Busca x navegação

Ultimamente eu estava olhando para os menus de navegação com certo desgosto e preconceito. Minha impressão era a de que o Google e os sistemas inteligentes de busca como o da Apple deixaram todos eles obsoletos.

Mas ao me deparar com o gato-maracajá da O’Reilly (o livro “Designing Web Navigation” de James Kalbach) percebi que obsoletos são os sites que subutilizam este importante elemento de interação.

Kalbach não promove nenhuma guerra entre caixas de busca e menus, mas argumenta que o emprego de ambos deve estar totalmente relacionado com os objetivos e estratégias do negócio. Ou seja, não existe menu certo ou errado, mas sim o mais adequado a determinado tipo de site. Parece óbvio, mas em quase 400 páginas são mostrados exemplos de sites que passaram muito longe disso.

O autor cita um teste de usabilidade realizado por Jared M. Spool, da User Interface Engineering, com 30 usuários de e-commerce. O intuito era investigar o que acontecia com o consumidor após encontrar o que procurava. Os resultados mostram que a busca não é necessariamente a melhor aliada para este tipo de site:

  • dos usuários que iniciaram o processo de compra pela busca, apenas 20% continuaram a navegação atrás de algo mais
  • dos usuários que iniciaram a compra pelos menus de categorias, 62% permaneceram “circulando” pela loja
  • os usuários que começaram pelo menu também trafegaram 10 vezes mais a outras seções não previstas inicialmente

A busca da Apple

E se você ainda precisa de algumas razões para olhar com mais atenção para os menus, Kalbach dá várias delas:

  • navegar e buscar são ações totalmente diferentes
  • a navegação provê contexto e entendimento
  • o menu é um importante aliado da marca: ele comunica quais são as prioridades e valores da empresa através de categorias, ordenação e até mesmo tons de cores
  • o desenho de um menu de navegação é um esforço multidisciplinar, que deve considerar objetivos do negócio, as restrições tecnológicas e o conteúdo
  • a navegação revela a temática do site e como ela é relevante para uma necessidade específica

Busca ou navegação? As duas, com certeza. Independente do meio escolhido, o resultado deve ser o mesmo: o encontro da informação.

Designing Gestural Interfaces


Um controle remoto que obedece gestos da sua mão? Um iPod que funciona com o piscar de olhos? Vitrines interativas controladas pelo movimento dos braços?

Designing Gestural Interfaces for O’Reilly é o nome do próximo livro de Dan Saffer (do Designing for Interaction), previsto para o segundo semestre de 2008. Antes do lançamento do livro, vale a pena dar uma olhada no blog, onde o autor reúne (e ainda está reunindo) um conteúdo bastante rico sobre o tema.

Link do blog – Interactive Gestures: Designing Gestural Interfaces

PS: O autor está procurando exemplos interessantes de documentação sobre interfaces touchscreen ou ambientes interativos gestuais: wireframes, task flows, storyboards ou vídeos explicativos.  Se alguém tiver alguma, vale a pena enviar. Seria bem bacana ver uma contribuição brasileira no livro =)

“The design of everyday things” em Português

Hoje fui a FNAC tive a grata supresa de encontrar um dos livros clássicos de Donald Norman traduzido para a língua portuguesa. “O design do dia-a-dia” é um dos lançamentos mais recentes da editora Rocco e um dos poucos títulos disponíveis para arquitetos de informação e curiosos em português.

Neste livro Norman explora conceitos de usabilidade, ainda que não aplicados diretamente a interação homem-computador, mas que são certamente muito úteis para exercitar o raciocínio interativo.Alguns exemplos disso estão nos capítulos que discutem a necessidade de padronização e quando ela faz sentido, atenção e dispersão de foco entre outras.

Para quem não conhece o autor, Norman é membro do Nielsen and Norman Group que, segundo eles próprios, é pioneiro nos estudos de user experience e em advogar em favor do design orientado ao usuário. Sua formação acadêmica passa pela engenharia elétrica do MIT, Ciências da Computação, Psicologia e Ciências cognitivas e essa mistura se mostra muito boa, quando se vê em seu trabalho uma crítica conscistente às soluções, fruto de um ponto de vista de quem sabe construir, e também coloca-se profundamente no lugar de quem vai usar.