Motivada pelas ótimas cotações em Cannes e no Oscar li recentemente “O Escafandro e a Borboleta”, livro autobiográfico de Jean-Dominique Bauby que dá título ao premiado filme de Julian Schnabel. O relato de vida deste homem, ex-editor da Elle francesa e vítima da síndrome de locked-in, é impressionante.
Após um derrame Bauby fica completamente paralisado, embora consciente, e consegue se comunicar através de seu olho esquerdo – uma piscada para “sim”, duas para “não”. Uma fonoaudióloga sofistica esse diálogo ao introduzir um alfabeto que permite que Bauby componha pequenas frases. E ele vai além – “dita” um livro inteiro com um relato único e inédito da vida em um “escafandro”.
Trailler do filme O Escafandro e a Borboleta
Em sua nova realidade só resta a Bauby acreditar na bondade humana. E torcer para que alguém se preocupe em fechar a cortina, abaixar o volume da TV ou simplesmente ajeitar o travesseiro que está caindo. Comer, passar a mão na cabeça dos filhos ou beijar a mulher amada já são sonhos impossíveis.
Fiquei pensando em quantos “escafandros” existem por aí. E quantos deles poderiam ser abertos tão facilmente, trazendo pessoas novamente à tona. Não sei o quanto de esforço realmente é dedicado para a questão da acessibilidade, mas seja lá quanto for ainda é pouco.
Relatos como o de Jean-Do mostram que podemos fazer muito com muito pouco. Nos meios digitais, por exemplo, colocar texto em um link é tão essencial quanto dar água a um enfermo. E o que isso representa de esforço?
Uma ferramenta bem interessante feita pela Acessibilidade Brasil é o Da Silva, o “primeiro avaliador de acessibilidade em português para websites”. Não sei o quanto de precisão ele tem. Em um rápido teste com o Google fiquei surpresa com o diagnóstico: são 2 erros de prioridade máxima, 8 de prioridade média e outros 8 de prioridade baixa, fora os 84 avisos.

Se o Google não atende todas as recomendações, não preciso nem dizer que este blog também está longe disso. Temos aí uma boa briga com o WordPress.
Excelente post.
O daSilva é bacana, mas claro que não pode ser a única medição. Ele não avalia elementos mais subjetivos, como webwriting – e não lembro se verifica contraste do texto com o fundo, por ex.
Gosto muito dessas associações que você traz do dia-a-dia para ajudar leigos como eu a entender melhor termos como acessabilidade e usabilidade…
Valeu!
Bjos
O Mais legal Silvia é que se vc conversar com um cego ele muito provavelmente vai dizer q não tem problemas com o google.
Tem um outro lado tbm… existem sites que atendem todas as recomendações e que mesmo assim não são acessiveis…
Esse assunto rende =)