Má usabilidade faz 2 mortos na capital da Turquia

Desculpem, mas não resisti ao sensacionalismo da notícia. Um erro de digitação causado por um problema no teclado do celular causou a morte de um casal em Ancara, na Turquia. Vejam o post do Ivo Gomes (no português de Portugal):

Um simples problema de usabilidade no teclado de um telemóvel teve consequências muito graves. Na Turquia, os teclados dos telemóveis (ou pelo menos o do telemóvel em questão – não foi divulgada a marca) não têm todas as letras do alfabeto turco, nomeadamente o “i” turco (existe o “i” normal e um “i” sem ponto).

Ao não dispor do “i” turco no seu teclado, um homem escreveu uma mensagem SMS à sua namorada (enquanto tinham uma discussão) usando outra letra em substituição. Assim, em vez de escrever a palavra “sIkIsInca” (tradução: quando ficas sem argumentos), escreveu “sikisince” (tradução: quando te fod*m).

O resultado, um assassínio e um suicídio. A história completa está disponível no site noticioso espanhol “20 Minutos.es

O promissor casamento do e-commerce com a social media

Pesquisa realizada em março deste ano pela Guidance/Synovate com 1.000 consumidores mostrou que os recursos de social media são um importante diferencial para quem realiza compras online.

Mais de 60% dos entrevistados mencionaram as ferramentas web 2.0 como o provável motivo de seu retorno a uma determinada loja. Veja as principais respostas para a pergunta “O que te faz voltar a uma loja virtual?”:

  • Recomendações de produtos ou serviços (35%)
  • Uma “experiência única” a cada compra (26%)
  • Possibilidade de avaliar produtos ou serviços adquiridos (18%)
  • Boas-vindas (16%)
  • Os consumidores são tratados como membros de uma comunidade (6%)

Lindsay Wong, do Digital Design Blog, destacou três lojas que estão em plena lua-de-mel com a social media. Como você vai notar, nem cara de loja elas têm.

ThisNext

ShopStyle

StyleFeeder

Vejo que teremos que ter mais cuidado para não cair nas pegadinhas do consumo, cada vez mais divertidas e sofisticadas.

Busca x navegação

Ultimamente eu estava olhando para os menus de navegação com certo desgosto e preconceito. Minha impressão era a de que o Google e os sistemas inteligentes de busca como o da Apple deixaram todos eles obsoletos.

Mas ao me deparar com o gato-maracajá da O’Reilly (o livro “Designing Web Navigation” de James Kalbach) percebi que obsoletos são os sites que subutilizam este importante elemento de interação.

Kalbach não promove nenhuma guerra entre caixas de busca e menus, mas argumenta que o emprego de ambos deve estar totalmente relacionado com os objetivos e estratégias do negócio. Ou seja, não existe menu certo ou errado, mas sim o mais adequado a determinado tipo de site. Parece óbvio, mas em quase 400 páginas são mostrados exemplos de sites que passaram muito longe disso.

O autor cita um teste de usabilidade realizado por Jared M. Spool, da User Interface Engineering, com 30 usuários de e-commerce. O intuito era investigar o que acontecia com o consumidor após encontrar o que procurava. Os resultados mostram que a busca não é necessariamente a melhor aliada para este tipo de site:

  • dos usuários que iniciaram o processo de compra pela busca, apenas 20% continuaram a navegação atrás de algo mais
  • dos usuários que iniciaram a compra pelos menus de categorias, 62% permaneceram “circulando” pela loja
  • os usuários que começaram pelo menu também trafegaram 10 vezes mais a outras seções não previstas inicialmente

A busca da Apple

E se você ainda precisa de algumas razões para olhar com mais atenção para os menus, Kalbach dá várias delas:

  • navegar e buscar são ações totalmente diferentes
  • a navegação provê contexto e entendimento
  • o menu é um importante aliado da marca: ele comunica quais são as prioridades e valores da empresa através de categorias, ordenação e até mesmo tons de cores
  • o desenho de um menu de navegação é um esforço multidisciplinar, que deve considerar objetivos do negócio, as restrições tecnológicas e o conteúdo
  • a navegação revela a temática do site e como ela é relevante para uma necessidade específica

Busca ou navegação? As duas, com certeza. Independente do meio escolhido, o resultado deve ser o mesmo: o encontro da informação.

O que a gente faz?

Quando falo de arquitetura de informação muita gente associa a disciplina ao exclusivo processo de estruturação de homepages. Com a AgênciaClick, o lugar onde trabalho, acontece o mesmo – para alguns é uma empresa que faz apenas sites e banners. Mas muitas vezes a idéia – e até mesmo a necessidade do cliente – extrapolam esse formato. É o caso dessa campanha assinada por Rodrigo Venkli, um filme de 1’30 para a… (não vou falar o nome para não estragar a surpresa).

A morte da homepage

A homepage, aquele modelo de página tal qual conhecemos hoje, está morrendo. Pelo menos é o que indica o estudo da Avenue A | Razorfish, realizado com 475 consumidores norte-americanos em julho do ano passado. Alguns números foram apresentados pelo vice-presidente Garrick Schmitt no último IA Summit no painel “Do Real People Really Use Tag Clouds?: Research To Help Separate Web 2.0’s Hits From Hype”.

Os resultados da pesquisa deixam claro que a web 2.0, que tem a colaboratividade como principal característica, deixou de ser moda – é um sucesso mais do que consolidado, mas ao mesmo tempo um vasto campo a ser explorado. Entenda um pouco melhor o comportamento digital dos entrevistados:

  • 60% já customizaram páginas com RSS, agenda ou outro aplicativo
  • 70% lêem blogs
  • 40% escrevem em blogs
  • 44% consomem conteúdo via RSS
  • 35% já usaram tag clouds
  • 85% guiam sua navegação pelos mais populares ou mais enviados
  • 55% iniciam o processo de compra pela busca

Resumindo: a homepage não é mais o principal ponto de contato digital do consumidor com a marca. A Avenue A | Razorfish traduziu algumas tendências deste novo usuário em 5 recomendações básicas:

1. Torne o seu conteúdo portátil. Permita que os usuários levem-no para onde acharem melhor consumi-lo. RSS e widgets são um bom caminho para a portabilidade

2. Permita aos usuários avaliar e comentar o conteúdo. Isso dará mais credibilidade a ele

3. Invista em videos online. Eles são a próxima grande onda de crescimento no segmento. Descubra como ganhar dinheiro com eles para monetizar o investimento

4. Pense além da homepage – elas não têm mais um papel central na experiência online do consumidor. Pense em como explorar o seu conteúdo em ferramentas de busca, publicidade, blogs e social media

5. Aproxime-se do celular, mesmo que com pequenos passos, e fique de olho nos avanços da área. O iPhone da Apple é um ótimo alvo

A apresentação de Garrick Schmitt (abaixo) mostra algumas empresas que já entenderam este caminho. Eu, particularmente, vejo no novo site da BBC um ótimo exemplo dessa transformação. E por que não incluir também o azedinho Limão nessa lista?

Como as crianças vêem os laptops dos pais

Alguns desenhos das crianças do laptop club

Amy Tiemann, além de neurocientista, mãe e escritora, dá aulas em uma escola de ensino fundamental na Carolina do Norte. Foi nessa escola que Amy coletou estes e outros desenhos, feitos por crianças de 7 a 9 anos que têm contato direto com os laptops dos pais.

Kids are intensely social creatures and you can really see what is important to them by looking at their designs. I love all the keys dedicated to pets. Where my friends and I used to have imaginary horses, now these girls have imaginary pets with an online identity.

Achei interessante observar como as crianças simplificam ao extremo a relação entre o que elas vêem na tela e os botões que seus pais apertam no teclado. Ou a gente que complica demais. rs

Confira a entrevista completa e os outros desenhos.

 

Rap do design e da usabilidade

Your site design is the first thing people see
it should be reflective of you and the industry
easy to look at with a nice navigation
when you can’t find what you want it causes frustration
a clear Call to action to increase the temptation
use appealing graphics they create motivation
if you have animation
use with moderation
cause search engines can’t index the information
display the logos of all your associations
highlight your contact info that’s an obligation
create a clean design you can use some decoration
but to try to prevent any client hesitation
every page that they click should provide and explanation
should be easy to understand like having a conversation
when you design the style go ahead and use your imagination
but make sure you use correct color combinations
do some investigation, look at other organizations
but don’t duplicate or you might face a litigation
design done, congratulations but it’s time to start construction
follow these instructions when you move into production
your photoshop functions then slice that design
do your layout with divs make sure that it’s aligned
please don’t use tables even though they work fine
when it come to indexing they give searches a hard time
make it easy for the spiders to crawl what you provide
remove font type, font color and font size
no background colors, keep your coding real neat,
tag your look and feel on a separate style sheet
better results with xml and css
now you making progress, a lil closer to success
describe your doctype so the browser can relate
make sure you do it great or it won’t validate
check in all browsers, I do it directly
gotta make sure that it renders correctly
some use IE, some others use Flock
some use AOL, I use Firefox
title everything including links and images
don’t use italics, use emphasis
don’t use bold, please use strong
if you use bold that’s old and wrong
when you use CSS, you page will load quicker
client satisfied like they eating on a snicker
they stuck on your page like you made it with a sticker
and then they convert now that’s the real kicker
make you a lil richer, your site a lil slicker
design and code right man I hope you get the picture
what I’m telling you is true man it should be a scripture
if it’s built right you’ll be the pick of the litter
everyone will want to follow you like twitter
competition will get bitter and you’ll shine like glitter
if you trying to grow your company will get bigger
design and code right man can you get with it

Dica do No Ventilador

Combate a preguiça mental

As latas coloridas da coleta seletiva, ainda que timidamente, estão chegando às ruas, ao comércio e ao local de trabalho. Agora pense rápido: no lixo de qual cor você joga a latinha de refri? Duvido que tenhas respondido imediatamente “amarelo”. Pelo menos lá em casa, onde a coleta segue o padrão internacional de cores há alguns anos, a confusão é constante – tanto para visitantes quanto para os próprios moradores! Toda semana acabo sendo penalizada com a tarefa de reorganizar o lixo (e protagonizar um novo monólogo sobre o tema).

Mas nas praças de alimentação dos shoppings que incorporaram o sistema também tenho visto os mesmos erros – latas arremessadas no lixo orgânico e vice-versa. Nos momentos de pico, inclusive, é possível notar até um pequeno “congestionamento” nas proximidades das lixeiras. Ou pior: bandejas abandonadas pela desistência de colocar os resíduos nos recipientes corretos.

Estes dois pequenos exemplos me levam a questionar a eficácia da sinalização por cores. O que gera essa confusão, já que muitas vezes os cestos vêm acompanhados por um label? Acho que a coleta seletiva tem um desafio que vai além de uma boa categorização e sinalização – ela precisa vencer a preguiça mental das pessoas, já que as injeções de consciência ambiental não têm sido muito eficientes.

Lembrei de um dos conceitos levantados por Donald Norman em O Design do Dia-a-Dia: a força coerciva. É aquela restrição física do design que obriga o usuário a cumprir uma atividade para que ele possa seguir adiante. Um bom exemplo citado por Norman são os cartões de memória que, apesar das diversas possibilidades de encaixe, só podem ser inseridos de uma única forma nos aparelhos que fazem uso dele. Nas palavras de Norman:

A maneira mais segura de tornar uma coisa fácil de usar, com poucos erros, é tornar impossível fazê-la de outro modo – limitar as escolhas.

E aí designers, alguma sugestão para melhorar esse “lixo” da coleta seletiva? Um modelo interessante que tenho visto em algumas empresas, embora restrito a um único tipo de detrito, é aquela cestinha exclusiva para copos plásticos, que vai empilhando-os uns nos outros. Já é um caminho. Mas para um mundo que produz mais de 600 milhões de toneladas de lixo por ano vamos precisar de uma cesta bem maior.