
Eu sei, esse título aí em cima é um pouco óbvio quando lido com pressa. Mas é justamente essa a filosofia da Vittra Telefonplan, uma escola sueca que tem chamado a atenção de todo o mundo tanto pela arquitetura do ambiente de aulas quanto pela metodologia de ensino.
Segundo eles, o ambiente escolar é a maior forma de aprendizagem – sendo mais importante, inclusive, do que o conteúdo das aulas. Em uma época onde a informação está disponível a uma “googlada” de distância, a capacidade de armazenar conteúdo na cabeça não é mais o que distingue um bom estudante de um mau estudante.
Se o estudante aprende a aprender, fica mais fácil ele lidar com os desafios que aparecerão em sua vida nos anos que sucedem o período escolar. E fica mais fácil ele continuar aprendendo sempre.
“Se as escolas ainda são as mesmas as quais nós frequentávamos em nosso período escolar, é natural que você se pergunte se elas estão trabalhando da maneira correta – considerando que a sociedade está se transformando na velocidade em que está. Se nada muda na forma a qual as escolas funcionam, então algo está errado.”
A própria estrutura do prédio (criada pelo arquiteto Rosan Bosch) foi pensada de forma a acolher os estudantes e deixá-los livres para aprenderem da forma que se sentem mais confortáveis.



O prédio é dividido em cinco ambientes: a Caverna (um espaço reservado para concentração e privacidade), o Laboratório (experiências e trabalho prático), a Fogueira (aulas em grupo e socialização), o Furo (um lugar para encontros e impulsos), e a Arena (um lugar para mostrar e discutir o que foi aprendido).
Abaixo um vídeo com mais detalhes sobre a escola:
Quem já teve a oportunidade de trabalhar (ou pelo menos visitar) uma agência de publicidade ou uma empresa de tecnologia onde a criatividade e o capital intelectual são as principais moedas de troca, sabe o quanto um ambiente agradável pode estimular que essas habilidades se desenvolvam. A semelhança é bastante nítida – tanto na decoração do ambiente quanto na forma como as esses mini-adultos circulam por ele com os seus notebooks a tiracolo :)
Achei o máximo a iniciativa e parte bem das ideias construtivistas de ensino. Entendi a questão do ambiente mais “propício”… entretanto, minha dúvida fica a respeito dos resultados, a gente tem boas ideia sendo colocadas em prática nas escolas e este resultado, ou seja, esses adultos, só poderão comprovar a eficácia deste tipo de ensino lá na frente. É um ato de fé, eu diria!
Parabéns! Ótimo post.
Anderson Siqueira
Gostei do raciocínio, Anderson. Realmente: é um ato de fé.
Obrigado pela visita e pelo comentário!
Anderson, toda educação é um ato de fé. O que ocorre é que as pessoas associam EDUCAÇÃO com ESCOLA, e a educação de uma pessoa não é so a escola. Educação tem a ver com busca, interação, conquistas, aprendizado… Quando eu olho para trás e vejo quanto tempo minha escola perdeu tentando fazer com que eu entendesse a distribuição dos eletróns nas camadas do átomo, que nunca eu usei para nada, e pouco falou sobre educação financeira, que é parte integrante da vida de qualquer cidadão…
Excelente
Valeu Beatriz. Obrigado pela visita e pelo comentário!
A escola que ensina é óbvio mas a escola que ensina a aprender nem por isso… infelizmente.
Se esperar “lá para a frente” para verificar os resultados é um ato de fé então qualquer modelo de ensino “é um ato de fé”, este ou outro.
O que é certo é que o modelo actual universal não serve, nem os alunos de agora se sentam motivados, na escola da informação quando ela está a uma “”googlada” de distância”. Continuar com o que temos chamaria um acto de penitência, ou tortura (para os alunos).
Aqui em Portugal, mas sei que por todo o lado, a alguns anos que se vão fazendo alterações a que chamam reformas, onde mudam nomes, cargas horárias e alteram a quantidade da informação dos programas das disciplinas, justificando que é para melhorar ou resolver as falhas… e depois é sempre preciso um “ato de fé” e esperar… mas deixam que a base continue a mesma, informar em vez de formar e manter esta base já é um acto de estupidez.
Já agora aproveito para dizer que em Portugal existe uma escola com o mesmo conceito, que funciona e já produziu resultados avaliados. Uma escola do estado que lutou contra o ministério da educação de sucessivos governos e resistiu… pois apresentava melhores resultados nas mesmas provas oficiais que os seus alunos realizavam em comparação com a média nacional. Obviamente acabou por ser reconhecida e é uma escola do estado “à parte”.
http://www.escoladaponte.com.pt/html2/portug/local/local.htm
Gostei do artigo e principalmente do titulo. Chamou-me a atenção porque há 30 anos atrás, ainda era estudante do ensino secundário e já pensava que a escola deveria ser assim… e nessa altura fiquei contente por perceber que não era coisa de miúdo quando li um livrinho de Bertrand Russel que falava nessa escola e de que o modelo atual estava desatualizado ( já o homem tinha morrido pelo menos 10 anos antes com 97 anos)
Pois é, João. Acho que muitos miúdos percebem que o modelo onde você está inserido nem sempre é o melhor. E obrigado pela dica da Escola da Ponte, não conhecia nada sobre ela. Um abraço!
Obrigado Fabricio. este é um tema muito caro para mim e foi muito útil para minhas pesquisas.
Sou filho de professores em Pernambuco. Meu pai, de matemática, deixou há alguns anos de ensinar no antigo 2º grau e decidiu ensinar apenas nos primeiros anos. Motivo? Cansou de não encontrar nos alunos base para os conceitos que precisava aplicar e passou a dedicar-se a preparar melhor os próximos alunos, agora para seus colegas. Enfim, essa é a tônica da metodologia agora obsoleta do quadro e giz que evoluiu pro quadro branco e marcador, de nossa educação atual.
Meus professores lutavam com aquela tabuada pra decorarmos até “sair sangue”. Meu cérebro nunca se habituou com ela. Para fazer qq cálculo de cabeça, automaticamente a conta é quebrada em várias menores mais simples que se acumulam e chegam ao resultado final. Sempre me achei diferente por isso, que era condenado pelos professores, até descobrir uma linha de ensino da matemática que respeita e incentiva esse raciocínio natural, ou para dividir mentalmente qq número por 5 não é mais fácil dividir por 10 e dobrar depois? Esse “conforto” mental foi fundamental nos estudos de tecnólogo e engenharia elétrica, anos depois.
Eu diria que a iniciativa sueca é um pouco mais que um ato de fé no método, é a inteligência de conhecer a mecânica do aprendizado do cérebro humano e estimulá-lo conforme essa gnose. Passa da hora de nossa geração começar a revolucionar, turbinar, a educação da próxima, já é possível e estamos perdendo tempo…
Recentemente aqui em SP, numa grande feira de TI, a Campus Party, um professor indiano ao proferir uma palestra desafiou seu público que é necessário repensar o uso que fazemos do cérebro. Preferir o raciocínio à memória. Nisso, ter palms e notes com as crianças e dar-lhes desafios que lhes façam lidar com o conhecimento, pesquisar, compartilhar interagindo e apresentar, mas por memória, usem Google, Wikipedia e outros meios informáticos. Gastamos muito tempo das crianças os forçando a algo que não lhes é natural, ter memória em massa, e pouco os ensinando a usar esse material armazenado precariamente e pouco indexado.
Quem não teve nota baixa em exame por que não repetiu na resposta a exata frase, com pontos e vírgulas, que o sacrossanto professor escreveu no quadro na aula e deveria ter sido perfeitamente copiado, decorado (diria, devorado) e transcrito na prova?
Bem pertinentes os comentários..creio que não é à tôa que os fundadores da escola sueca só usavam produtos apple. A filosofia de Jobs era simplificar ao máximo seus produtos, e torna-los o mais intuitivo possível; isso pra mim é estimular a aprendizagem à “decoreba”. Ao segurar um Ipad,iphone ou um produto da “maçãzinha”, até uma simples criança, apenas com um simples toque, poderá aprender como funciona.
Taí…a frase que me vem à cabeça, após ver esse vídeo é: “aprender mais, decorar menos”
abs
Felipe Férrer