As disciplinas e as indisciplinas de UX

Eu trabalho com Experiência do Usuário há quase 10 anos, desde quando pedi demissão do meu emprego de webdesigner para virar um consultor especializado. Nesse meio tempo, o nome do que faço e a natureza do meu trabalho mudaram várias vezes. Já me intitulei arquiteto da informação, analista de usabilidade, designer de interação.

Fred Van Amstel

O fato é que eu simplesmente não consigo ficar muito tempo parado dentro de uma disciplina. Sou indisciplinado, porém, não sou contra as disciplinas. As disciplinas têm um papel fundamental em acumular e regular um determinado tipo de conhecimento. Ajudam a identificar grupos de profissionais, explicar o que eles fazem, receber os novatos.

A principal referência de qualquer disciplina é sua própria história. Os pioneiros, os livros clássicos, os projetos visionários, os críticos, os revolucionários. As disciplinas mudam, porém, muito mais lentamente do que os profissionais que a sustentam. Quando se torna completamente anacrônica, esvazia-se e desaparece.

Lembro-me de uma palestra do Luli Radfahrer que assisti no começo da minha carreira, em 2003, sobre a importância de não ficar preso à disciplinas específicas. Ele perguntava: “Quem é que lembra do videomaker?”. 10 anos depois, a pergunta hoje seria “Quem é que lembra do webmaster?”.

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Receita para cozinhar boas experiências do usuário

iA

Em torno de um tema polêmico – e Oliver Reichenstein sabe fazer isso – voltamos ao tema de entregáveis, metodologia e processos.

Bureaucracy - Working with paper, scissors and glue to produce digital interfaces, creating cellulose mountains that no one would ever want to even look at.

A agencia iA – Information Architects se coloca no mercado com “foco na essência”, seja lá o que isso quer dizer. Nesta apresentação eles levantam alguns temas “contra-cultura-ux”. Ok, não é tão pesado assim, mas vale a leitura. É rapidinho.

Link: http://cloudfront6.ia.net/wp-content/uploads/2010/09/IA-on-iA_1-0_ORN.pdf

Estatísticas sobre a geração-tablet

Interessante pensar que essa nova geração de crianças começa a usar tablets muitos anos antes de começar a usar um computador desktop ou laptop.

O infográfico abaixo traz alguns dados sobre essas crianças e como elas interagem com os tablets. Um dado bacana: 58% das famílias que possuem tablets em casa deixam os filhos usarem os dispositivos – e nesses casos os tablets possuem em média 8 aplicativos instalados que são específicos para crianças.

Infográfico - Tablets e crianças

Estatísticas sobe o consumo de conteúdo em múltiplos dispositivos

Aqui um resumo para você colar em seu próximo powerpoint para convencer o cliente (me agradeça depois).

  • 90% dos americanos usa múltiplos dispositivos sequencialmente durante o dia, variando de TVs para PCs para eReaders para Tablets para Smartphones.
  • 81% usa o smartphone enquanto assiste TV.
  • 66% combina o uso de smartphone com o de um computador desktop/laptop.
  • 66% usa o laptop enquanto vê televisão.

E no infográfico abaixo, mais alguns dados animadores sobre o consumo de conteúdo em múltiplos dispositivos.

Consumo de conteúdo em múltiplos dispositivos

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Nova versão do sensor do Kinect tem um décimo do tamanho do anterior

Capri - Kinect

Os criadores da tecnologia embutida no Kinect (que reconhece os movimentos do usuário com precisão e os transforma em controles) anunciaram há alguns dias uma nova versão do sensor.

O sensor, chamado de Capri, tem 10% do tamanho da versão anterior e é pequeno o suficiente para caber em um smartphone, laptop, espelho, chaveiro – e onde mais a criatividade permitir.

O vídeo abaixo, feito por quem entende muito de tecnologia e pouco de fazer vídeos que soem naturais, dá alguns exemplos de como essa tecnologia pode ser aplicada no dia-a-dia:

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Essa é a década de User Experience

É isso que diz o artigo The future of User Experience Design, publicado no DesignModo. A frase foi ouvida durante reuniões dos autores do blog com profissionais como Dave McClure, Paul Singh, Hiten Shah, Brandon Schauer, entre outros.

Houve uma época onde o que mais importava para as empresas era a tecnologia.

A tecnologia era o principal problema que as empresas precisavam correr para solucionar, contratando profissionais qualificados e criando vantagens competitivas a partir dela.

Those times are gone. To win customers nowadays you must win their hearts with a stunning, precisely designed, user experience. Luckily for all of us, the great companies of today’s world recognized the importance of this shift in the new technology world.

Se você ainda tem dúvidas disso, aqui vai mais um argumento citado no artigo: 874.967 pessoas dizem trabalhar em alguma área relacionada a UX e quase 8000 delas entraram para o Linkedin nos últimos 3 meses.

Linked in UX jobs

Mais de 9000 vagas de UX estão abertas no Linkedin

Recomendo fortemente a leitura do artigo.

Se você estiver com pouco tempo, traduzi aqui os parágrafos finais:

Design para múltiplos canais são o presente, mais do que o futuro. Já está aqui. Nós não devemos mais desenhar um website – mas sim uma experiência multicanais que pode ser experimentada em diferentes dispositivos e contextos. Não importa se os usuários chegarão até você pelo navegador, iPhone, iPad ou TV – eles precisam experienciar uma interação impecável com o produto. Interação que está preparada para o device que eles estão usando. E nós veremos mais disso nos próximos anos.

O futuro é brilhante para User Experience Designers em todo o mundo. Nós somos necessários.

Não poderia concordar mais com essas afirmações.

Em uma época onde a “teoria” está cada vez mais acessível para todos (padrões de interação, tecnologia para desenvolver websites, conhecimento técnico disponível em livros e blogs, designers cada vez mais capacitados e talentosos, times integrados e conscientes da importância de UX), o grande desafio é colocar isso em prática e maestrar o processo de design centrado no usuário.

Leia também: Será o começo da era do “sucesso através de UX”?

Onde e como as pessoas vão usar o seu produto?

The Underground Library

Há pouco tempo fizemos a pergunta aqui no blog o que as pessoas deixarão de fazer para usarem o seu produto?

Hoje, continuamos essa conversa com uma nova pergunta.

Onde e como as pessoas vão usar o seu produto?

A história do modo de consumo é também a história da própria transformação do modo de consumir. Existe todo um movimento em torno da produção e na maneira de se entregar e oferecer produtos e serviços: espera-se que estejam integrados e atualizados aos novos hábitos e rotinas das pessoas.

Home Plus, uma rede de supermercados da Coreia do Sul – então a segunda maior do país – queria se tornar a primeira colocada sem ter que construir mais lojas. Foi então que eles pensaram “Let the store come to the people”, e levaram as prateleiras para espaços públicos (como o metrô) onde as pessoas poderiam comprar através do smartphone.

Essa semana, o Tiago Murakami do Bibliotecários sem Fronteiras compartilhou esse projeto de estudantes da Miami Ad School: The Underground Library – uma proposta onde a biblioteca vai até o metrô.

Numa mecânica parecida com a da Home Plus, as pessoas podem escolher um livro, ler uma parte dele e depois, se quiserem, obter as direções para ir até a biblioteca e pegar emprestado o exemplar físico. Interessante que no projeto eles pensaram numa tecnologia – o NFC – que usa a radiofrequência para transferir dados entre dispositivos. É exatamente nesse momento “não conectado na internet” que o cidadão pode, quem sabe, começar uma nova leitura.

Já falamos aqui no blog sobre a tendência do uso de smartphones para iniciar atividades online. Mais do que o serviço oferecido em si, o que propomos é pensar nesses espaços públicos e físicos onde as pessoas vão todos os dias como espaços onde podemos nos comunicar com nossos usuários. O uso pode ir além de site, aplicativo e vídeo no youtube.

Aliás, essa combinação de smartphone + espaços físicos pode trazer insights interessantes para novas experiências de uso.

O smartphone está matando a compra por impulso?

Compra por impulso e smartphones

Esse veio do Bruno Altieri, do Update or Die.

“Interessante esse post da Business Insider que faz uma relação entre a queda de vendas de revistas nos EUA e o uso de smartphones. Nos supermercados, é comum ter revistas no checkout para a famosa compra por impulso, motivada por aquela última folheada enquanto espera o caixa. Hoje, segundo a reportagem (que cita a WARC), as pessoas ocupam esse espaço de tédio com o celular e não tem mais olhos para as revistas. E aí a venda cai. O fenômeno tem até nome: somos os “mobile blinders“.

A relação direta desse comportamento com a queda na venda de revistas é no mínimo ingênuo, mas o que é interessante é refletir sobre a questão. Será mesmo que o consumidor tem menos olhos às ofertas (seja de revistas, ou qualquer coisa) porque está hipnotizado pelo celular? Ah, então para que ele as veja, as ofertas tem mesmo é que aparecer no celular? O smartphone estaria matando a compra por impulso? Ou não tem nada a ver, o problema é mesmo com as revistas e isso é miopia? Você está lendo esse post na fila do caixa?”