Um pouco de atraso não faz mal a ninguém

Este excelente post traz dois casos interessantes onde os desenvolvedores adicionaram um atraso proposital a determinado sistema para melhorar a percepção que as pessoas tinham sobre ele.

O primeiro caso é o das máquinas Coinstar.

“Coinstar é um ótimo exemplo. A máquina é capaz de calcular o troco quase instantaneamente. No entanto, durante os testes a empresa percebeu que os consumidores não confiavam muito na máquina. Eles achavam impossível que uma máquina contasse as moedas com tanta precisão em uma velocidade tão rápida. Preocupada com a desconfiança das pessoas, a empresa começou a repensar a experiência do usuário. A solução foi simples: a máquina continuava contando o troco na mesma velocidade, mas mostrava os resultados em um ritmo muito mais lento. Na verdade, o som do troco percorrendo o interior da máquina era apenas uma gravação tocada através de uma caixa de som. Alterar a experiência do usuário para atender às expectativas ajudou a aumentar a confiança dos consumidores no esforço necessário para cumprir a tarefa.” (daqui)

O segundo é sobre o Blogger.

“Participei de um workshop de redesign do Blogger em 2004, quando Jeff Veen da Adaptive Path e Douglas Bowman do stopdesign.com falaram sobre suas experiências redesenhando o Blogger. Uma das coisas que eles perceberam em testes com usuários foi que quando eles clicavam em “Criar meu blog” na última etapa do processo, eles ficavam confusos com a rapidez com que o blog era criado. ‘É só isso? Deu alguma coisa errada?’ – perguntavam. Então eles adicionaram um passo intermediário que dizia ‘Criando seu blog…’, que não fazia nada a não ser mostrar um gif animado e esperar alguns segundos antes de direcionar o usuário para a página ‘Viva, seu blog foi criado!’. Os usuários ficaram muito mais satisfeitos com a experiência que demorava mais.” (daqui)

Segundo o autor do post, “ter que adicionar atrasos à interface é completamente equivocado”. Isso porque, segundo ele, o sistema está se adaptando a um modelo mental incorreto que os usuários têm, e nada está sendo feito para mudar isso. Para ele, a honestidade deve sempre vencer a desonestidade – tanto que o Blogger já retirou do ar esse atraso na hora de criar um blog.

E você, o que acha? Vale a pena adicionar um atraso intencional em uma interface para valorizar o sistema? Vale uma pequena “mentira” para aumentar a sensação de confiança que os usuários têm no seu produto? Comente e compartilhe :)

Sobre Fabricio Teixeira

Fabricio é arquiteto de informação, mas acha que isso tem cura. Vive organizando coisas, nas horas vagas e nas horas pagas. Siga-o em twitter.com/fabriciot
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10 respostas para Um pouco de atraso não faz mal a ninguém

  1. Diego Homem disse:

    Acho válido o atraso para uma maior aceitação dos usuários como também acho correto a ponto de visto de manter a honestidade do sistema. Como se junta ambos? Quebrando em etapas.

    No caso da máquina de moedas isso é necessário pq é um serviço a que as pessoas não estão acostumadas a ser realizado por uma máquina, havendo uma desconfiança. Portanto implementando algo que as faça reconhecer e aceitar o serviço de forma mais rápida é válido.

    Porém após determinado período, podería-se remover o atraso proposital, pois as pessoas que já estavam acostumadas com o serviço poderão reconhecer isso como uma melhoria do serviço e não “impossível que uma máquina contasse tão rápido”

    Claro que tudo isso é teoria, mas acho possível de ser realizada.

  2. Marcos Souza disse:

    Acho válido e concordo com o Diego.
    Acredito que o segredo está em quebrar as etapas, trabalhando a transição do costume para o novo e honesto!

  3. Eliane disse:

    É mais ou menos como quando temos um select de estados e cidades e íamos carregar a cidade conforme o estado (ou qqr coisa do tipo) e a ausência de um gif de loading antes de mostrar as cidades dá a sensação de que nada na página foi alterado.

    Esse tipo de usabilidade faz toda a diferença para o usuário que tem a idéia de que a internet é lenta, o sistema é lento e de que as coisas levam tempo para acontecer… (às vezes é mesmo, mas o indicativo de que está carregando e que foi carregado faz uma baita diferença)

  4. Maicon Pinto disse:

    Eu acho que essa sensação que as pessoas tem de precisarem ver algo acontecendo, faz parte da cultura atual, mas tenho a impressão que está mudando.

    E a etapa que foi dito aqui nos comentários, está acontecendo hoje, e talvez num mundo não tão distante assim não vai existir essa “desconfiança”.

    • Claudinei Santos disse:

      O que o Maicon disse já está acontecendo em alguns lugares. As pessoas estão acompanhando a velocidade da tecnologia, mas na grande maioria dos casos atuais, é necessário um delay, para que o costume seja assimilado.

  5. Robson Moulin disse:

    Acho valido sim! se for para que o usuário tenha uma experiência sem medo vale qualquer truque para proporcionar confiança.

  6. Patricia Gil disse:

    Acredito que incluir o atraso intencional é válido, mas não torna disto uma regra, depende muito de quem é o seu público-alvo, que tipo de serviço está sendo oferecido.
    Essa realidade está em transição, vivemos em um mundo que não tem mais paciência e tempo pra esperar para que algo aconteça… tudo tem que ser muito rápido, ágil, ação e reação instantânea. O caso das máquinas, talvez tenha gerado desconfiança por ser algo novo, um exemplo prático disto, são os terminais de banco, quanto mais demora para realizar e finalizar uma ação mais o usuário fica irritado.

  7. Luan Boré disse:

    Acho válido, mas como nossa amiga Patrícia comentou, nada de virar regra, alias tentamos trabalhar com padrões, mas nem sempre isso é feito, pois precisamos pensar “fora da caixa”.

    Um caso interessante que podemos comentar são os loadings de sites mais pesados. Muitas vezes é necessário um delay mesmo após ter concluído o carregamento, até mesmo para o usuário digerir a informação do loading. Muito usado em grandes sites em flash, quando já é introduzido a história de toda aquela experiência já no loading.

  8. Pingback: 5 sons inventados para melhorar a experiência do usuário | Arquitetura de Informação

  9. Larissa disse:

    Acho essas mentiras desnecessárias. A pessoa vai se impressionar no começo, verificar que tá certo e se acostumar a nova tecnologia. Em arquitetura (a tradicional, de espaços, edificações e tals) também se discute muito sobre a honestidade do projeto. Houve tempo que não se reproduziam elementos da arquitetura clássica, sem função além da estética, para que as pessoas não estranhassem o novo.

    Quando a invenção tem uma função prática, como o cheiro do gás, ou o ruído de um carro, a história é outra e aí eu concordo.

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