Sozinhos juntos

Cada um no seu quadrado

“Quando você fala ao telefone, você não pensa tanto quanto pensa ao enviar mensagens de texto. No telefone, muitas coisas podem ser reveladas.”

Livro Alone TogetherEssa foi a resposta de um estudante ao ser entrevistado por Sherry Turkle, autora de Alone Together – Why We Expect More From Technology And Less From Each Other. Turkle é e psicóloga clínica e professora de estudos sociais no MIT (Massachusetts Institute of Technology) – e escreveu o livro para registrar parte de seus quinze anos de estudos sobre os efeitos psicológicos da internet sobre as pessoas.

Ao invés de falar ao telefone, enviamos SMSs e tweets. Pedimos desculpas pelo Facebook, porque é mais fácil. E quando fazemos isso, temos mais tempo para pensar no que está sendo dito. Segundo a autora, a geração instant messenger vem perdendo parte das habilidades exigidas pela conversação face a face. Faz sentido. Cada vez que substituímos uma conversa verbalizada por uma conversa em texto, perdemos a habilidade do raciocínio rápido exigido para administrar a conversa. Textos oferecem muito controle. Eles permitem que mantenhamos  os sentimentos dos outros a uma certa distância. O texto nos permite responder no ritmo que queremos, e a encerrar a conversa quando for mais conveniente.

“Brad diz, meio que brincando, que ele se preocupa em ficar confuso entre o que ele ‘compôs’ para sua vida online e quem ele ‘realmente’ é. Ele fica ansioso para publicar coisas sobre si mesmo que ele não sabe ao certo se são verdades. Ele acredita que as coisas que ele diz online afetam a maneira que as pessoas vão tratá-lo na vida real. Pessoas já se relacionam com ele sobre coisas que ele diz no Facebook. Brad luta para ser mais ‘ele mesmo’ lá, mas é difícil. Ele diz que mesmo quando ele tenta ser ‘honesto’ no Facebook, ele não resiste à tentação de usar o site para fazer ‘a impressão certa’.” – descreve Turkle sobre um dos estudantes entrevistados por ela.

Seres digitais conectados

Qualquer semelhança com o abandonado Second Life não é coincidência. Pelo contrário, ele foi alvo de estudo da autora há alguns anos. A projeção de uma identidade idealizada na internet não é algo novo, mas se tornou mais popular e mais acessível com o Facebook e outras redes sociais de acesso gratuito, rápido e móvel. E existe ume geração inteira sendo ensinada a gerenciar a impressão que as outras pessoas têm sobre seus perfis online.

Alone Together é um livro e tanto. O texto alterna entre argumentos científicos e entrevistas que são resultados de muitos e muitos anos de pesquisa, sempre sob o ponto de vista crítico e o bom senso aguçado de Turkle. Faltam algumas páginas para eu chegar ao final do livro, mas já recomendo a leitura. Para todos aqueles que querem entender como essa tal tecnologia nos afeta.

Sobre Fabricio Teixeira

Fabricio é arquiteto de informação, mas acha que isso tem cura. Vive organizando coisas, nas horas vagas e nas horas pagas. Siga-o em twitter.com/fabriciot
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5 respostas para Sozinhos juntos

  1. Franco disse:

    Tema para ampla discussão sobre novos tipos de comportamentos. Para refletir e aplicar no relacionamento social.

  2. A Microfosoft lançou o seu sistema windows 7 para Mobile abordando a mesma questão – http://bit.ly/9exx3f – infelizmente não fica muito claro pelo comercial deles que o que o lançamento quer é mudar isso.

  3. Pingback: Mais um pouco de “Alone Together” | Arquitetura de Informação

  4. Pingback: O que é phone stacking? | Arquitetura de Informação

  5. Poxa, como entendo este texto. Eu passei, de certa forma, a não gostar muito da comunicação por texto.

    Meu ex-marido terminou comigo por sms.

    Depois de um tempo, comecei a namorar um cara que foi morar por três meses na Europa. Falavámos pela internet, claro. Mas quando ele voltou, continuou assim. Pouco ouvimos nossa voz, quando não ao vivo. Inclusive, para desmarcar um encontro, ele me enviou um e-mail (não seria mais fácil me ligar?).

    Acredito que a era digital (literalmente, dedos, digitar) ao mesmo tempo que aproxima, afasta as pessoas. Em qualquer outra época, estas situações ocorridas comigo seriam resolvidas pessoalmente ou, no máximo, por uma ligação. Eu nunca teria que ler um texto, que foi lido, relido, trilido, mil vezes antes do enviar.

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