa tomar a liderança, direcionar o time e gerenciar o trabalho. Normalmente essa é a pessoa que distribui e valida o trabalho entre os membros do time – e gerencia a relação com os outros stakeholders.
  • Pesquisa
    “Supposing is good, but finding out is better” — Mark Twain.
    Alguém que forneça dados e insights para o restante do time – sobre o usuário, suas características, hábitos e necessidades. Também é a pessoa responsável pelas pesquisas de campo e testes de usabilidade.
  • Arquitetura de Informação
    “Our understanding of the world is largely determined by our ability to organise information” — Louis Rosenfeld & Peter Morville.
    Esse papel a gente conhece bem. O time precisa de alguém com capacidade de organização de informação e que entenda o modelo mental do usuário, para que ele se reflita também no produto.
  • Design de Interação
    “Design is not just what it looks like and feels like. Design is how it works” — Steve Jobs.
    Alguém que saiba desenhar a interação de forma que ela seja consistente, fácil e auto-explicativa. É a disciplina que entende de usabilidade e domina os padrões de interação, além de saber lidar com a multiplicidade de devices e plataformas onde a interação ocorre.
  • Design Visual
    “The details are not the details. They make the design” — Charles Eames.
    A disciplina que requer um profissional que saiba balancear beleza e comunicação. Normalmente é alguém que domina tanto a direção de arte do produto que está sendo desenvolvido quanto o acabamento final dos pequenos detalhes da interface.
  • Redação
    “I try to leave out the parts that people skip” — Elmore Leonard.
    Disciplina que sabe expressar ideias complexas em palavras simples e que sejam facilmente entendidas pelos usuários do produto. O profissional deve sabe escrever tanto longas páginas de texto quanto textos concisos que explicam a ideia sem fazer com que a experiência fique cansativa.
  • Prototipagem
    “To pretend, I actually do the thing: I have therefore only pretended to pretend” — Jacques Derrida.
    Times multidisciplinares recorrem a um expert em prototipagem na hora de demonstrar como um sistema irá funcionar. Isso serve tanto para o estágio inicial do projeto (com protótipos de papel, de baixa fidelidade) quanto para o estágio que precede o desenvolvimento, onde o produto já está mais amadurecido e mais próximo do final.

É claro que isso é apenas uma possível configuração de um time multidisciplinar de UX. Existem N outras.

Em muitos casos, por falta de profissionais ou recursos, os profissionais acabam tomando conta de 2 dessas disciplinas listadas, às vezes 3. Isso quando não se trata de um time de UX de um designer só.

Mas não custa mirar o cenário ideal, certo?

As disciplinas do User Experience Design

Quem participa da famosa “Lista de AI” sabe que volta e meia aparecem discussões sobre quais são as disciplinas envolvidas no User Experience Design, qual a diferença entre a “Grande AI” e a “Pequena AI”, ou até mesmo sobre os limites de atuação dos profissionais da área (onde é que termina meu job description e começa o do coleguinha).

Dan Saffer, designer de interação e autor de alguns livros sobre o assunto, construiu um diagrama que define bem as intersecções e nomenclaturas da disciplina. Isso foi há alguns anos.

Recentemente Jamie Christie construiu uma versão digital desse diagrama, com links para aprender mais sobre cada um dos círculos ali presentes. Uma ótima referência para quem está querendo aprender mais sobre o assunto, ou para quem quer decidir em que área pretende se aprofundar.

Link: The disciplines of user experience