Combate a preguiça mental

As latas coloridas da coleta seletiva, ainda que timidamente, estão chegando às ruas, ao comércio e ao local de trabalho. Agora pense rápido: no lixo de qual cor você joga a latinha de refri? Duvido que tenhas respondido imediatamente “amarelo”. Pelo menos lá em casa, onde a coleta segue o padrão internacional de cores há alguns anos, a confusão é constante – tanto para visitantes quanto para os próprios moradores! Toda semana acabo sendo penalizada com a tarefa de reorganizar o lixo (e protagonizar um novo monólogo sobre o tema).

Mas nas praças de alimentação dos shoppings que incorporaram o sistema também tenho visto os mesmos erros – latas arremessadas no lixo orgânico e vice-versa. Nos momentos de pico, inclusive, é possível notar até um pequeno “congestionamento” nas proximidades das lixeiras. Ou pior: bandejas abandonadas pela desistência de colocar os resíduos nos recipientes corretos.

Estes dois pequenos exemplos me levam a questionar a eficácia da sinalização por cores. O que gera essa confusão, já que muitas vezes os cestos vêm acompanhados por um label? Acho que a coleta seletiva tem um desafio que vai além de uma boa categorização e sinalização – ela precisa vencer a preguiça mental das pessoas, já que as injeções de consciência ambiental não têm sido muito eficientes.

Lembrei de um dos conceitos levantados por Donald Norman em O Design do Dia-a-Dia: a força coerciva. É aquela restrição física do design que obriga o usuário a cumprir uma atividade para que ele possa seguir adiante. Um bom exemplo citado por Norman são os cartões de memória que, apesar das diversas possibilidades de encaixe, só podem ser inseridos de uma única forma nos aparelhos que fazem uso dele. Nas palavras de Norman:

A maneira mais segura de tornar uma coisa fácil de usar, com poucos erros, é tornar impossível fazê-la de outro modo – limitar as escolhas.

E aí designers, alguma sugestão para melhorar esse “lixo” da coleta seletiva? Um modelo interessante que tenho visto em algumas empresas, embora restrito a um único tipo de detrito, é aquela cestinha exclusiva para copos plásticos, que vai empilhando-os uns nos outros. Já é um caminho. Mas para um mundo que produz mais de 600 milhões de toneladas de lixo por ano vamos precisar de uma cesta bem maior.

Categorias: Arquitetura de informação, Design, Usabilidade | Tags: , , , | 3 Comentários

Sobre Silvia Melo

Quando criança eu sonhava em ser escritora, mas acabei virando jornalista e quando fui dar conta do que realmente era o meu trabalho, descobri que estava fazendo arquitetura de informação. No final das contas vi que tudo era muito parecido. Contar uma boa narrativa com início, meio e fim (ou ainda em ordem inversa) é o desafio de quem se comunica com o ser humano, seja através de um livro, de um website ou até mesmo de um aparelho celular. Aqui no Arquitetura de Informação divido algumas histórias do meu dia-a-dia na AgênciaClick de São Paulo, onde tenho a oportunidade de criar experiências interativas para clientes como Citibank, Fiat e Brastemp (só para citar alguns).

3 thoughts on “Combate a preguiça mental

  1. Parabéns,

    Sou multiplicador de um grupo de estudos e enfrento atal da preguiça mental. Juro que não sei como lidar com este povo.

    Aurélio

  2. como faço para combater a preguiça mental ?

  3. como faço para descobrir se sofro de preguiça mental ou nao? urgente!

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