Interface, Experience Design e aviões

Tyler Thompson é um daqueles clientes que não se contentam em fazer uma reclamação sem dar uma solução para o problema.

Um dia ele estava no aeroporto, entediado esperando o horário do vôo, quando resolveu procurar algo para ler. Acabou pegando seu cartão de embarque da Delta Airlines.

“Eu olhei para o cartão por uns instantes. Depois esfreguei os olhos e olhei mais um pouco.”

É, Tyler, não adianta esfregar os olhos não.

Inconformado com toda aquela falta de hierarquia do bilhete, Tyler pegou seu moleskine e começou a rabiscar algumas soluções para o problema. “Primeiro eu preciso saber o número do vôo, depois o portão de embarque, depois o meu assento.”

Poucas horas depois, Tyler já tinha publicado em seu blog a sua própria releitura do cartão de embarque. Um pouco de cor para reforçar o visual da marca e ajudar a identificar de primeira a que companhia pertencia o vôo. O resultado?

Tcha-nam.

Uma interface totalmente nova para o cartão de embarque.

“Interface” é o meio capaz de promover a comunicação entre dois grupos ou indivíduos. Em qualquer meio.

Exemplos como esse só fazem lembrar que já passou da hora de removermos o “User” antes de Experience Design e pararmos de pensar apenas nos ambientes digitais ou na web. A experiência é uma só, afinal. Da compra da passagem, ao check-in, ao cartão de embarque. A barreira está cada vez mais invisível.

Outro dia tentei explicar para o meu primo de 17 anos a diferença entre o Facebook web e o Facebook mobile. Ele não entendeu, claro. Para ele é tudo uma coisa só.

E o consumidor está cada vez mais exigente, não é mesmo? Nosso amigo Tyler que o diga.

10 thoughts on “Interface, Experience Design e aviões

  1. O layout ficou sensacional, uma solução bem diagramada e bonita para Delta, porém nada prática…
    Levando em consideração a fabricação dos bilhetes em impressoras térmicas monocromáticas a empresa teria que fazer um mega investimento em material para: 1. imprimir o bilheto por completo o que bateria com altos custos de manutenção em termos de reposição de tintas e manutenção de impressoras mais elaboradas sem falar do tipo de impressão cheia sem borda que no geral raríssimas impressoras fazem, apenas as de alto custo; ou 2. uma pré impressão da base do bilhete em grandes gráficas, também com alto custo e também a implantação de uma impressora que imprima em tinta branca e preta, outra coisa rara de se ver se é que existe?
    Em fim o cara mandou muito bem e muito mal, organizou a informação, mas não pensou no custo, é um bilhete aéreo e não um folder ou algo que alguém vá guardar muito tempo, no geral ele vai pro lixo muito rapidamente, ou até as milhas serem computadas, um designer tem que ser criativo, inovador e funcional, não dá para deixar o custo de lado em tudo, imagina o quanto a Delta que é umas das maiores companhias aéreas do mundo vai gastar a mais nessa brincadeira de bilhete colorido? O cara tinha que propor uma solução melhor na impressora preta e papel que a empresa usa. :D

    • Concordo com tudo o que você disse.
      Mas você também não acha que ele fez isso muito mais para mostrar de como podia ser melhor, ao invés de realmente levar este novo design pra frente e tentar vender para a Delta?
      Ele não tinha um briefing, fez intuitivamente, pra provar que as empresas devem dar atenção a estas coisas.

  2. A Wired fez algo parecido com exames de sangue e derivados. Também ficou bem legal e deixa a gente pensando porque é tão difícil ver esse tipo de trabalho tornar-se realidade. http://www.wired.com/magazine/2010/11/ff_bloodwork/all/1

    Eu entendo esse exercício do Tyler como uma “prova de conceito”: com 15 minutos e alguns sketchs é possível melhorar a apresentação de uma informação muito relevante pra quem está no aeroporto. A partir daí, começa-se a pensar em custos e restrições, mas o resultado ainda será muito superior ao atual.
    No post original mesmo tem outras soluções e opções que se adequariam melhor à realidade das impressoras de bilhetes.

  3. Concordo com você Juliana. A interface ficou perfeita, mas o custo de impressão colorida é uma barreira que o cliente tem pela frente. Essa é a diferença quando projetamos sem conhecermos as limitações dos nossos clientes. O Mundo fica perfeito quando não temos o briefing na mão.

    De qualquer forma ele teve boa intenção e pensou na solução. Não adianta reclamar se você não tem uma ideia que resolva.

  4. Muito bem refeito! Idéia excelente….

    Hoje em dia cada vez mais temos que pensar no usuário, infelizmente a maioria das empresas não pensam.

  5. Na realidade, Tyler Thompson mandou bem sim. Como designer precavido, ele produzuiu sim uma versão em preto e branco para o voucher devido justamente ao custo de impressão. Há diferentes impressoras em diferentes aeroportos. Mas ele propôs a solução.

    Essa proposta de redesign lembra bastante o caso do também designer Dustin Curtis, que indignado com o serviço de reservas de passagens do website da America Airlines, criou uma nova solução muito interessante e contundente.

  6. Realmente sen-sa-cio-nal
    Muito bonito….
    e sobre a impressão… meu, a gente tem q ficar aguentando aqueles treco feio, por causa q n conseguem imprimir? ah.. pára

    Era só fazer uma impressão prévia na gráfica dos desenhos, depois no local vc troca a tinta preta por uma branca… hauha, não é complicado… questão de querer

    fora q o quanto a empresa n ia ganhar em admiração e lembrança de marca?

  7. Falou apenas se informar junto à IATA, que define os padrões para os cartões de embarque. Uma companhia não pode mudar o layout livremente. Imaginem como seria se cada companhia aérea do mundo usasse o layout que quisesse?

  8. Achei a proposta muito bonita, hierarquicamente melhor e acesso cognitivo facilitado.
    Mas… é um pecado não deixar claro de onde é e pra onde vai esse bilhete.
    Imagine a situação de um executivo com varias passagens dessas em uma pasta. Partindo da primicia do maior para o menor, ele deveria saber de qual compania ( pelas cores ou elementos visuais de fácil interpretação), O destino (Ao meu ver é o que deveria está mais destacado que o meu próprio nome) e entao seguir a proposta de portão de embarque, etc etc…
    Li esse Post e debati com um amigo meu que é Arquiteto e ele disse:
    Ele: – Creio que lá nos EUA o primeira informação dos painéis é o número do voo.
    Eu: – E quem disse que só americanos voam nos EUA? Não vejo muito sentido dar mais destaque ao meu nome que ao destino do bilhete e tranformar meu destino em siglas. :-)

  9. Pingback: Redesenhando a interface do elevador | Arquitetura de Informação

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