Uma forma poderosa de colher insights sobre usuários é simplesmente observar como eles se comportam em seu ambiente natural, durante um certo período de tempo. É a tal pesquisa etnográfica, método que apresenta resultados incríveis quando você precisa se aproximar mais do universo das pessoas para as quais você está desenhando.
Só que muitas vezes essa pesquisa não cabe no timing ou na verba do projeto.
Na apresentação abaixo, Dr. Chris Khalil explica como a NDN (News Digital Media) usa os próprios perfis das redes sociais dos usuários para entender como eles se comportam no ambiente digital – usando ferramentas de baixo custo (ou muitas vezes gratuitas) para isso. A apresentação também traz um estudo de caso de como o método foi aplicado pela empresa na Austrália.
A apresentação:
(Se você estiver lendo este post por RSS e a apresentação acima não abrir, veja-a no blog)
A dica:
Quando você trabalha com Design ou Publicidade, acaba adicionando no Facebook muitas pessoas que também trabalham no mesmo mercado que você. Isso é ótimo, porque você tem acesso a muitos links e informações relevantes postados por essas pessoas – coisas que você não encontraria navegando nas suas próprias referências. E quanto mais você “curte” ou clica nos links postados por essas pessoas, mais o Facebook mostra atualizações delas na sua homepage.
O problema é que isso acaba deixando o seu newsfeed um pouco “viciado”. Afinal, o jeito como essas pessoas interagem com o Facebook não é necessariamente o jeito como as “pessoas de verdade” o fazem (adoro essa expressão).
“You’re not your user”, dizem.
A parte boa é que o Facebook permite que você crie listas com usuários específicos e plugue essas listas na coluna da esquerda da sua página inicial.
Há mais ou menos um ano eu criei uma lista chamada “Personas” ali na minha homepage.
Procurei incluir pessoas de perfis bem diferentes do meu: aquela minha prima de 16 anos, o porteiro do meu prédio, o meu tio distante de 55 anos. E também o pai solteiro, a tia baladeira, o quarentão divorciado, o fã de Rebeldes, a atriz de 70 anos, o fã de memes, o viciado em joguinhos sociais, a maníaca por celebridades.
Uma vez por semana eu passo lá e dou uma espiada.
De certa forma isso me faz sentir menos distante desses universos todos e mais pronto para entender como as “pessoas de verdade” funcionam.
Tomara que sirva para você :)

Acho bastante inteligente e interessante o uso das teorias criadas pelas disciplinas “Antropologia/Etnologia” e suas metodologias analítico-etnográficas. Porém, existem também esforços feitos pela Sociologia bastante relevantes para o conhecimento comportamental dos indivíduos, grupos, comunidades e demais segmentações possíveis do universo de pessoas/usuários.
Vejo um grande problema quando isto vai para a publicidade e “tecnólogos”, “planners” e “ux/ui designers” se apropriam das noções básicas para pesquisa.
Exemplo:
Acredito que o conceito de persona cabe mais ao posicionamento e núcleo narrativo de uma Marca do que à tipos de Usuários, a estes “tipologias” seria mais útil e adequado; e por aí adiante.
Quando leio os cases que utilizam as ciências humanas como mediação – por ter formação em duas cadeiras de ciências humanas – fico com a impressão de que o Malinowski está fazendo o redesenho do logo da IBM…
É fundamental o entendimento de que métodos diferentes chegam a diferentes conclusões, e mais radicalmente: metodologias diferentes normalmente significam diferentes referencias teóricas (muitas vezes auto-excludentes).
De forma pragmática: usar teoria do conhecimento e as metodologias de análise do comportamento/valores/ações humanas é importante para a comunicação? SIM, FUNDAMENTAL.
Porém… se é para fazer, melhor fazer com que entende do negócio….
Fazendo uma analogia seria o mesmo que o cientista que criou o principio ativo do Viagra ficasse a cargo de sua campanha de comunicação.
Acredito no homem renascentista… mas conheço poucos!
Abs e parabéns mais uma vez pelo log!
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Esse problema do Feed viciado é um desafio para o marketing digital que tem que trabalhar de forma a ser curtido e compartilhado para que não deixe de aparecer para os usuários! É um problema que o Facebook deveria solucionar, para mais eficiência da ferramenta.
Interessante, Fabrício! Você já ouviu falar da netnografia? Tive meu primeiro contato em uma aula de antropologia do consumo e achei muito interessante!
Sobre o comentário feito pelo Jetter. A apropriação das pesquisas sociais pelo marketing e pelo design já é fato. Ninguém sai dizendo que virou antropólogo porque está usando uma metodologia inspirada na etnografia. Se você for fazer uma pesquisa mais profunda, claro que os especialistas farão melhor. Mas como uma das ferramentas usadas no dia-a-dia, o próprio designer pode e deve ter esse olhar observador e esta e outras metodologias são mais que bem-vindas e fazem parte da prática do design.
Sobre o ponto de vista da sociologia, acredito que o principal ponto-chave da antropologia e da preferência desta sobre a sociologia quando estudamos comportamento do consumidor / usuários de serviços, é pelo simples fato da antropologia estudar os artefatos e as interações dos indivíduos com esses artefatos, coisa que a sociologia nunca se preocupou muito.
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