O tempo que se perde perdendo tempo

Esse é o nome de uma nova série de vídeos que a revista Superinteressante lançou esses dias em seu canal no YouTube. Nos vídeos, um cronômetro mostra quanto tempo perdemos em pequenas tarefas rotineiras que, somadas, acabam tomando um tempo considerável do nosso dia. Interessante que muitos dos exemplos têm ligação direta com a usabilidade do objeto, interface ou sistema que foi desenhado.

Ainda hoje li um artigo do Marco Gomes no Webinsider que questionava o quanto a evolução dos gadgets os transformou em objetos complicados e muitas vezes prolixos. O artigo cita exemplos de gadgets que, ao adquirirem novas funcionalidades, foram ganhando também novos botões, atalhos e funcionalidades que acabaram deixando de lado a simplicidade de uso que possuíam em sua essência.

Segundo Marco Gomes: "Quem treme um pouco ou não enxerga bem não pode usar este aparelho."

Um dos exemplos do artigo é o dos telefones. “Havia um disco, você tirava o fone do gancho, girava o disco na sequência de discagem, a ligação acontecia. Hoje precisamos desbloquear o aparelho e abrir a aplicação ‘telefone’. Muitas vezes nos digladiamos com um touch-screen que nem sempre se comporta como esperamos. Além disso, é preciso ter muito cuidado para não interromper a ligação ao esbarrar em microbotõezinhos escondidos em todos os lados.”

O caixa eletrônico do meu banco, por exemplo, sempre pede que eu insira e retire o cartão para iniciar. Só depois disso é que a máquina percebe que meu cartão possui chip e pede que eu o insira novamente e mantenha na leitora para continuar. Oi?

Quanto tempo estamos fazendo nossos usuários perderem? Será que estamos observando corretamente o contexto de uso de nossas aplicações?

Ou ainda, como questiona Marco Gomes em seu artigo: “Estamos ficando mais estúpidos pra projetar as interfaces do dia-a-dia?”

Sobre Fabricio Teixeira

Fabricio é arquiteto de informação, mas acha que isso tem cura. Vive organizando coisas, nas horas vagas e nas horas pagas. Siga-o em twitter.com/fabriciot
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8 respostas para O tempo que se perde perdendo tempo

  1. Chris disse:

    O pior é que, ao usar essas interfaces problemáticas, o usuário fica se sentindo um pouco mais estúpido também: pela perda de tempo, pela repetição e por, na maior parte das vezes, pagar para ter o benefício.

    Adoro o blog de vocês, estou sempre por aqui.

    Abraços!

  2. Marco Gomes disse:

    Obrigado pela citação :)

    Só uma correção, você escreveu: “Muitas vezes nos degladiamos com um touch-screen que nem sempre se comporta como esperamos.”

    Conforme escrevi no meu texto original, o correto é DIGLADIAMOS. Como é uma citação de palavras minhas, gostaria que ficasse como no original. Pode corrigir isso por favor?

    Obrigado :)

  3. Willy Wonka disse:

    É um mala mesmo…

  4. Hahaha tem razão, Marco. Já corrigi lá!

  5. Salomão disse:

    Sobre os caixas eletrônicos, faça um teste com o do seu banco: coloque seu cartão com chip e aguarde. Sei que alguns bancos já implementaram essa verificação e não é necessário colocar e tirar o cartão mais de uma vez.

  6. Edmon disse:

    Fabrício,

    Com relação ao ATM do seu banco e seu cartão com chip, eu – que trabalho na área de TI de um banco – já me fiz essa mesma pergunta, mas a resposta foi simples:

    (1) As pessoas estão acostumadas e inserir e retirar o cartão para as transações. É um gesto quase que automático. A grande maioria mal lê as instruções da tela.

    (2) Para a máquina conseguir ler as informações do chip, é necessário travar o cartão para evitar que o cliente tire o plástico no meio da leitura e danifique o chip.

    Então, o que aconteceria se travássemos o cartão logo de cara e o cliente tentasse inseri-lo e retirá-lo, como de costume? Chips, cartões, leitoras quebrados e prejuízo para o banco, clientes…

    Além disso, leitoras mais antigas realmente não conseguem “ler” o chip na primeira passada do cartão.

    Um grande abraço!

  7. ¬¬' disse:

    Affffff vcs jah viram o tempo q as pessoas perdem no transito ou no transporte publico??

    Isso ai num eh nada..

    • Marcos disse:

      Acho que não pegou exatamente a idéia.

      O assunto é o tempo que perdemos com algo simples, algo que poderia ser mais fácil ainda.

      Por exemplo, aqueles sachês de ketchup, mostarda ou maionese. Tem uns que dificultam sua abertura, é perdido um tempo gigantesco tentando abrir, quando poderia ser mais prático e rápido.

      Trânsito ou transporte público é um problema não muito simples, de grandes proporções e algumas vezes resultado de quem usa.

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