Por que os millennials compram coisas?

Por que millenials compram coisas?

Millennials (ou geração Y), para quem não está familiarizado, é o termo que encontraram para definir a geracão que nasceu no início dos anos 80, filhos da geração dos Baby Boomers. É uma garotada que tem hábitos um tanto diferentes da geração anterior.

Um desses hábitos estranhos dos Millennials é que eles não são lá muito aficcionados por comprar coisas.

Este artigo da FastCompany fala justamente sobre isso: as empresas estão aos poucos compreendendo que, diferente da geração dos seus pais, os Millennials parecem se importar menos em possuir bens materiais.

Ao invés de enxergar o bem material como um fim por si mesmo, eles preferem olhar para “o que é que esse bem vai permitir fazer”. Isso porque a escassez material mudou muito nos últimos anos – e tem ficado mais fácil comprar ou possuir coisas.

Ownership just isn’t hard anymore. We can now find and own practically anything we want, at any time, through the unending flea market of the Internet. Because of this, the balance between supply and demand has been altered, and the value has moved elsewhere.

O poder de um produto ou serviço, hoje em dia, diz mais sobre como ele consegue conectar uma pessoa a algum objetivo ou a alguma outra pessoa, do que necessariamente o objeto em si.

E nós, como bons Designers que somos, podemos (e devemos?) usar isso a nosso favor.

O artigo lista 3 “novos motivos” pelos quais essa geração compra:

  1. As pessoas compram coisas por causa daquilo que poderão fazer com ela. O produto ou serviço pode ajudá-las a fazer algo importante, e isso dá às pessoas uma sensação de poder. Também as ajuda a se sentirem menos como simples espectadoras da própria vida, e mais como agentes de mudança. No artigo, a Apple é citada como exemplo de uma empresa que já percebeu essa mudança: os produtos e serviços que eles oferecem dão às pessoas o poder de controlar o mundo ao seu redor com o uso de tecnologia.
  2. As pessoas compram coisas por causa daquilo que poderão dizer às outras sobre o objeto comprado. Existe uma peça central em possuir algo que ainda continua vivo: muitas vezes o prazer em não reside necessariamente no “possuir”, mas sim no “compartilhar”. Quando compartilhamos algo com as pessoas que gostamos, isso cria laços significativos com elas – e o sentimento criado naquele momento acaba refletindo positivamente no produto e também na marca.
  3. As pessoas compram coisas porque possuir essas coisas diz algo a respeito delas. A opção de não possuir um carro, por exemplo, diz menos sobre “ser contra a indústria automotiva” e mais sobre o que significa “acreditar em uma vida sem carro”. E isso se reflete na personalidade da pessoa que fez aquela escolha. Por isso muitas marcas, ao invés de focarem sua comunicação em mostrar o produto, preferem mostrar algo maior em que acreditam (exemplo da Nike e seu conceito de que “se você tem um corpo, você é um atleta”).

O artigo termina com um alerta para designers e profissionais de marketing que trabalham com produtos para essa geração: “As we watch the old definition of ‘ownership’ go extinct, how will you leverage the unique connections your product or service could create? It could very well mean the difference between life and death for your business.”

8 comentários sobre “Por que os millennials compram coisas?

  1. Pelo que entendi a partir desse texto, os Millenials têm um vínculo ainda mais forte com esses bens, porque não estão ligados a ele só pelos motivos funcionais, mas também porque eles os representam e ajudam a constituir a personalidade de quem os consome. Nesse contexto, o produto serviria como ferramenta de diferenciação, então não sei se os Millenials se importam em possuir menos. Não seria o contrário? Vejo uma soma de motivos para consumir mais – talvez os consumidores estejam apenas mais seletivos.

    • Oi Camila, valeu pelo comentário e pela visita! Concordo quando diz que os millennials têm um vínculo ainda mais forte com os bens.

      Agora quanto ao verbo “possuir”, penso que ele assume dois sentidos no texto, dependendo da geração a que se refere. Um é o “possuir e fazer coisas” com aquele produto. Outro, da geração anterior aos millennials, é o “possuir e armazenar”. Olhando para o exemplo dos aparelhos celulares: a geração Y é cada vez mais “desapegada” na hora de trocar de smartphone. “Possuir” continua importante, mas quando aquele produto não permite mais que você faça coisas com ele, ele perde a importância a ponto de você conseguir se desprender dele com facilidade. Meu pai costuma guardar todos os aparelhos de celular que já possuiu, por mais que não os utilize mais ou saiba que não fará mais nada com eles. Ainda assim, para ele o objeto é um bem que ele possui, que foi adquirido e, portanto, pode ser acumulado. Para mim isso não faz muito sentido :)

      • Entendi, Fabricio. :) Acho que a tecnologia também incentiva esse tipo de comportamento “não-acumulador”, porque hoje em dia ela permite o surgimento constante de produtos não só com mais recursos, mas também mais bem acabados. Isso me lembra uma história contada por parentes meus que moraram no Japão há alguns anos. Eles disseram que os japoneses jogam coisas novíssimas no lixo (como aparelhos de celular), porque naquele país sempre há algo mais novo e diferente para comprar. Quando um desses parentes voltou ao Brasil, trouxe um modelo com display colorido adquirido lá, numa época em que a gente se divertia horrores assim: http://goo.gl/38vPx.

  2. Muito interessante esse tema. Só achei que fica parecendo que o autor do artigo original se contorce para não dar a devida importância à tecnologia, querendo dar um passo além e desvendar um motivo menos óbvio para o fenômeno do qual ele trata. O título fala dos Millennials, que cresceram junto com a internet, altamente conectados, mas lá pelo meio do artigo ele observa que o fenômeno em questão é generalizado, não sendo exclusividade da tal geração. Depois ele lista 3 motivos pelos quais as pessoas estariam comprando coisas atualmente, sendo que se você aplicá-las a outras gerações (principalmente se desconsiderar a tecnologia), serve direitinho, a meu ver. No final das contas, o autor aponta que o motivo é, simplesmente, “uma nova maneira de pensar”. Embromação?

    Acho mais razoável (e óbvio) pensar que a tecnologia e o modo de pensar das pessoas evoluem juntos, uma afetando a outra, criando novas situações e questionamentos, num ciclo (virtuoso e/ou vicioso). E que isso impacta também na maneira como as pessoas consomem produtos e serviços (cada vez mais dependentes de uma tecnologia mais avançada – hj em dia não basta ligar na rede elétrica, tem que ligar a energia, o sinal e ainda conectar com outros aparelhos usando um protocolo em comum –, e cada vez mais, no cenário atual, massacradas com o discurso da sustentabilidade e saúde e bem-estar).

    Se ele tivesse feito uma análise abraçando a tecnologia como modificador/direcionador de comportamentos, teria se saído melhor.

    • Excelente raciocínio, Theo, não tinha olhado por essa ótica. Certamente o pensamento e a tecnologia evoluem juntos – e uma acaba influenciando na outra. Se eu tivesse escrito o artigo original, teria focado mais no fato das outras gerações terem o hábito de “acumular” coisas, mesmo que não façam nada com elas. Obrigado pela visita e pelo comentário!

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