O botão de 300 milhões de dólares

Um simples ajuste em um botão fez com que uma loja virtual aumentasse as vendas em 45%, gerando um faturamento adicional de U$S 300 milhões no primeiro ano. Quem conta a história é Jared Spool, da User Interface Engineering (UIE).

O formulário não poderia ser mais simples: dois campos (e-mail e senha), dois botões (login e cadastro) e um link (esqueci a senha). Em testes de usabilidade a equipe de Jared descobriu que o problema não estava no layout do formulário nem no próprio formulário em si, mas sim no que o cadastro representava para os consumidores:

  • Os novos clientes da loja viam a obrigatoriedade do registro como uma forma de aumentar a base de e-mail marketing da empresa
  • Entre os entrevistados que já haviam realizado compras na loja, pouquíssimos se recordavam do e-mail e senha de acesso (verificou-se na base de dados que 45% dos consumidores possuíam mais de um cadastro na loja)

Para solucionar o problema o botão “cadastro” foi substituído pelo “continuar”. E o registro no site passou a ser opcional, recomendado apenas para que as futuras compras fossem realizadas de forma mais ágil.

Recentemente fiz compras em sites norte-americanos e achei curioso como muitos deles dispensam o cadastro, o que ainda não acontece no Brasil – talvez tenhamos aqui uma dica valiosa para nossas lojas virtuais.

Sobre Silvia Melo

Quando criança eu sonhava em ser escritora, mas acabei virando jornalista e quando fui dar conta do que realmente era o meu trabalho, descobri que estava fazendo arquitetura de informação. No final das contas vi que tudo era muito parecido. Contar uma boa narrativa com início, meio e fim (ou ainda em ordem inversa) é o desafio de quem se comunica com o ser humano, seja através de um livro, de um website ou até mesmo de um aparelho celular. Aqui no Arquitetura de Informação divido algumas histórias do meu dia-a-dia na AgênciaClick de São Paulo, onde tenho a oportunidade de criar experiências interativas para clientes como Citibank, Fiat e Brastemp (só para citar alguns).
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10 respostas para O botão de 300 milhões de dólares

  1. Isso mostra como é importante efetuar uma boa pesquisa antes de resolver problemas de comunicação na interface.

    O Submarino teve um problema semelhante, no qual foi feita uma pesquisa e identificaram que o site estava perdendo vendas porque o botão “continuar comprando”, utilizado hoje, estava com o nome “voltar a loja”.

    A Sílvia sempre com posts relevantes. Obrigado pelo material.

  2. Pingback: O botão de 300 milhões de dólares : arquitetura

  3. Pingback: A evolução dos botões da Amazon « Arquitetura de Informação

  4. É incrível como alguns empresários e outras pessoas que trabalham com Internet vem dizer que simplicidade é moda, mas simplicidade o que muitas vezes se transforma em facilidades e por sua vez em resultados positivos como este da troca de postura em relação à clientes prova que não é um modismo e sim uma realidade do mercado.
    Agora é torcer para que mais empresas entendam o que acontece e apliquem isso da melhor forma.

    Parabéns pelo artigo o site de AI tá cada vez melhor.

  5. Bruno Soares disse:

    Belo post Silvia!

    A questão do cadastro dos e-commerces no Brasil, pode ser relacionado a alguma tentativa de fraude ou algo semelhante, que pode de fato acontecer em qualquer lugar, porém sabemos que em nosso pais o número é elevado.

  6. Silvia Melo disse:

    Pode ser Bruno. Acho que tem também o nível de maturidade de nossos usuários – como o cadastro é padrão de toda loja, pode rolar uma certa insegurança comprar em uma que não tem.

  7. Lia disse:

    espero lembrar disso para o próximo e-commerce que eu fizer.

  8. Dimas disse:

    Tudo que exige cadastro, coleta de dados, enfim, TEMPO afugenta o consumidor, que só quer fazer uma compra, pagar e receber o produto. Dada a confiabilidade desse contrato social simples – você só me dá a mercadoria quando receber o dinheiro – essas geringonças de fidelização soam como mera traquitana para infernizar o e-mail com spams. Deixar como opção para fidelização (que pode até virar desconto) é um trunfo. Obrigar o consumidor a fazer isso é um tiro no pé.

  9. Daniel disse:

    Bruno e Silvia… concordo com vocês… Mas a questão da confiança no cliente aqui no Brasil é bem complicada. E tem também a questão de dados essenciais para a operação, como por exemplo o nome e o endereço do cliente. Sem isso, não há entrega física de nada… e sem o e-mail, não há entrega digital de nada. Somando isso ao CPF, já dá o cadastro básico de qualquer empresa de e-com.

    Lá fora pode dar muito certo, mas aqui acho dificílimo a moda da não obrigatoriedade do cadastro pegar. Ainda assim, por U$ 300 milhões vale muito a pena tentar ;)

    Silvia, parabéns pela dica.

  10. Pingback: Guilherme Veras » Blog Archive » O botão de 300 milhões de dólares | Arquitetura de Informação

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