Outro dia li um artigo no UX Matters com o título “Where’s My Stuff? Beyond the Nested Folder Metaphor“. O autor comenta sobre a dificuldade de recuperação de informações em seu próprio computador e culpa principalmente o modelo de pastas e documentos, que não daria mais conta da quantidade e diversidade de conteúdo que guardamos no HD. A solução estaria em repensar a forma como arquivamos conteúdo, e ele dá exemplos de formas tridimensionais e que retomam um pouco da metáfora da área de trabalho.
Bom, eu até acho que a analogia com o mundo “real” é bastante oportuna e ajudou a criar interfaces mais simples e intuitivas (no livro Designing Interactions, Bill Mogridge conta a história de como surgiu a idéia da “área de trabalho”). Mas talvez não acho que as soluções que ele sugere facilitariam a minha vida. Porque a forma como organizamos mentalmente as coisas não é necessariamente espacial; ao lembrar de uma coisa que queremos encontrar, podemos lembrar do último contexto de uso, se já foi utilizada de certa forma ou não, ou de parte do conteúdo. E dá para perceber um pouco disso pode ser percebido nas estratégias “caseiras” que criamos no dia-a-dia.
O moço designer que senta ao meu lado, por exemplo, gosta de ter muitos arquivos sempre à mão, e deixa o desktop entupido de ícones. Quando a situação fica alarmante, ele pega todos eles e joga em uma pasta no próprio desktop. E disse que costuma acumular várias pastas desse tipo: “Desktop 1″, “Desktop 2″…
Eu falei que era muito desapego e que ele precisava aprender a jogar um pouco de coisa fora (ou então me deixar organizar aquela bagunça toda), mas para ele a coisa funciona assim. Acho que seria bem bacana se, quando ele abrisse um determinado programa, o sistema fosse inteligente o suficiente para oferecer uma bandejinha com os arquivos que ele sempre usa com esse programa ou os que usou da última vez.
Já meu namorado tem uma grande quantidade de filmes no computador (nada pirata, juro). Os arquivos de cada filme ficam em pastas cujo nome começa com o ano, depois nome do diretor e depois o nome do filme. Para facilitar as escolhas de fim de semana, ele cria pastas “já vi”, “não vi”, “elisa já viu”, “elisa ainda viu” e por fim “elisa já viu mas veria de novo”. Eu adoraria criar um sistema de classificação multifacetada para facilitar a vida dele, só não sei se ele abriria mão da metodologia que já desenvolveu (afinal, funciona). De qualquer forma, meu ego de arquiteta gosta muito de me ver transformada em critério de organização de conteúdo. ![]()
Oi Elisa!
Então, tenho muitas dúvidas quanto a aumentar as metáforas físicas, sabe? Às vezes é lindo, tipo colocar o celular em cima do Surface e ele baixar as fotos por bluetooth. Mas às vezes o oposto é que faz falta. Perdi a conta de quantas vezes me vi pensando: “onde dou Ctrl+F em ‘carregador do meu celular’?”.
Acho que a melhor metáfora é a da nossa forma de pensar mesmo, sabe? Até porque muitas vezes o desktop físico não é tão lógico: em qual gaveta guardamos tal coisa? Onde foi que eu joguei o pen drive quando tava com pressa?
Por outro lado, eu costumo buscar no Gmail na busca avançada coisas como mensagens de determinada pessoa e com anexo - já que nem sempre lembro os termos exatos do texto da mensagem.
Aí fiquei pensando no sistema de navegação que você disse que gostaria de criar para o namorado. Fui pegar um guaraná e fiquei viajando: imagine uma busca bem avançada e conectada. No caso dos filmes, você poderia filtrar por tags (Elisa já viu, Elisa não viu), e também poderia adicionar seus comentários e o programa poderia capturar os comentários das outras pessoas sobre o filme. Então se de repente você esquecesse o nome, poderia buscar “Aquele filme que Elisa quer ver de novo e tem algo sobre ‘always have Paris’”. Então juntando classificação prévia e comentários da comunidade, ele acharia Casablana :D.
Nossa, lembrei de uma frase que o Rapha falou ontem: “as pessoas não precisam mais memorizar onde está a informação, porque a informação se tornou facilmente buscável.”
Sou a favor de tagueamento também para os arquivos de um disco rígido. No exemplo, bastaria eu clicar em “filmes” + “elisa não viu” + “suspense”, independente da pasta onde eu estivesse.
Mas enquanto os sistemas operacionais não oferecem isso, cada um vai criando sua própria metodologia.
Galera botando a cabeça para funcionar.
Mas quem sabe a Microsoft começa a enxergar a “tal da folksonomia” e começa implantar no Windows.
Realmente seria interessante fazer buscas deste tipo e com certeza a filtragem seria mais fácil e mais útil.
Mas o melhor comentário foi “Já meu namorado tem uma grande quantidade de filmes no computador (nada pirata, juro). ”
Brincadeira, ótimo post
Fabrício, Elisa e Sílvia
Ao contrário do que alguns pensam, o Windows Vista vem com a possibilidade de colocar Tags em qualquer tipo de arquivo.
“Mas eu não tenho Windows Vista”, não tem problema, usa esse software free: http://www.tag2find.com/ que também funciona, além de ser bem simples de utilizar.
Aqui utilizamos um software para banco de imagens que dá a possibilidade de tags, Adobre Bridge, que por sinal , é ótimo.
Neste post no fórum do flickr passa algumas boas práticas de como criar tags para imagens e vídeos: http://www.flickr.com/groups/central/discuss/2026/
[]’s e viva a Folksonomia.
Hélio
Emmo, eu acho que é bem isso mesmo! Aliás, incrementei o post de última hora com uma idéia que você colocou na lista de AI (ontem, acho).
Aos poucos a gente vai se desprendendo das metáforas com o mundo “físico” (como diria uma menina que a gente conhece), né? E isso me lembrou de um papo que tive aqui outro dia -e que já é uma piada bem conhecida, acho- de que seria lindo trazer alguns recursos do mundo virtual para minha casa, como uma busca para encontrar a trena perdida ou ctrl+z quando coloco sal demais na batata.
Aliás, percebi que hoje, quando preciso escrever coisas no papel, eu já escrevo como se estivesse no word: não me preocupo tanto com a formatação e a ordem das coisas, como se pudesse arrumar tudo depois. O resultado é que acabo rabiscando um monte de coisas e colocando várias setinhas para inserir observações no meio. Daí no fim fica tão feio e difícil de entender que acabo passando a limpo (o que soa como algo da minha terceira série, quando eu comprava papel almaço pra fazer trabalho de escola).
Fabrício, acho que as pessoas não precisam mais se lembrar desde que seja fácil de achar, certo? Porque como ainda não é, ainda dá um trabalho danado. Mas se o sistema for muito bom a gente pode até ficar mal acostumado, se dando ao luxo de não gastar espaço da cabeça pra lembrar de onde estão as coisas porque a informação tá no mundo, não na gente (como diria o norman).
Aliás, achei engraçado o “sou a favor”. É tipo “Eu apoio?” Será alguém seria contra um sistema de tagueamento?
ps. Acho que vou deletar esse comentário e transformar em post para aumentar minha produtividade aqui no blog, que anda baixa.
Acho que as pessoas não precisam ficar procurando algo quando sabe extamente onde está, pois já usou várias vezes para formar esse caminho na mente.
E essa memorização é muito mais fácil quando a informação está muito bem organizada e classificada dentro do ambiente. Seria a mesma coisa de guardar lugares que você foi a algum tempo.
Gente, eu uso o Vista em casa e nunca vi tags para coisa alguma. Ou eu sou lerda ou o Vista não tá me mostrando isso direito. E como o usuário tem sempre razão, acho que é culpa do Vista.
Oii Elisa, eu também confesso que fiquei surpreso quando descobri que existia, foi dica do Rodrigues Comandolli da lista de AI.
Acho que esses links podem te ajudar:
http://windowshelp.microsoft.com/Windows/en-US/help/0acda837-dacc-4a88-bb01-43dc816ad3821033.mspx
http://www.technospot.net/blogs/tag-your-files-with-windows-vista/
http://windows.about.com/od/dealingwithfiles/ss/add_tag.htm
[]’s
Hélio
Elisa, seus problemas se acabaram. Olha só este software, o Enso. Ele permite o taggeamento de arquivos do seu computador - não é nada relacionado com o Windows Vista.