Lost in translation – micos de viagem

Adoro viajar, mas contrariando a preferência da maioria gosto ainda mais de voltar. Aqui tenho minha casa, meus amigos e uma zona de conforto que só é percebida quando se está fora dela. A volta também traz uma deliciosa bagagem de fotos e histórias que serão repetidas ao longo dos anos, muitas vezes encurtando o caminho da próxima viagem. Como ainda estou nessa embriaguez pós-férias vou aproveitar para relatar algumas dessas recordações. Escolhi aquelas que a gente nunca esquece – os micos. E não é que eles geralmente estão relacionados a problemas de usabilidade?

Reservas de hotel pela internet: as pegadinhas aqui estão em toda a parte. As fotos das acomodações raramente correspondem à realidade. E os mapas de localização nunca revelam as verdadeiras atrações dos arredores – mendigos, casas de prostituição, obras barulhentas… Mas a pegadinha mais onerosa encontrei no site da rede Accor. Fiz reservas em dois hotéis distintos – a primeira em pesos argentinos (ARS) e a segunda, que só descobri no momento de pagar, em dólares americanos (USD). Ou seja, uma conta três vezes maior do que a prevista, já que 1 USD = 3 ARS. Não posso dizer que as informações não estavam lá, mas como a primeira transação foi feita em uma moeda, fiz a segunda no automático, totalmente desatenta a este “pequeno” detalhe. Bye-bye free shop!

Cardápios: já comi lingüiça no lugar de filé mignon, milho ao invés de chocolate e torta por pastel. Por que os cardápios não trazem fotos? As traduções geralmente pioram o quadro e viram motivo de piada. Aqui mesmo no Brasil já me diverti com algumas delas: “against filet” (contra-filé) e “colds” (frios). Além dos enganos também há o problema com a quantidade. Quem nunca pediu dois pratos que serviriam a um batalhão? O jeito é embrulhar tudo para viagem

Vending machines: essas máquinas de snacks e bebidas podem salvar vidas. Elas são um verdadeiro oásis no deserto quando a fome aperta em horas impróprias. O grande problema é que elas não têm o botão de “confirma”. Na viagem mais recente lembro de ter gasto minhas últimas moedas com um refrigerante bem açucarado (que eu simplesmente detesto) no auge da sede. Quem mandou teclar 70 ao invés de 60?

Torneiras e vasos sanitários: acho que a humanidade gastou boa parte de sua cota de criatividade no desenvolvimento dessas engenhocas. Já tinha desistido de lavar as mãos antes da refeição em um restaurante quando descobri que a torneira era acionada através de um pedal. Antes disso fiz uma verdadeira performance atrás de sensores que fizessem a água cair. Sem falar em um vaso sanitário que quase deixei transbordar – a descarga, após ativada, deveria ser desligada manualmente

Vou parar por aqui porque a lista é realmente grande. E para mostrar que não estou só neste mundo, seja solidário e conte também os seus micos de viagem!

Categorias: Arquitetura de informação | 2 Comentários

Sobre Silvia Melo

Quando criança eu sonhava em ser escritora, mas acabei virando jornalista e quando fui dar conta do que realmente era o meu trabalho, descobri que estava fazendo arquitetura de informação. No final das contas vi que tudo era muito parecido. Contar uma boa narrativa com início, meio e fim (ou ainda em ordem inversa) é o desafio de quem se comunica com o ser humano, seja através de um livro, de um website ou até mesmo de um aparelho celular. Aqui no Arquitetura de Informação divido algumas histórias do meu dia-a-dia na AgênciaClick de São Paulo, onde tenho a oportunidade de criar experiências interativas para clientes como Citibank, Fiat e Brastemp (só para citar alguns).

2 thoughts on “Lost in translation – micos de viagem

  1. Não é um mico de viagem, mas é um pouco parecido: hoje eu estava correndo na esteira da academia quando resolvi mudar o modo de visualização. Em vez de ver a distância percorrida, queria ver as calorias. Para as duas informações há apenas um display, e daí eu tenho que apertar o botão pra mudar.

    Daí apertei o botão logo abaixo desse visor. Nada. Apertei de novo. Nada. Comecei a apertar nervosamente, e quando percebi estava me matando para correr supersuperrápido e não cair da esteira!

    Acontece que o painel tem os controles mal mapeados: abaixo do display de distância percorrida / calorias ficam os botões de + e – velocidade, e embaixo do display de velocidade, os botões que eu queria. Na correria (literalmente) não percebi que tinha que fazer esse “X” mental, e bem que poderia ter tomado um tombo feio!

  2. Confesso que eu tb já fiz peformances na frente das torneiras hihihi =)

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