Desde que comecei a escrever aqui tenho comentado muito sobre a valorização do arquiteto de informação no segmento web, principalmente por conta dos resultados de pesquisas como a da revista A List Apart e do próprio IA Institute.
Agora volto novamente ao tema, mas desta vez com base em uma experiência mais próxima. Neste último mês de dezembro a ex-coordenadora de arquitetura de informação Juliana Constantino foi oficialmente nomeada diretora de criação da AgênciaClick, um dos cargos de maior destaque em empresas dessa natureza.
A promoção não é nenhuma surpresa. Já faz tempo que o nome de Juliana aparece nas fichas técnicas de diversas campanhas, algumas inclusive premiadas em festivais internacionais como o Cannes Lions e The One Show. O fato inusitado é que pela primeira vez uma arquiteta de informação, pelo menos no Brasil, assume um cargo tradicionalmente ocupado por redatores e diretores de arte.
Na entrevista a seguir Juliana fala um pouco sobre arquitetura de informação, criatividade e de seu novo desafio para 2008:
Arquitetura de Informação é uma disciplina técnica ou criativa?
Juliana Constantino - Criativa, sem dúvida. Aliás, criatividade se aplica a diversas áreas. As pessoas tendem a confundir técnica com automatização de soluções, por isso todo mundo acaba polarizando o técnico e o criativo, como se fossem habilidades específicas e excludentes, mas na verdade não são.
Outro dia mesmo eu estava lendo um livro chamado “Interface Culture“, de Steven Johnson, no qual ele discute justamente essa cisão cultural das habilidades que não existiam na época do renascimento e agora, na nossa era digital e colaborativa fazem muito pouco sentido também.
Como o arquiteto de informação pode alcançar posições de destaque e valorizar o trabalho de AI dentro de uma empresa?
Juliana Constantino - Acho que o arquiteto tem uma “vantagem competitiva” em relação aos outros profissionais, pois tem uma visão completa do projeto e participa desde a sua concepção. Acho que o melhor caminho para valorizar o trabalho de AI é aproveitar esta condição de domínio da informação e participar de todas as etapas do projeto.
Além disso, voltando na questão da polarização, acho que o arquiteto não pode se limitar a 10-leis-de-sei-lá-quem para desenvolver seu trabalho. O arquiteto deve ter em mente que o internauta evolui e demanda cada vez mais experiências sedutoras e isso é um trabalho de comunicação.
Apesar de as referências serem importantes, não dá para partir do princípio que tudo de melhor já foi desenhado. Temos que inovar, criar. Afinal, os testes estão aí para nos ajudar a descobrir o que funciona e o que não funciona.
É novidade um arquiteto de informação virar diretor de criação. Existe preconceito com essa formação não-ortodoxa?
Juliana Constantino - Olha, a maioria dos diretores de criação que conheço é diretor de arte ou redator. Acho que é sim uma coisa meio nova um arquiteto dirigir um time criativo, até por causa dessa visão simplista que o mercado tem sobre a disciplina. Acho que falta um pouquinho as pessoas entenderem a arquitetura como uma peça fundamental para que o diálogo interativo aconteça com eficiência.
Com relação a preconceito, acho que o mercado conhece muito pouco ainda o trabalho de arquitetura, mas não posso reclamar da AgênciaClick. Lá a disciplina sempre foi parte chave do processo criativo, tanto que todos os diretores de criação que passaram por lá têm muito carinho e um bom conhecimento na área.
Parabéns Juliana! Estamos torcendo por você. Vamos também aqui tentar tirar proveito dessa “vantagem competitiva” que temos em relação aos demais profissionais ;o)
Acho que esse acontecimento é de fundamental importância para o futuro da profissão. Acredito que você é merecedora do que aconteceu, pois busca ser inovadora e criativa para o mercado de internet.
Parabéns Juliana. Espero que 2008 você consiga abrir novos horizontes para o mercado e a profissão.
Abraços e sucesso.
Olá Silvia, tudo bem?
Assisti a uma palestra sua no curso de AI da Jump Education (que foi muito boa por sinal), e comecei a ler seus textos.
Puxa, esse post sobre a conquista da Juliana foi inspirador: realmente, chama a atenção uma pessoa vindo de uma área técnica (e criativa, claro!
ocupando a posição de diretora de criação. Nos mostra como os Arquitetos estão aparecendo e acontecendo.
Beijos e até o próximo post.
Olá, tudo bom?
Muito bom esse post… mostrou atráves de um exemplo real presente no mercado brasileiro que a arquitetura esta presente em todas as áreas, e que ela sim esta crescendo e sendo muito bem aplicada na área web por quem tem visões diferentes.
Parabéns a vcs e principalmente para a Juliana.
Nossa, sensacional!
Concordo com você Juliana, a visão que o povo tem sobre nossa profissão normalmente é bem equivocada. Muitas agências - quando tem arquitetos - ainda deixam todo o poder com a galera criação, ai o trabalho de um arquiteto vai por água a baixo quando um criativo acha mais “artístico” um logo no canto inferior direito, por exemplo.
Os clientes precisam compreender o que é a AI, as agências, empresas e relacionadas que trabalham com web(e não só com) e também os profissionais, senão o resultado é um projeto que jogou pela janela grande parte dos resultados.
Muita agência acha que porque a campanha estourou é porque tem boa usabilidade, boa AI, bom design, muitas vezes não, ela poderia ter “estourado ao quadrado”, temos que procurar a excelência, resultados apenas bons não ajudam muito na evolução do mercado, dos profissionais, das empresas.