O “momento Bauhaus” do Design de Interação

Cadeiras Bauhaus

Interessante essa analogia traçada por Rahul Sen em seu blog.

O Bauhaus foi uma escola alemã (1918-1933) que enaltecia o funcionalismo, com pouca ou quase nula ornamentação. Isso se refletia na arte, arquitetura, tipografia e no desenho de produtos. Surgiu em contrapartida ao excesso de floreios dos movimentos artísticos da época.

Segundo Rahul, o Design de Interação tem passado por um momento semelhante nos últimos anos. Depois do deslumbre dos Designers com as possibilidades tecnológicas e visuais das interfaces digitais, chega o momento de negar a ostentação visual e prezar pela simplicidade. A velocidade com que as pessoas esperam navegar nas interfaces e realizar tarefas com elas só tem contribuído para que os designers busquem e apoiem o tal do “menos é mais”.

The Bauhaus’s philosophy was that form should follow function and all other distractions and decoration should be avoided. It wanted space to be experience for its purity, stripped off all the ‘dirt’ and clutter of decor. This is something that’s been happening recently in the field of visual interaction design.

O artigo ainda usa a interface do Windows Phone como ótimo exemplo desse movimento:

Interface do Windows Phone

É claro que a batalha não está vencida: designers de interação continuam (e devem continuar) prezando pela simplicidade e pela clareza funcional das interfaces que criam, muitas vezes tendo que argumentar com outros designers ou stakeholders que não pensam da mesma forma.

Existem alguns pontos bastante esclarecedores listados por Rahul que ajudam a defender a simplicidade da forma. Cada um deles abre um thread inteiro de novas discussões, mas preferi manter apenas a ideia principal de cada ponto aqui neste post.

  • Nem todo material é digno de celebração, nem todo conteúdo é bonito.
  • A beleza está nos detalhes, na construção e na estrutura.
  • Processos industriais guiaram o Bauhaus; processos de desenvolvimento de softwares ajudam a guiar o Bauhaus do Design de Interação.
  • Quando todas as fachadas são de vidro, é difícil dizer onde está a porta.

Mas um dos problemas da extrema simplicidade é a falta de personalidade que a interface pode apresentar; além da função, os vínculos emocionais criados entre o usuário e a interface dependem também de emoção e personalidade. A questão que Rahul levanta no final do artigo é digna de reflexão (e futuros posts, claro):

How much can we reduce, without compromising on usability , cognition and emotion? How much can we strip experiences of cues (formerly done through decor) without making them sterile? If the Bauhaus movement in the early part of last century failed to resonate with users for reasons that we’ve discussed – can we as designers prepare ourselves to meet the challenges ahead?

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