
Esse foi o tema da apresentação bem humorada – e de certa forma polêmica – de Dan Saffer, postada pela IxDA duas semanas atrás.
“Pare de fazer Design, comece a fazer Design Thinking. É dinheiro fácil, baby.”
A apresentação é recheada de ironias e críticas a essa nova onda do Design Thinking. Nela Dan Saffer promete “iluminar o universo do Design Thinking”, com “tudo o que você precisa saber para fingir que entende as conversas sobre o tema”.
Entre as palavras-chave mais recomendadas por ele estão: IDEO, Bruce Nussbaum, Fast Company, Service Design, Post-it Notes, 37 signals e o que mais tiver virado notícia naquela semana.
Transcrevi alguns trechos da palestra aqui:

“Passo 1: Pare de fazer wireframes, comece a colar post-its em uma parede. Admita: ninguém lê os seus wireframes. Nem você mesmo lê. (…) A solução é encher uma parede de post-its. Não importa o que você coloca nos post-its, ninguém vai ler os post-its também. Você pode colar o que quiser lá: sua lista de supermercado, o que você vai fazer no fim de semana… É só ter certeza que a parede vai ficar parecendo bem criativa – isso é tudo que importa.

Passo 2: Compre uma porção de quadros-brancos e desenhe modelos incompreensíveis e moderninhos neles. Rabisque tudo o que for preciso para demonstrar o problema, mesmo que nada disso solucione o problema. Você faz modelos para fazer modelos para fazer modelos.

Passo 3: Faça personas baseadas em pesquisa nenhuma. É só pensar que suas personas são como um de seus amigos imaginários: você pode fazê-las dizer qualquer coisa que você quiser. Esqueça os bullet points. Escreva um texto corrido com o máximo de detalhes possíveis – vai parecer que você fez pesquisa etnográfica e tudo mais. Fora que quanto mais texto tiver, mais garantido que a persona nunca será lida por ninguém.

Passo 4: Construa uns concepts excêntricos e inconstruíveis. Se os stakeholders reclamarem dos concepts, diga que é porque eles não os entendem. Lembre-os que esses concepts são de Design Thinking, sem limitações, e não de Design de verdade. Limitações são para mentes pequenas. Você está design-thinking-out-of-the-box. E nunca entre em detalhes nos seus concepts. Nada pode arruinar mais um concept do que ter que pensar em como ele realmente irá funcionar.

Passo 5: Construa protótipos. Mentira, é claro que construir protótipos não faz parte do processo. Se você quiser construir algo, mude para a China.”
Saffer termina dizendo que “o Design Thinking apenas começou. Tem várias empresas surgindo para você praticar. Pare de desenhar com o que você já sabe. Agora você já sabe mentir com Design Thinking.”
Nota: os textos que antecedem esta nota não retratam a opinião do autor do blog, mas sim a opinião do autor da palestra com esse título. Tire suas próprias conclusões e fique à vontade para usar a caixa de comentários aí embaixo para xingar o Dan.
Para quem costuma levar tudo ao pé da letra: penso que a intenção de Dan Saffer foi apenas ironizar o excesso de hype em torno do Design Thinking e dos profissionais, escolas e livros que surgem para aproveitar a onda.
Eu particularmente não me apego a nomenclaturas e acredito, sim, em novos métodos de se fazer Design. Acredito também que o mercado esteja cheio de profissionais qualificados para isso.

A recente evolução do termo "Design Thinking" nas buscas do Google.
Para isso e para tudo nessa vida: é só manter o bom senso aguçado, afinal.