O Iceberg de UX

Vez ou outra me lembro que nos últimos anos muita gente nova entrou para o mercado de UX. E que nem todos conhecem os conteúdos que o pessoal da geração anterior conhece.

Um deles é a comparação entre User Experience Design e um iceberg.

A ponta do iceberg – aquela parte que fica visível acima da superfície – é o Visual Design. E lá debaixo d’água, muitas vezes escondidos dos olhos do usuário, estão a Design Strategy, o Escopo do Projeto, a Arquitetura de Informação, o Design de Interação e o Design de Interface.

UX iceberg

A comparação foi feita por Trevor van Gorp e inspirada no livro The Elements of User Experience, de Jesse James Garrett.

Esse e outros livros de UX você confere na nossa prateleira no GoodReads.

Estratégia de conteúdo: como fazer e por que?

Imagem bem genérica sobre criação de conteúdo

Imagem genérica sobre criação de conteúdo

Grande parte do nosso trabalho como Arquiteto de Informação (ou Designer de Interação ou Designer de Experiência do Usuário) é criarmos plataformas que abrigarão conteúdo.

Falamos em arquitetura de informação, em gerenciadores de conteúdo, em metadados – mas, estranhamente, pouco falamos sobre qual será o conteúdo do site/blog/oquequerqueseja que estamos criando. Ou quando falamos, costumamos falar tardiamente sobre isso.

“Ah, o conteúdo tem que vir do cliente.”

“Ah, a gente contrata um blogueiro.”

“Ah, vamos deixar o usuário criar o próprio conteúdo.” (UGC)

Segundo Kristina Halvorson, entusiasta das estratégias de conteúdo:

Dealing with content is messy. It’s complicated, it’s painful, and it’s expensive. And yet, the web is content. Content is the web. It deserves our time and attention. And that’s where content strategy comes in.

Ela ainda atenta que o primeiro passo para bolar uma estratégia de conteúdo é definir não apenas qual conteúdo será publicado, mas por que ele será publicado.

Se não for assim não é estratégia de conteúdo, é calendário de conteúdo.

Alguns tópicos que ela sugere para elaborar essa estratégia:

  • Principais temas e mensagens;
  • Tópicos recomendados;
  • Proposta de conteúdo (como o conteúdo vai fazer a ponte entre as necessidades da audiência e os requisitos de negócios);
  • Intervalos de conteúdo;
  • Estrutura de metadados e conteúdos relacionados;
  • Search Engine Optimization (SEO);
  • Implicações e recomendações para a criação, publicação e governança dos conteúdos.

Se você se interessar e quiser saber mais sobre o assunto, recomendo: The Discipline of Content Strategy

Apanhado de Links: Março de 2012 #ux

Publicidade em Múltiplas Telas

Já falamos bastante por aqui sobre o conceito de Múltiplas Telas, lembra?

Esses dias caí em um artigo do Google Think Insights que falava justamente sobre isso.

Focado em agências de publicidade, o artigo mostrava alguns estudos de caso de marcas que obtiveram bons resultados ao utilizar mais de uma tela na hora de se comunicar com seu público (seja usando a segunda tela de forma complementar e simultânea à primeira, seja em momentos separados da jornada do consumidor).

Veja abaixo alguns números interessantes:

Estatísticas Múltiplas Telas

  • A campanha “All-in” da Adidas gerou 2 milhões a mais de views a partir do momento em que eles adaptaram o conteúdo dos vídeos da campanha para smartphones e tablets.
  • A Reebok viu um aumento de 131% nas conversões de seu produto RealFlex depois de adaptar o vídeo da campanha em várias telas diferentes (PC, celulares e tablets).
  • Pesquisa conduzida no Nielsen Media Labs provou que nos grupos que viram um anúncio de um Volvo em várias telas diferentes – PC, TV, smartphone e tablet – o brand recall deu um pulo para 74% (contra 50% dos anúncios somente de TV).
  • A Delta Airlines dobrou o awareness da campanha e a intenção de compra dos consumidores quando passou a veicular anúncios em vídeo no celular para viajantes de negócios.

Hoje em dia já é comum pensarmos que uma campanha é composta de mais de uma tela. Os próprios anunciantes já entenderam isso e começaram a pedir interfaces que conversem entre si, tornando o brand recall mais forte depois do primeiro contato entre consumidor e anúncio.

Veja abaixo alguns estudos de caso e artigos relacionados ao uso de múltiplas telas (retirados do próprio Google Insights):

Recriando a identidade visual do Professor

Teach

O estúdio Hyperakt foi chamado para reposicionar a identidade visual dos professores de ensino médio usando ferramentas de branding.

Isso porque a profissão é comumente associada a alguns ícones que já se tornaram ultrapassados:

Teacher

Faz esse exercício que eu fiz de procurar por “teacher” no Google Images.

“O Estúdio 360 da WNYC pediu-nos para criar um novo vocabulário visual que reflita o papel multidimensional do professor. Iniciamos o projeto com uma premissa muito simples: a educação é a chave para o progresso humano, pois o ensino está entre as profissões mais importantes para a humanidade. Dessa forma, qualquer novo vocabulário visual deve (…) celebrar o processo de desenvolvimento de idéias, refletir a natureza colaborativa do ensino e prestar homenagem às atuais ferramentas visuais utilizadas no ensino” 

Confira abaixo o resultado do trabalho:

via Design on the Rocks

Vídeos do último UX Week

“UX Week is the premier user experience design conference. Design professionals from all over the world gather for four days of community, inspiration and skills building.”

É assim que o UX Week se apresenta em seu site. Reuni aqui uma seleção de vídeos de algumas das palestras do evento, que aconteceu no ano passado em San Francisco, nos EUA.

Alexa Andrzejewski | Lessonas from a UX driven startup

“Behind Foodspotting’s biggest successes was a concrete idea with contagious appeal: they were able to build a team, attract partners and raise over $3 million in funding, all based on a vision. These “visions” took many forms, but because all were articulated in a concrete, memorable way, they were easy to test, refine and execute. Alexa shares tools to help you come up with a vision, communicate it effectively and validate it with potential users.”

Ben Cerveny | Playful models for understanding

“As cultures transition away from using the desktop as a framing metaphor for computation, the new casual user of tablet-based, or entertainment-screen network services still needs the tools to understand the ever-growing profusion of contexts they have access to and participate in. By building dynamic, playful simulations that bind multiple data-sources into game-like landscapes for users to explore and understand, we can unlock the natural human capacity to perceive patterns in complex systems.”

Darren David | Emerging technologies in UX: promise to practice

“Modern interactive technologies are opening up a broad new world of wonder and experimentation, and bleeding-edge demos and installations are an endless source of inspiration. But how do you respond to the client who wants “that crazy tech-demo thing I saw on YouTube” or that fantastic device/interface from the latest science fiction film? Darren demystifies some of the art and science behind everything from Kinect hacking to building-size projection mapping.”

Jon Wiley | Whoa, Google has designers!

“Google is in the midst of the largest redesign in its history, with more changes to come. Many have wondered who let the designers out of their cage at Google and set them on the path of making Google’s products more focused, effortless, and elastic. You’ll be surprised at the answer.”

Paul Adams | How our social circles influence what we do, where we go and how we decide

“When it comes to the things we like, the activities we do, the products we buy and the places we go, we turn to our friends to help us decide. In this talk, you will hear stories that illustrate the social patterns in our lives, and how businesses can use that knowledge to build new products, market themselves in more relevant ways, and create experiences that people value.”

Veja mais vídeos no site do UX Week

Os 10 princípios de UX do Google

Abaixo o vídeo da palestra de Gustavo Moura (Google Brasil) no IxDA South America, que aconteceu no final do ano passado (2011) em Belo Horizonte, MG.

Os 10 princípios, listados pelo pessoal da GoNow:

1. Foco nas pessoas: suas vidas, trabalhos, sonhos. De nada adianta a premissa “se você construir, eles [os usuários] virão”.
2. Cada milisegundo importa. “Somos tão preocupados com o tempo de nossos usuários, que cada busca feita no Google apresenta o tempo que o sistema levou para retornar o resultado”.
3. O simples é poderoso. “A simplicidade é complexa de ser definida. Pois agrega vários elementos: facilidade de uso, rapidez, acessibilidade, coisas desse tipo. Mas no Google a gente começa o design pelo fundamental, ou seja, pela funcionalidade mais importante do produto”.
4. Envolva os usuários “iniciantes” e atraia os usuários “experientes”.
5. Atreva-se a inovar. “O Google sempre incentiva o teste de novos layouts, desde que a gente atenda à demanda dos usuários”.
6. Design para o mundo. “Nossos pesquisadores trabalham para entender o contexto cultural de cada usuário para que a gente entregue o design certo para cada audiência, para cada tipo de cultura”.
7. Atenda às necessidades de hoje e de amanhã, não espere pela segunda versão do produto.
8. Agrade aos olhos sem distrair a mente. “O conteúdo reina. Toda importância vai para o conteúdo que o usuário está buscando, tudo o que está em volta são “distrações” para que o foco seja fundamentalmente o conteúdo”.
9. Seja digno da confiança das pessoas. “Temos que garantir que o produto cumpra as funções às quais ele se propõe”.
10. Adicione um toque “humano”: não trate as pessoas como se fossem máquinas e computadores. “As interfaces devem criar uma espécie de diálogo com os usuários. A comunicação tem que ser de pessoas para pessoas, precisa ser direta e informal”.

Leia também:

Será o começo da era do “sucesso através de UX”?

Hipmunk

Se você já usou o Hipmunk para pesquisar preços de passagens aéreas, você deve ter reparado que a interface do site tem algo diferente.

Além de ter sido desenhada para que o usuário possa comparar facilmente as diferentes opções de vôos de diferentes companhias aéreas, ela possui uma forma de ordenar os vôos um pouco incomum.

Ao invés de simplesmente organizá-los “do mais barato para o mais caro”, ou “do mais curto para o mais longo”, eles criaram um critério chamado “agonia“.

É uma opção de filtro que possui um algoritmo um tanto complexo e tenta entender (através de pesquisa com usuários e através de estatísticas de uso do site), quantos dólares as pessoas estão dispostas a sacrificar por algumas horas a menos de espera entre os vôos.

Dormindo no aeroporto

Quem nunca se arrependeu por ter economizado 20 dólares em uma passagem?

Não é o tipo de filtro que pode ser criado por um programador, sozinho. As máquinas não entendem esse critério, a não ser depois de inputs do User Experience Designer.

Para a busca de hotéis, eles criaram um critério chamado “êxtase” – que funciona mais ou menos da mesma forma que o filtro “agony” para vôos.

Em uma época onde os algoritmos se tornaram inteligentes o bastante e onde o caminho mais curto seria rentabilizar essa inteligência artificial (“vou oferecer os vôos mais baratos primeiro, porque as pessoas vão comprar mais” ou “vou oferecer os vôos mais curtos, porque serão mais caros e eu vou faturar mais”), é interessante ver despontar produtos que usam essa matemática a favor da experiência do usuário, acima de todo o resto.

O  Hipmunk não gasta nenhum centavo com publicidade para divulgar o produto deles. Quem chega até o site ouviu falar do produto através de amigos ou da imprensa.

Ashton Kutcher é um dos investidores. #randomfact

Já estão dizendo por aí que produtos como esse indicam o começo da era do “sucesso através de UX” – e comparando o Hipmunk com o iPod e o iPhone.

Abaixo a apresentação do fundador do Hipmunk no SXSW 2011.