Eu trabalho com Experiência do Usuário há quase 10 anos, desde quando pedi demissão do meu emprego de webdesigner para virar um consultor especializado. Nesse meio tempo, o nome do que faço e a natureza do meu trabalho mudaram várias vezes. Já me intitulei arquiteto da informação, analista de usabilidade, designer de interação.

O fato é que eu simplesmente não consigo ficar muito tempo parado dentro de uma disciplina. Sou indisciplinado, porém, não sou contra as disciplinas. As disciplinas têm um papel fundamental em acumular e regular um determinado tipo de conhecimento. Ajudam a identificar grupos de profissionais, explicar o que eles fazem, receber os novatos.
A principal referência de qualquer disciplina é sua própria história. Os pioneiros, os livros clássicos, os projetos visionários, os críticos, os revolucionários. As disciplinas mudam, porém, muito mais lentamente do que os profissionais que a sustentam. Quando se torna completamente anacrônica, esvazia-se e desaparece.
Lembro-me de uma palestra do Luli Radfahrer que assisti no começo da minha carreira, em 2003, sobre a importância de não ficar preso à disciplinas específicas. Ele perguntava: “Quem é que lembra do videomaker?”. 10 anos depois, a pergunta hoje seria “Quem é que lembra do webmaster?”.






