Dois infográficos de fontes diferentes chamaram minha atenção essa semana. Apesar do formato similar dos dois gráficos, eles trazem óticas bastante distintas sobre a mudança de comportamento do novo consumidor digital.
O primeiro deles, publicado pela Wired, mostra como o consumidor está lidando com a nova “dieta de consumo de mídia” dentro das 24 horas de seu dia. Segundo o artigo, tão importante quanto manter uma alimentação balanceada ao longo do dia, é manter um consumo saudável de mídia, mesclando quantidade e qualidade de informações e percorrendo diferentes telas. O excesso de informação aqui é controlado, diversificado, producente.
O segundo gráfico, publicado no Information is Beautiful, hierarquiza em diferentes níveis as distrações digitais às quais estamos sujeitos ao longo do dia, e mostra como o acúmulo de alertas acaba nos distanciando das tarefas que realmente precisamos executar.
Ao mesmo tempo em que o excesso do consumo de mídia permite aos AIs explorarem novas plataformas, novas interfaces e novas situações de consumo, também exige que tudo seja projetado com cautela redobrada. A quantidade de distrações é perturbadora. Foi-se o tempo onde o usuário navegava em seu site sujeito a ruídos apenas externos ao digital. O ruído agora está na própria máquina e vem do próprio usuário. Navegação multi-abas, plugins nos navegadores, alertas de aplicativos e notificações de redes sociais – além dos gadgets que ficam sempre à mesa, vibrando e apitando freneticamente ao longo do dia. Quantas vezes você já não se pegou com o browser aberto tentando lembrar o que iria fazer?


A velha máxima já diz tudo: “Tudo em excesso faz mal”.
Essa questão do excesso de informação vai muito além da organização a informação. Está no fato de saber consumir a informação, como é mostrado no primeiro gráfico. Sabendo gerenciar seu próprio tempo de acordo com suas prioridades pode parecer clichê, mas é importante para não se cair em um ciclo vicioso e neurótico de consumo de informação.
Como já diz o ditado, tudo em excesso é ruim.. Hoje, o consumo de mídia já nos tomam tempo o bastante pra deixar uma tarefa importante para amanhã (‘empurrando com barriga’), justamente pelo excesso de tarefas exercidas por nós usuário. Por outro lado isso reforça a importância da ‘arquitetura da informação’ em projetos onde se preza pela facilidade e navagabilidade dos usuários, pois cada vez mais há a necessidade da simplificação. Talvez neste sentido haja algum ponto positivo a se pensar, como por exemplo o nível de qualidade destes projetos. Muito bom os infogramas!! Vlws! =D
No início deste ano, índices de uma nova gripe causada pelo vírus H1N1, posteriormente chamada de Influenza A/H1N1, foram detectados no México, logo após nos EUA, Argentina; e a previsão era para que o Brasil ficasse ileso diante a doença, iniciando-se através do governo medidas preventivas para a não disseminação do vírus no país. Depois de poucos dias, pode-se ver que isso seria impossível, a doença já começara espalhar-se por nosso território.
Junto ao vírus, espalham-se as chamadas informações de massas, que muitas vezes acabaram confundindo a população, como por exemplo, como o próprio nome de gripe suína, que fez pessoas deixarem de consumir carne de porco acreditando que estariam vulneráveis a doença. E mesmo assim, não mudaram o nome que usavam ao referirem-se à nova doença. Dados de infectados são divulgados em televisão, jornais e revistas. Dia 11 de junho com 30 mil casos confirmados em 74 países, a OMS eleva o alerta para nível 6 e pede para que o mundo se prepare para enfrentar dois anos de propagação do vírus.
Os hospitais começam a superlotarem-se e a insegurança das pessoas de estar com o vírus aumenta, quando nem menos apresentam mais de um sintoma da doença. Dados incorretos e incompletos começam a ser divulgados, profilaxias insignificantes são divulgadas pela mídia à população, como o uso de mascaras – que só são eficazes nas pessoas contaminadas. A gripe rouba frente às capas de jornais, revistas e televisão.
Diante da dificuldade para produção da vacina, alertou-se que se a produção desta não fosse feita em curto prazo, estaríamos diante uma gripe como a espanhola, que infectou 40% da população mundial em 2 anos, matando 40 à 50 milhões de pessoas. Mas isso seria impossível, uma vez que o número de mortos não crescia proporcionalmente ao número de infectados (como na gripe espanhola), até junho de 29.633 pessoas que pegaram o vírus, apenas 143 morreram, aproximadamente 0,5%.
Dados como os anteriores a mídia não divulga. Ao invés desta servir de ferramenta para assistência à sociedade, serve como um meio de gerar ainda mais transtornos, uma vez que espetacularizava os casos de morte da doença (muitas vezes pessoas que eram apenas suspeitas da gripe) e alarmava a sociedade diante à primeira pandemia do século XXI.
As pessoas passaram a ter medo de sair de suas casas, eliminaram boa parte de sua rotina por conta da exposição e contato com outras pessoas. Não se ouvia falar de mais nada.
Não seria a mídia o maior vírus dessa história? Esta que tem o papel de informar a população, com tantas “informações de massa” acabou desinformando-a.
É possível notar então, que a mídia não é mais hoje, resolução e esclarecimento das dúvidas da sociedade, ao contrário do que ocorria no passado, em que a ausência desta podia acarretar em danos maiores, como por exemplo, a Revolta da Vacina, onde as pessoas (especificamente a classe baixa) eram obrigadas a vacinarem-se contra a varíola. E à medida que era para ser benéfica, acabou gerando conflitos entre a sociedade e o governo, devido a forma totalitária e violenta com que foi aplicada. Neste caso, ao contrário do que ocorreu no que se diz respeito à gripe suína, a falta de informação à sociedade foi o que levou as revoltas, pois, a sociedade pobre não sabia o que era e para que servia a vacina, encarando as medidas como opressões do governo.
Analisa-se tais atitudes, muitas vezes irresponsáveis e precipitadas, podendo acarretarem em danos maiores que a própria doença, como aconteceu depois de um soldado de uma tropa de Nova Jersey (EUA) morrer infectado por um novo vírus de gripe. Temendo ser uma nova gripe espanhola, o governo promoveu a vacinação de 40 milhões de pessoas. Efeitos colaterais mataram 25, enquanto a gripe matou apenas um soldado.
Desde 1970, a OMS detecta uma doença por ano, entre 2002 e 2005 foram detectados 1.100 epidemias. Em um ano 15% da população fica gripada e dessas morrem cerca de 500 mil. Evidentemente, que dados como esses não são interessantes para a mídia, pois, as pessoas já estão familiarizadas com tais. Mas um novo caso, um novo vírus e um novo problema, são motivos suficientes para nos tornarmos vítimas de tanta manipulação. Estes que são relevantes quando o ibope está em jogo, e a grande manipuladora acaba desenvolvendo medidas para conquistas seus interesses, que muitas vezes vão além do respeito à sociedade: dados irresponsáveis que muitas vezes são incorretos ou sofreram alterações.
Portanto, através dos fatos apresentados, é necessário que a sociedade aprenda analisar melhor os fatos, antes de apavora-se. A mídia é sim, uma forte manipuladora de pessoas, na medida em que ajuda, atrapalha também, pois, seus interesses estão visados primeiramente no ibope e não primordialmente ao bem da sociedade. Dados são divulgados constantemente sem a mínima responsabilidade de suas conseqüências, estamos vulneráveis a interpretações erradas devido a tantas informações. É importante não esquecer o velho ditado: “Tudo em excesso é ruim.”
Demais o blog, pena ser tao pouco atualizado ….
“Quantas vezes você já não se pegou com o browser aberto tentando lembrar o que iria fazer?”
Isso estava ocorrendo comigo com TwitterFox o plugin para o Twitter no Firefox, esta vendo toda hora e me deixava muito distraído. Agora eu deixo ele off.
Parabéns pelo blog! Muito interessante!
hoje tem um nome para isso – Infobesidade – eu acho que sou infobeso
A atenção é tão dividida entre ambientes, ferramentas e funcionalidades que corremos o risco de nos manter num nível suferficial de concentração enquanto alternamos entre tarefas com objetivos diferentes. Não por acaso desenvolvemos um déficit de atenção tecnológico-contemporâneo.
Interessante, eu mesmo sou exemplo disso. Estou aqui virando a noite fazendo minha monografia e lendo artigos de assuntos totalmente diversos (a exemplo deste site)
Podemos aferir muito dessas reflexões. Podem existir fatores que de alguma forma nos prejudicam (superficialidade de assuntos importantes do cotidiano, etc). Um aporte de informação cada vez mais elevado.
Todavia, nesse momento posso dizer que de alguma maneira essa enxurada de informação nos leva a romper alguns limites do humano. Indo além, seguindo a linha de raciocínio de alguns psicanalistas. Tudo me leva a crer que somos seres póshumanos!
Parabéns pelo post.
Edluise Costa
http://www.ecadti.com.br
Tudo é uma questão de organização.
As pessoas que são afixionadas por tecnologia e só pensam em consumir, provavelmente se verão vítimas dessa nova onda de informação.
Tive problemas do gênero já, quando estava em alguma “hype” procurava inúmeros blogs a respeito do assunto e ia acumulando, sem filtro algum.
Passado esse tempo, comecei a filtrar, tive que me educar a saber que tipo de informação é mais interessante ou não de acordo com meu perfil.
Dos mais de 30 blog’s que assino, hoje só vejo com freqüência 5 e olhe lá. Por quê também o twitter supri com o que eu acho necessário de informações para mim.
Acredito que com o passar do tempo e a disciplina de cada um, as coisas voltam a se organizar e conseguimos filtrar o que é e não é pertinente. Mas, vai de cada um também quem gosta vai estar sempre nessa onda, então não adianta querer muda.
É engraçado nos ver “engordando” com tantas informações, criamos um bolo de pessoas com um mar de conhecimentos em mente, porém um mar raso.
Trabalhando com criação para a internet, é impressionante como todos são PhD’s em design e arquitetura, dando os pitacos mais bizarros que alguém pode pensar.
Acredito que o acesso fácil que temos hoje crie este tipo de problema em todos os ramos, temos um problema enorme em filtrar tantas informações.