O texto abaixo foi enviado pelo Heller de Paula e faz parte da série de colaborações que o Blog de AI está recebendo. Envie o seu também.
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Organizar e apresentar informações de forma atrativa e eficaz não é tarefa das mais simples. Fazer isso engloba o domínio de muitas disciplinas diferentes para poder aperfeiçoar a exposição dos dados, deixando-os mais atrativos e simples para as pessoas.
Em minha carreira como designer de informação exploro conhecimentos diferentes para projetar um espaço-informação que facilite a realização dos objetivos do interator, sejam eles encontrar uma receita de bolo ou mesmo alimentar um site corporativo por meio de uma área administrativa específica.
O filósofo Vilém Flusser apresentou o ato de informar como a imposição de formas claras e específicas à matéria amorfa, ou seja, in+formar a matéria bruta, ou os dados brutos, é conceder-lhes uma forma que seja representativa para nós: seres humanos.
A função do designer de informação é a de criar formas de fácil percepção e leitura aos dados brutos, com o intuito de conceder-lhes uma estrutura mais identificável para a mente humana.
Aliados a diversas disciplinas, desenvolvemos projetos para tornar os dados menos pesados cognitivamente e mais atrativos para o interator. Quer uns exemplos do dia-a-dia de um designer de informação?
- Organizar dados por categoria
- Facilitar a filtragem das informações
- Diminuir a quantidade de elementos exibidos por bloco
- Utilizar imagens aliadas a textos para tornar a apresentação mais leve
Parece familiar para você?
O mais interessante é que isso acontece em meio a uma sociedade que produz cada vez mais dados, ou seja, mais trabalho para o designer de informação.
Um bom exemplo dessa ação são os gráficos desenvolvidos a partir de dados estatísticos, que podemos compreender como a informalização de dados brutos em uma apresentação mais clara e fácil de ser absorvida.
Um exemplo prático:
Gráficos como informalização de dados brutos
A partir de dados de Alberto Cairo desenvolvi a tabela 1, vista a seguir, com dez cidades aleatórias da Espanha, demonstrando a quantidade de casos de gripe por 1.000 habitantes (dados do ano de 2012).
Tabela 1: Casos de Gripe
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Item
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Região
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Número de Casos
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01
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A Corufia
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48
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02
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Alava
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05
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03
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Asturias
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09
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04
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Avila
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12
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05
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Baleares
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41
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06
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Burgos
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16
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07
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Cáceres
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18
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08
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Castellón
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24
|
|
09
|
Córdoba
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28
|
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10
|
Cuenca
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30
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Ordenada alfabeticamente, já podemos, depois de certa análise, até saber qual cidade entre as dez primeiras possui a maior quantidade de casos de gripe. Porém, para construir em nossa mente uma lista hierárquica dos casos, nós teríamos mais trabalho.
Mesmo que eu altere a ordenação para demonstrar a cidade com o menor número de casos seguindo até a com maior número, observada na tabela 2, ainda teríamos problemas para, por exemplo, encontrar uma cidade específica, mesmo que eu mantenha a ordem numérica dos itens associados à ordenação alfabética.
Tabela 2: Casos de Gripe – Hierarquia por número de casos
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Item
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Região
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Número de Casos
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02
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Alava
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05
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03
|
Asturias
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09
|
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04
|
Avila
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12
|
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06
|
Burgos
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16
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07
|
Cáceres
|
18
|
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08
|
Castellón
|
24
|
|
09
|
Córdoba
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28
|
|
10
|
Cuenca
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30
|
|
05
|
Baleares
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41
|
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01
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A Corufia
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48
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Se com dez itens ainda não fica clara a dificuldade dessa interpretação, imagine, então, que fossem cinquenta cidades. A quantidade de dados seria muito maior, dificultando bastante a leitura desses dados e a extração de algum significado.
Aliando isso ao atual momento da nossa sociedade, que vive uma sensação de urgência e sobrecarga informacional, podemos supor que dificilmente alguém leria e montaria relatórios por si mesmo a partir desses dados brutos, a menos que fosse sua função profissional.
Observe, a seguir, esses dados apresentados em forma de gráfico (informalizado como gráfico), na figura 1, e perceba como fica mais fácil e interessante ler, relacionar os dados e fazer suposições a partir deles.
Inseri também uma linha representando a média de casos para essas dez cidades, ampliando as possibilidades de interpretações por parte do interator.

Figura 1: Dados em forma de gráfico
Utilizando recursos digitais eu poderia ainda, por exemplo, apresentar esse gráfico de forma interativa e, desse modo, ampliar ainda mais o conhecimento do interator.
Imagine que, quando o cursor do mouse estiver sobre uma barra, o sistema mostre mais detalhes sobre a cidade, como visto na figura 2.
É importante pensarmos que em um primeiro momento essa informação não seria exibida, isso deixaria o gráfico com menos peso informacional à primeira vista, motivando o leitor a ler a informação do gráfico e, posteriormente, ele poderia se aprofundar interagindo com as barras.

Figura 2: Dados em forma de gráfico interativo
O ato de informar (conceder uma forma específica a algo) realmente é a base do trabalho do designer de informação, que projeta as melhores formas para os dados brutos de acordo com seu público e com a plataforma onde esses dados serão exibidos.
Esse foi apenas um exemplo prático. Quem trabalha com Design de Informação e UX Design é constantemente desafiado a criar soluções como essa que aliviem o peso cognitivo da leitura de dados – seja em uma interface de leitura de e-mails ou nas complicadas telas de extrato de um internet banking.
Realmente não é uma tarefa simples, mas não posso imaginar tarefa mais interessante, prazerosa e necessária nesse mundo cada vez mais caótico e com mais dados para serem lidos e interpretados.
Referência Bibliográfica: FLUSSER, Vilém; CARDOSO, Rafael e ABI-SÂMARA, Raquel. Mundo Codificado: Por uma Filosofia do Design e da Comunicação. São Paulo: Cosac & Naify, 2007.
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Escrito por Heller de Paula.
Designer de informação apaixonado por organização, processo cognitivo, educação, conhecimento e transmitir informação para as pessoas da forma mais simples e divertida possível.