Quanto mais espaço, menos espaço #ux #usabilidade

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“O motivo pelo qual muitos desktop websites não são usáveis em aparelhos celulares é justamente porque esses desktop websites não são usáveis nem mesmo em um desktop. Dizem que os gastos de um indivíduo aumentam à medida em que aumenta seu salário, e que a quantidade de bugigangas que ele possui em casa aumenta cada vez que ele muda para uma casa maior. Da mesma forma, já faz um tempo que designers provam que não conseguem manter o foco em seus desktop websites simplesmente porque eles têm bastante espaço.”

via

Leia também: Mobile First

Os 10 princípios de um bom design segundo Dieter Rams

Dieter Rams e algumas de suas criações

Dieter Rams é um industrial designer alemão da escola Funcionalista de desenho industrial. Alguns o consideram o maior de todos os tempos.

No livro “As Little Design as Possible: The Work of Dieter Rams“, a autora Sophie Lovell lista os 10 princípios de design citados por Rams:

  1. Good design is innovative
  2. Good design makes a product useful
  3. Good design is aesthetic
  4. Good design helps us to understand a product
  5. Good design is unobtrusive
  6. Good design is honest
  7. Good design is durable
  8. Good design is consequent to the last detail
  9. Good design is concerned with the environment
  10. Good design is as little design as possible

Sempre que me deparo com listas criadas por pessoas que admiro, leio algumas vezes e depois salvo para mais tarde. Em outro dia, em um outro contexto, leio novamente a mesma lista e tento pensar se ela se aplica à minha rotina, e como.

Experimente olhar para os projetos de Design dos quais você já participou e ver quais desses itens você já aplica e quais deles ainda precisa melhorar. Daria para passar horas :)

Um mapa com as 48 emoções que alguém pode sentir

Mapa das emoções humanas

O número 48 foi proposto pela EARL (Emotion Annotation and Representation Language), uma empresa de robótica que tenta entender o comportamento humano para replicá-lo em robôs e máquinas.

O mapeamento foi feito pelo americano Robert Plutchik, que detectou 8 emoções básicas, mais 8 avançadas e que resultam em 8 sentimentos. Misturando isso tudo, o ser humano é capaz de sentir 48 emoções diferentes.

O desenho foi um achado do Wagner Brenner e, como ele mesmo disse, daria para passar uns bons minutos nessa mapa tentando entender melhor a regra do jogo.

Para você, caro amigo UX, que passa o dia desenhando experiências para pessoas e tentando despertar nelas emoções que caso contrário elas não teriam – o mapa acima, dependendo do uso que você fizer dele, pode ser bem valioso.

A trajetória do Instagram para chegar onde chegou

instagram_facebook

Você certamente já ouviu falar que o Facebook comprou o Instagram.

Há dois anos o Instagram nada mais era do que uma ideia. Oito meses depois, foi finalmente publicado na App Store e começou a ganhar adeptos ao redor do mundo. E há poucos dias, a quase inacreditável notícia: 17 meses depois do lançamento do aplicativo, o Facebook comprou a empresa por nada menos do que 1 bilhão de dólares.

Olhe de novo para os números do parágrafo anterior.

Há algumas semanas o Instagram saiu na capa da Veja. Após o anúncio da compra pelo Facebook, ganhou a capa do New York Times e do Wall Street Journal.

Estrategicamente, andam dizendo que a compra foi um importante passo do Facebook em direção ao celular. Mais especificamente: ao compartilhamento de fotos pelo dispositivo. Apesar de o upload de fotos pela versão mobile do Facebook já apresentar números grandiosos, há tempos não mostrava nenhuma inovação significativa.

A ideia de um bilhão de dólares? Adicionar filtros pré-fabricados às suas fotos e facilitar sua publicação no próprio celular.

Abaixo você confere um infográfico contando um pouco da história da empresa.

Infográfico sobre o Instagram

Os números e o “infogram” acima (ahn, ahn?) vieram desse excelente post do RWW.

Em tempos onde é relativamente fácil ter uma ideia, relativamente difícil executa-la, e dificílimo faze-la cair no gosto popular, a história do Instagram pode ensinar muitas coisas ao mercado das pessoas-que-vivem-de-ter-ideias.

Para mim, a maior lição é que entre 1. ter uma idea inovadora, 2. executa-la com maestria e 3. garantir que ela seja relevante no contexto cultural e social das pessoas que a utilizam, não dá para se dar ao luxo de escolher menos que os 3.

Um autorama onde ganha quem estiver mais concentrado

Você já deve ter lido recentemente sobre um futuro não muito distante onde interfaces serão controladas pelo cérebro, sobre o skate que é controlado pelo cérebro do skatista ou sobre armas que são controladas pela mente dos soldados.

Agora é a vez dos autoramas.

A velocidade do carrinho varia com o nível de concentração de quem o está controlando. E o piscar dos olhos dispara um modo “turbo” no carro, que se não for usado com parcimônia, pode fazê-lo sair da pista.

Amigo UX, vá se preparando para o dia em que você for desenhar interações controladas pelo cérebro :)

O Iceberg de UX

Vez ou outra me lembro que nos últimos anos muita gente nova entrou para o mercado de UX. E que nem todos conhecem os conteúdos que o pessoal da geração anterior conhece.

Um deles é a comparação entre User Experience Design e um iceberg.

A ponta do iceberg – aquela parte que fica visível acima da superfície – é o Visual Design. E lá debaixo d’água, muitas vezes escondidos dos olhos do usuário, estão a Design Strategy, o Escopo do Projeto, a Arquitetura de Informação, o Design de Interação e o Design de Interface.

UX iceberg

A comparação foi feita por Trevor van Gorp e inspirada no livro The Elements of User Experience, de Jesse James Garrett.

Esse e outros livros de UX você confere na nossa prateleira no GoodReads.

Como mentir com #DesignThinking – Palestra de Dan Saffer em Dublin

How to lie with Design Thinking

Esse foi o tema da apresentação bem humorada – e de certa forma polêmica – de Dan Saffer, postada pela IxDA duas semanas atrás.

“Pare de fazer Design, comece a fazer Design Thinking. É dinheiro fácil, baby.”

A apresentação é recheada de ironias e críticas a essa nova onda do Design Thinking. Nela Dan Saffer promete “iluminar o universo do Design Thinking”, com “tudo o que você precisa saber para fingir que entende as conversas sobre o tema”.

Entre as palavras-chave mais recomendadas por ele estão: IDEO, Bruce Nussbaum, Fast Company, Service Design, Post-it Notes, 37 signals e o que mais tiver virado notícia naquela semana.

Transcrevi alguns trechos da palestra aqui:

How to lie with Design Thinking

Passo 1: Pare de fazer wireframes, comece a colar post-its em uma parede. Admita: ninguém lê os seus wireframes. Nem você mesmo lê. (…) A solução é encher uma parede de post-its. Não importa o que você coloca nos post-its, ninguém vai ler os post-its também. Você pode colar o que quiser lá: sua lista de supermercado, o que você vai fazer no fim de semana… É só ter certeza que a parede vai ficar parecendo bem criativa – isso é tudo que importa.

How to lie with Design Thinking

Passo 2: Compre uma porção de quadros-brancos e desenhe modelos incompreensíveis e moderninhos neles. Rabisque tudo o que for preciso para demonstrar o problema, mesmo que nada disso solucione o problema. Você faz modelos para fazer modelos para fazer modelos.

How to lie with Design Thinking

Passo 3: Faça personas baseadas em pesquisa nenhuma. É só pensar que suas personas são como um de seus amigos imaginários: você pode fazê-las dizer qualquer coisa que você quiser. Esqueça os bullet points. Escreva um texto corrido com o máximo de detalhes possíveis – vai parecer que você fez pesquisa etnográfica e tudo mais. Fora que quanto mais texto tiver, mais garantido que a persona nunca será lida por ninguém.

How to lie with Design Thinking

Passo 4: Construa uns concepts excêntricos e inconstruíveis. Se os stakeholders reclamarem dos concepts, diga que é porque eles não os entendem. Lembre-os que esses concepts são de Design Thinking, sem limitações, e não de Design de verdade. Limitações são para mentes pequenas. Você está design-thinking-out-of-the-box. E nunca entre em detalhes nos seus concepts. Nada pode arruinar mais um concept do que ter que pensar em como ele realmente irá funcionar.

How to lie with Design Thinking

Passo 5: Construa protótipos. Mentira, é claro que construir protótipos não faz parte do processo. Se você quiser construir algo, mude para a China.”

Saffer termina dizendo que “o Design Thinking apenas começou. Tem várias empresas surgindo para você praticar. Pare de desenhar com o que você já sabe. Agora você já sabe mentir com Design Thinking.”

Nota: os textos que antecedem esta nota não retratam a opinião do autor do blog, mas sim a opinião do autor da palestra com esse título. Tire suas próprias conclusões e fique à vontade para usar a caixa de comentários aí embaixo para xingar o Dan.

Para quem costuma levar tudo ao pé da letra: penso que a intenção de Dan Saffer foi apenas ironizar o excesso de hype em torno do Design Thinking e dos profissionais, escolas e livros que surgem para aproveitar a onda.

Eu particularmente não me apego a nomenclaturas e acredito, sim, em novos métodos de se fazer Design. Acredito também que o mercado esteja cheio de profissionais qualificados para isso.

Google Trends: Design Thinking

A recente evolução do termo "Design Thinking" nas buscas do Google.

Para isso e para tudo nessa vida: é só manter o bom senso aguçado, afinal.