Olá, aqui quem escreve é o Gil Barros e este post é sobre o meu doutorado. Na academia falamos de uma forma, aqui eu posso falar de outra, e vou contar sobre o que se trata de uma forma mais informal.
Aqui está ele, se quiser dar uma folheada:
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E se preferir baixar a versão em PDF, aqui você encontra o resumo mais formal e o link para o PDF.
Era uma vez…
O doutorado começou com um desconforto: percebi que os esboços (“sketches”) que fazia em design de interação eram altamente deficientes. Eu desenhava as telas, mas não o que acontecia entre as telas. E se pensarmos bem, a interação é justamente o que faz passar de uma tela para outra. Ou seja, eram esboços de leiaute, mas a interação simplesmente não estava representada naqueles desenhos.
Eu fazia uma comparação com arquitetura, onde fiz minha graduação. Lá os esboços vão muito além do desenho, são uma forma de pensar, um artifício que o arquiteto (designer) tem para conseguir colocar mais coisas na sua “memória de trabalho”. Parte dela fica dentro da cabeça e parte dela é transferida para o desenho. Pode parecer estranho pensar assim, mas de alguma forma é uma prótese cognitiva.
Aprendi a fazer isto na faculdade, e faço isto para resolver muitos dos problemas da minha vida. Preciso pensar algo mais complicado, pego lápis e papel e começo a rabiscar. Pode ser um diagrama, uma lista, um cronograma, qualquer coisa. Se tornou uma segunda natureza.
Mas no design de interação ficava um gosto de cabo de guarda-chuva na boca quando ia fazer esboços. Eu não conseguia colocar no papel justamente a parte mais difícil de se ver, que é a interação.
Daí vem o argumento: “mas o digital é interativo, é dinâmico, o papel é estático, não tem jeito…”.
Bom, vamos refletir e comparar com a arquitetura, que é um campo do design com um pouco mais de história (uns 4500 anos a mais). O papel é bi ou tridimensional? E a arquitetura? Mas eu consigo representar o 3D no plano! E como eu consigo fazer isto, e funciona tão bem? Para mim era o mesmo problema.

A arquitetura resolveu com algumas formas específicas de representação. As projeções ortogonais, a isométrica e a perspectiva são algumas delas. Ou seja, a chave talvez fosse uma forma de representação adequada. Neste caso curto o que o Bill Buxton diz:
“A notação é uma ferramenta de pensamento.
Um problema bem representado está em grande parte resolvido.”
O doutorado
Foi aí que eu comecei o doutorado. Primeiro eu pesquisei um bom tanto. Em 2009 e 2010 devo ter lido mais de 30 livros teóricos, mais os práticos, um montão de artigos e uma infinidade de páginas na web. Daí usei isto para me ajudar a bolar uma técnica.
Fiz a primeira versão, escolhi algumas interações chatas de representar e fiz um teste. Estava um lixo! Ótimo, entendi melhor o que eu tinha que fazer, li mais um pouco e fiz outra versão (v0.2, ilustrada abaixo). Daí fiz mais 4 iterações de testes e reformulação (design iterativo!) e cheguei na versão 0.6.
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