Navegação por acelerômetros

Há alguns dias surgiu um post muito bacana no Webinsider falando sobre os acelerômetros, dispositivos encontrados em gadgets como o iPhone que permitem que o aparelho adapte a orientação do visor quando rotacionado para a horizontal ou para a vertical.O interessante é que esses acelerômetros evoluíram a ponto de conseguirem transformar os pequenos movimentos do usuário em funções dentro da interface, a exemplo do que acontece com o controle do Wii. Transportando este recurso para o celular, surgem novas experiências e novas metáforas. O vídeo abaixo, do Nokia N95, mostra bem tais possibilidades:

Mas assistindo a esse vídeo me surgiram alguns questionamentos, me corrijam se eu estiver errado.

A experiência fica realmente mais rica girando o aparelho para um lado e para o outro ao invés de apertar botões? Não me imagino chacoalhando meu celular para chegar a um determinado item no menu ou cada vez que eu quiser mudar de música. Será que recursos como estes podem um dia substituir a navegação tradicional por botões? Ou será que funciona apenas para interfaces mais lúdicas como games e brinquedos infantis?

Usuária carente

Por Elisa Volpato

Fiquei um tempão pensando em como seria minha estréia no blog, e conclui que teria de escrever sobre alguma coisa que entendo bem. Então resolvi começar reclamando, como usuária. Por que acho que os sites por aí deviam prestar mais atenção em mim.

Em minha breve vida de moça emancipada, já passei pela situação várias vezes: procurar um apartamento para morar. Agora até meus amigos resolvem me pedir palpite quando querem sair da casa dos pais. Se tem uma coisa que percebi é que lugar é um fator muito importante para quase todo mundo. E lá vou eu no google encontrar sites de imóveis.Então eles me perguntam: “Quer morar onde?” De cara, imagino meus amigos dando pelo menos cinco tipos de resposta diferentes:

  1. “Perto do metrô, na linha verde.”
  2. “Perto da faculdade e do trabalho.”
  3. “Tem que ser no bairro de Pinheiros”.
  4. “Ainda não sei, mas quero que seja na zona sul.”
  5. “Em um lugar barato e bacana.”

Já o modelo de pesquisa mais comum entre os sites que encontrei é filtrar por cidade, região, zona e bairro -nessa ordem. Só que esse tipo de pesquisa atende apenas dois dos meus cinco amigos. O amigo número 1 teria de procurar (em um mapa!) todos os bairros atendidos pela linha verde, ou escolher entre esses bairros aqueles cujo nome fosse mais simpático. Já o número 2 teria de traçar um ponto médio entre a faculdade e o trabalho e buscar ofertas em todos os bairros próximos desse ponto. O número 5 provavelmente viria me pedir uma sugestão de bairro barato e bacana.

Mesmo quem faz uma busca orientada por bairros nem sempre tem bairro específico em mente. E mesmo que tenha, como saber ao certo onde acaba e termina cada bairro? Qual a divisão exata entre Pinheiros e Vila Madalena? Onde começa e termina a zona sul? Isso sem falar na confusão entre o bairro de verdade –Jardim Paulistano- e o distrito (seria Jardins? Até eu me confundi agora).

No começo eu criei estratégias para lidar com as dificuldades: mapas impressos onde marcava a localização de cada oferta, consulta a sites de conteúdo para descobrir os bairros mais interessantes, busca no Google Earth para ver quais eram as ruas mais verdinhas do bairro que eu tinha escolhido. E comecei a pensar em como seria um site de busca de imóveis que realmente prestasse atenção à forma como eu -e meus amigos- fazíamos a pesquisa:

  • Pesquisa baseada em um ponto: eu tenho uma referência fixa, perto da qual gostaria de morar. Mas não sei exatamente os limites de bairro e região ali por perto. Então indico um ponto em um mapa e peço por imóveis em um raio de 5 km.
  • Pesquisa baseada em dois pontos: eu informaria o endereço da faculdade e do trabalho, e o sistema me traria os imóveis que estão na área abrangida pelos dois.
  • Resultados de pesquisa mostrados em mapa. Já montei várias vezes mapinhas mentais -e impressos- para entender onde ficava cada opção de imóvel. Bem que um site poderia fazer isso para mim!
  • Pesquisa baseada em serviços e lazer: pesquisar por apartamentos próximos do metrô ou de parques.
  • Por fim, conteúdo sobre os bairros de cada cidade. Ajudaria muito integrar o site de imóveis com um guia de entretenimento -daí os resultados da pesquisa já mostrariam a densidade de bares, de parques e de escolas em cada local. Ruas mais roxinhas = ruas mais badaladas. Ruas amarelas = grande concentração de comércio. Mais ou menos como um SimCity. Além das cores, os moradores do local poderiam fazer comentários sobre ruas e locais, do tipo: “Essa vila é muito fofa! Veja essa foto aqui”.

Alguém conhece algum site assim? Alguém quer me ajudar a fazer um? :)

Diferenças entre web e TV interativa

Eu não poderia deixar passar despercebida a estréia da TV digital no Brasil, realizada na noite deste domingo, 2 de dezembro. É um debute tímido, restrito a Grande São Paulo e celebrado apenas por quem já possui aparelhos com conversores (ou seja, quase ninguém).Essa festa deve continuar sem convidados por muito tempo, já que ainda é vaga a previsão para a chegada dos convites, quer dizer, dos conversores ao mercado. E enquanto eles não vêm cabe a nós preparar cuidadosamente os docinhos e canapés da recepção. Explico: além da qualidade de cinema uma das grandes promessas da TV digital é a interatividade.

A TV interativa não é novidade no Brasil, mas como também não é feita em larga escala acaba tropeçando tanto no design quanto na usabilidade. O maior erro para quem desenvolve esse tipo de aplicação, e digo isso por experiência própria, é querer aproximá-la ao extremo da web.

O consultor Roger Johansson, do 456 Berea Street, escreveu um pequeno manual de primeira viagem que ilustra algumas diferenças entre as duas plataformas. Eis aqui um bom ponto-de-partida para o desenho de interfaces para a TV:

1. Tamanho da tela: geralmente a tela da TV é mais larga que a do computador, mas possui uma resolução menor. Na TV existem dois formatos bem definidos: standard (4:3 ou 640×480) e widescreen (16:9 ou 1920×1800). O designer deve considerar uma margem de segurança para que o conteúdo apareça na tela: 5% para imagens e 10% para textos

2. Rolagem: apesar de possível não é tão simples e confortável quanto no browser

3. Pixels retangulares: No computador os pixels são quadrados. Na TV são retangulares. É preciso se precaver pois círculos tendem a ficar ovais na TV

4. Montagem da tela: computadores usam a técnica “progressive scan”, que monta a tela inteira em uma única passada, transmitindo e exibindo todas as linhas a cada atualização. A TV (as telas de plasma e de LCD já corrigiram isso) trabalha com uma técnica inversa, o “interlaced”, que monta em cada passagem metade das linhas da tela, as linhas pares ou ímpares, formando a ilusão de uma resolução maior e transmitindo apenas metade da imagem formada. Para evitar que a tela fique vibrando ou piscando é preciso fazer uso do blur e evitar cantos retangulares, que criam ondulações nas bordas

5. Cores e contrastes: O range de cores é bem menor na TV. Cores saturadas – para mais ou para menos – devem ser evitadas. A imagem na TV é mais borrada que no computador

6. Fontes e leitura: as fontes deve ser muito maiores do que as do computador, com tamanhos entre 18 e 24 pontos e anti-alias. Fontes sem serifa e mais grossas também são recomendadas – nessa lista entram a VGA Rounded, Trebuchet e Gill Sans, entre outras.

7. Distância de uso: enquanto os usuários de computador estão bem na frente da tela, os da TV estão um pouco mais longe. Estima-se que para TVs de 14 e 21 polegadas a distância média fica entre 2 e 4 metros. Com isso as imagens devem ser muito maiores do que as do computador

8. Navegação: A principal navegação para a TV interativa é o controle remoto. Evite menus sofisticados ou que não sejam fáceis de usar via controle

9. Som: a ausência de som na internet raramente é notada, mas na TV ela causa uma sensação de vazio. O som deve ser claro e, preferivelmente, não repetitivo

Em uma rápida pesquisa notei que o que não faltam são informações e publicações sobre o tema. Mark Gawlinski, autor de Interactive Television Production, está presente em quase todas elas. No Brasil recomendo a leitura dos trabalhos de Gil Barros, que tem um mestrado sobre o tema, e de Lauro Teixeira. Não deixe de compartilhar suas referências. Os convidados estão para chegar!