O usuário tem sempre a razão?

Recentemente um cliente me perguntou se deveria mudar a cor do site da sua empresa. Os layouts iniciais traziam uma cor quente e pouco usual, até mesmo para destacar a personalidade da marca. Mas a equipe não estava muito confiante na escolha porque na concorrência o que predominava era o branquinho básico. E o resultado de uma pesquisa também não havia deixado muito claro que a opção era segura.

Mesmo não sendo diretora de arte (e não entendendo muito de arte também) argumentei que as impressões das pessoas sobre as cores variam de acordo com o sexo, a idade e as referências culturais, mas que para uma boa leitura na tela (seja no computador, palm ou celular) o importante mesmo é um boa combinação entre as cores de fundo e de texto, independente de quais elas sejam. Quanto maior o contraste melhor a leitura e um problema a menos de usabilidade.

Não sei o quão úteis (ou furadas) foram as minhas considerações, mas na volta da reunião lembrei de um ótimo artigo do Steve Mulder publicado no Molecular Voices. Em “Don’t (just) listen to what users say” Mulder faz um alerta sobre os métodos de pesquisa, especialmente as qualitativas.

Ele cita um focus group que a Sony fez há alguns anos para escolher a cor de seu novo microsystem. Os participantes tinham que optar pelo aparelho amarelo ou preto e justificar a escolha. Eles foram unânimes na decisão: o amarelo era dinâmico, único e perfeito para o mercado.

Ok. A Sony agradeceu e presenteou os entrevistados com um aparelho na saída. Eles poderiam escolher novamente entre as duas cores. Resultado: todos acabaram levando um microsystem preto para casa.

A conclusão se resume a máxima popular: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. “A opinião do usuário pode te conduzir para a direção errada”, observa Mulder.

No fim do ano passado lembro da polêmica nas listas de discussão sobre o novo layout do G1, que começou ousado, cheio de personalidade, e voltou ao branquinho básico, deixando alguns usuários (olha eu aqui!) órfãos da originalidade anterior. Mas o teste disse que a nova versão era melhor. Será mesmo? Espero ver em um novo case da Globo.com os resultados da mudança.

G1 antes e depois
G1 antes e depois

Nas novelas brasileiras, pelo menos, as pesquisas de focus group têm levado os autores para o enfadonho e previsível final feliz. Para quem trabalha no desenvolvimento de interfaces esse tipo de pesquisa também está parecendo um caminho sem escolha.

O mito da rolagem

Quem nunca tentou espremer o conteúdo ao máximo para que ele ficasse acima da linha de rolagem que atire a primeira pedra. E quem nunca refez uma diagramação quando descobriu que era impossível evitar o inevitável scroll? Também não devem ter sido poucas as vezes em que foi preciso justificar para o cliente o uso da malfadada rolagem.

O estudo feito pela ClickTale com 120 mil páginas da web entre novembro e dezembro de 2006 traz algumas justificativas e respostas para que seus sites não fiquem limitados a uma determinada resolução. Importante destacar que a pesquisa incide apenas sobre a rolagem vertical. Seguem alguns números, como o cliente gosta:

  • 96% das páginas da web possuem rolagem
  • 76% dos usuários que encontram páginas com rolagem fazem uso da mesma, pelo menos pelas 2 ou 3 páginas abaixo da resolução
  • 23% dos usuários costumam fazer a rolagem até o final, independente do tamanho da página

O estudo ainda faz algumas recomendações:

Não tente espremer a página para deixá-la mais compacta. O benefício para os visitantes é mínimo. Caso a página tenha scroll, a maioria irá usá-lo

Já que a rolagem é um mal necessário, invista em um layout que facilite o escaneamento das áreas mais baixas da página (essa também é uma dica de outro estudo, o Eye Track III)

MAIS SOBRE O TEMA

Unfolding the fold
Blasting the mith of the fold
The fold is an unecessary limitation

Agora é navegar e rolar (não resisti ao trocadilho)!

Dica do Propaganda Interativa

What are you doing?

Entrei no Twitter para bisbilhotar a vida de algumas “celebridades” da user experience (prometo que este não será mais um post rabugento do “pra-quê-serve-o-Twitter”). A galera está aprontando bastante, óbvio que nada comparado a Britney Spears. Quer saber o que eles estão fazendo? Follow me:

Peter Morville

Peter MorvilleO pai da arquitetura da informação e guru da “buscabilidade” (ou “encontrabilidade”, como você preferir) anda bastante ocupado com a pesquisa de seu novo livro. A última “twittada” de Morville está para aniversariar. Mas os “twitts” de um ano atrás mostram uma rotina cheia de trabalho: palestras, seminários e alguns encontros profissionais. Quase que ele não chega a tempo para o aniversário da filhinha Claire.

Rashmi Sinha

Rashmi SinhaAlém de fundadora e CEO do Slideshare, Rashmi Sinha também é PhD em Psicologia Cognitiva pela Brown University e autora de uma pesquisa sobre interação homem-computador em Berkeley. Mesmo com tantas atribulações ela ainda acha tempo para “twittar”. E mostra que existe vida fora do escritório e da universidade: nos últimos dias Rashmi escalou um paredão (atividade que pretende continuar na próxima semana) e ainda curtiu o som de Dean & Britta no Yoshi’s Jazz Club de San Francisco. Nachos e mojitos são uma boa pedida para Rashmi, mas caixas de chocolate em forma de coração e buquês de rosas vermelhas no Valentine’s Day embrulham o estômago da moça.

Christina Wodtke

Chris WodtkeA autora de Blueprints for the Web e fundadora da revista Boxes and Arrows (só para citar algumas linhas de seu extenso currículo) tem hábitos pouco convencionais. Enquanto a maioria das mulheres carrega apetrechos como escovas de cabelo na bolsa, Wodtke leva um pimenteiro. Há três anos Chris não pisa em um escritório (que inveja!), o que permite que ela destile o seu veneno sobre algumas empresas: “OH MY GOD product management is made out of information architecture!

David Weinberger

David WeinbergerO bom humor do consultor e autor do livro do momento (A Nova Desordem Digital) também está presente em suas “twittadas”. “I’m fewer than 160 characters”, descreve-se com uma genial ironia. Dicas de artigos e as últimas investidas tecnológicas populam o dia-a-dia “twíttico” de Weinberger.

Livia Labate

Livia LabateA representante brasileira dessa verdadeira seleção foi recentemente promovida (agora ela dirige a Arquitetura de Informação da Comcast Interactive Media). Os novos poderes, pelo jeito, trouxeram novos compromissos: “Agh, missed my opportunity to have lunch. More meetings now”. O Twitter de Livia mostra o quão essa AI é verde-amarela: “Eating pão de queijo. Heavenly”; “Leaving Mt Vernon, going to churrascaria”.

E você, what are you doing? Eu tive algumas tentativas mal-sucedidas de usar a ferramenta e acabei desistindo de “twittar” – ninguém está perdendo nada com isso. Mas ainda gosto de voltar na condição de bisbilhoteira (voyer seria um eufemismo), bem mais divertida.

A arte de transformar

25 amazing everyday do-it-yourself inventions
Esses dias recebi o link “25 amazing everyday do-it-yourself inventions” e resolvi postar por aqui. Não que as idéias ali mostradas fossem realmente “amazing”, nem que eu considere colocar em prática alguma delas. Mas elas retratam a mais pura arte da “gambiarra”, sugerindo transformações e atribuindo novos usos a objetos inesperados do cotidiano. Usada com cautela, a tal gambiarra acaba se tornando um ótimo exercício de improviso, de transformação e de abstração. Inspirem-se =)

Interação homem-computador na grande tela

Na semana em que o grande assunto é a cerimônia de entrega do Oscar o blog também entra em seu melhor figurino para falar de cinema. E traz um curioso estudo de Michael Schimtz sobre a interação homem-computador na grande tela.

Filmes como Minority Report (2002), por exemplo, anteciparam conceitos e tecnologias que estão cada vez mais presentes em nosso dia-a-dia: ubiqüidade, projeções holográficas e incríveis displays touchscreen. Mas a sétima arte também fez uso meramente estético da IHC. Este é o caso de A Senha: Swordfish (2001), que traz um sofisticado (porém superficial) aparato tecnológico em 3D para representar a formação de um vírus.

Confira algumas destas cenas visionárias selecionadas por Schmitz:

Cuidado com o destino final de seu wireframe

Atenção: este post contém imagens que podem ofender a pessoas mais sensíveis. Caso você ainda não tenha feito sua refeição, volte mais tarde para que ele não estrague seu apetite!

Agora falando sério, estas são algumas fotos do criativo post do The West Virginia Surf Report que mostra a diferença entre a realidade e a propaganda dos fast-foods americanos. Os lanches foram comprados, levados para casa cuidadosamente e fotografados logo após a chegada. Não precisa ser chef de cozinha para ficar de cabelo em pé com o resultado: pão murcho, ingredientes grosseiramente misturados e texturas que duvido que realmente existam na natureza.

Burger King Whopper

Burger King Whopper

McDonald’s Sausage Breakfast Burrito

McDonald’s Sausage Breakfast Burrito

Lembro de ter visto um site com algo semelhante aqui no Brasil, mas usei estes exemplos com outro objetivo: registrar a importância de QA após a etapa de arquitetura de informação. As fotos acima mostram que qualquer trabalho acaba apenas quando termina. Ou seja, não adianta fazer o melhor planejamento, desenho e interface se o prato chega frio na mesa do consumidor.

Não dê sua tarefa por encerrada antes da hora. Insista para acompanhar os trabalhos do restante da equipe. Lembro de casos típicos em que instruções de texto foram removidas, botões foram invertidos e as fontes reduzidas a ponto de impedir a leitura. Fora isso, a documentação pode não ser clara o suficiente e dar brechas não só para erros de interpretação como também para a “má criatividade”.

E os seus wireframes, já foram vítimas de alguma atrocidade? Denuncie aqui!

Adesivos úteis

Design PoliceNão sabe como fazer críticas ao design de um projeto que você está desenvolvendo? Encontrou problemas de usabilidade em um layout mas fica constrangido ao apontá-los? Quer mandar o designer aumentar a fonte mas não sabe como?

Seus problemas acabaram!

É só acessar o Design Police, baixar o kit de adesivos em pdf, imprimir e começar a colar por aí.

Para arquitetos de informação, designers, desenvolvedores, gerentes de projeto e amantes da boa usabilidade.

Ah, sim, e para aquela sua tia que insiste em mandar e-mails em Comic Sans e ppts recheados de WordArt.