E o vencedor do concurso é…

Como explicar para um leigo o que faz um arquiteto de informação? Nos últimos dias dezenas de profissionais me ajudaram com a resposta. Os participantes de nosso primeiro concurso cultural mostraram que a metáfora ainda é o melhor caminho para explicar esta nova profissão a amigos e familiares.

A resposta mais criativa, no entanto, foi a da Andressa Vieira, 27 anos, especialista em Usabilidade da Mapa Digital (Belo Horizonte):

Às vezes é muito difícil as pessoas entenderem o que deve ser feito. Então eu desenho! Sou a desenhista lá da firma.

Parabéns Andressa! Você receberá em seu endereço um exemplar do livro “A Nova Desordem Digital”, do David Weinberger. Obrigado a todos os participantes. Voltamos em 2008 com mais posts e (quem sabe) promoções.

Clique aqui para ver os detalhes do concurso e as demais respostas.

Antes do wireframe

Quando o Raphael Vasconcellos assumiu a diretoria de Criação da AgênciaClick neste último semestre ele me deu um verdadeiro susto. Afinal de contas uma de suas primeiras resoluções foi “acabar” com a Arquitetura de Informação. Nosso pequeno cardume, que vivia unido com seus mapas e wireframes, foi literalmente dissolvido. E dali em diante, como seria? “Agora tudo é Criação”, explicou o novo big boss.

Na nova organização arquitetos foram posicionados ao lado de designers e de redatores. A integração não só facilitou a troca de conhecimento como também ajudou esses duos e trios a pensarem juntos em estratégia, criação e tudo o que vem antes do wireframe. Na verdade o Rapha não havia eliminado a área de Arquitetura de Informação, mas sim removido as barreiras em torno dela.

Os primeiros resultados foram surpreendentes e mostraram como esses pequenos times dão certo – espero divulgar alguns deles muito em breve. Na última semana, Brandon Schauer (Adaptive Path) publicou um post que ilustra exatamente o que está acontecendo aqui na Click: “rabiscoframes”. Essa é nossa adaptação para o que ele chamou de “sketchboards”.

Em um vídeo de pouco mais de 1 minuto Schauer mostra como sua equipe está criando melhor e mais rápido se utilizando do tradicional papel:

Schauer também destacou alguns pontos negativos do uso de wireframes na fase inicial do projeto. Faço das palavras dele as minhas:

  • Wireframes drenam tempo e atenção para as atividades e os detalhes errados
  • Restringem a criatividade
  • Não incentivam o trabalho de equipe

O “rabiscoframe” é uma metodologia simples e barata que vale a pena ser testada. Mesmo que você faça o múltiplo papel de AI e designer da sua empresa pode envolver outros profissionais que estariam de fora nessa fase inicial.

455 helpful links for webdesigners

Post rápido, apenas deixando um link interessante para quem trabalha com web.

O For Web Designers é um aglomerado de links divididos em categorias que vão desde tutoriais de photoshop até truques e dicas de CSS – tudo organizado e ordenado de acordo com a popularidade do link. Uma referência rápida para quem precisa encontrar sites de free photos ou tirar alguma dúvida sobre XHTML, por exemplo.

Concurso cultural: Como explicar para a família o que você faz?

Muitos de vocês devem aproveitar os próximos dias, especialmente o Natal, para reencontrar amigos e familiares. E muito provavelmente serão questionados sobre a vida e o trabalho, tendo que responder à (não tão simples) pergunta: “O que é mesmo que você faz meu filho?”

Eu geralmente solto uma resposta vaga (que deixa o interlocutor com mais dúvidas ainda) e me dirijo à mesa da ceia sem olhar para trás. Lá encho a boca de ameixas secas e não dou margem a mais perguntas. Desta vez, pra não fazer feio, vou pedir a ajuda de vocês neste concurso cultural.

A Nova Desordem DigitalComo você explicaria para uma pessoa normal (sem ofensas!) o que um arquiteto de informação faz? A resposta mais criativa ganha um exemplar do livro “A Nova Desordem Digital”, do David Weinberger.

Para participar basta publicar um comentário com a resposta até a meia-noite da segunda-feira, dia 24 (pensou que daria tempo de submetê-la a um teste de usabilidade?). O vencedor será anunciado na quinta-feira, dia 27. Não esqueça de colocar o e-mail correto no comentário, pois somente assim terei condições de entrar em contato para combinar o envio do prêmio.

A equipe do blog, cuja participação no concurso está vetada, será responsável pela seleção da resposta vencedora. Os participantes poderão concorrer ao prêmio com mais de uma resposta. E mais um último detalhe do regulamento: O vencedor deve morar no Brasil.

Dez acontecimentos para lembrar 2007 como um bom ano

No plano pessoal este foi um ano muito especial, com resoluções típicas da mulher de 30: casei, comprei meu primeiro apartamento e plantei uma árvore (quer dizer, meu marido plantou algumas por nós). No aspecto profissional não foi diferente: fui promovida, comecei a escrever aqui no blog e ainda participei de alguns cursos e eventos na condição de palestrante.

Em meus tempos de repórter nunca fui muito fã de retrospectiva: além de trabalhosas elas invariavelmente têm uma dose muito maior de tristeza do que de alegria. Mas sem a pressão editorial o exercício ficou mais leve e interessante. Divido aqui alguns fatos que, sob a ótica de uma arquiteta de informação brasileira (e no Brasil), foram marcantes em 2007:

1. Ebai – O 1º Encontro Brasileiro de Arquitetura de Informação mostrou a cara de quem faz a coisa acontecer por aqui. E com certeza abre espaço para eventos de maior dimensão no país. Ouvi burburinhos da próxima edição (praticamente confirmada) e parece que teremos convidados ainda mais ilustres

2. Mobile – Tanto o iPhone da Apple quanto o N95 da Nokia trouxeram interfaces revolucionárias que estão mudando nossa relação com o aparelho celular. A navegação por acelerômetros, tema recente de um de nossos posts, é um dos destaques destes brinquedinhos. Papai Noel bem que podia colocar um destes na minha meia de Natal

3. Touchscreen – A nova série de iPods e o próprio iPhone popularizam de uma vez por todas esse tipo de interface, antigamente restrita a terminais de auto-atendimento. A tecnologia, agora renovada, com certeza traz novas demandas de usabilidade

4. Everything is Miscellaneous – De tão comentado nem parece que o livro do David Weinberger foi lançado neste ano. Antes do 1º aniversário de vida a publicação tornou-se leitura obrigatória para quem trabalha com qualquer tipo de informação, e já ganhou até versão em português (A Nova Desordem Digital)

5. Bookmark indispensável – Eu e o Nick Hornby (Alta Fidelidade) adoramos listas. E essa aqui é indispensável para qualquer profissional de arquitetura de informação: Top 100 User-Centered Blogs. Nem sabia que existia tanta publicação sobre o tema. Estou aprendendo muito com elas

6. Testes de usabilidade – Em quase 4 anos de AgênciaClick nunca acompanhei tantos testes como em 2007. Isso mostra um processo de maturidade dos clientes, cada vez mais conscientes da necessidade de uma boa arquitetura de informação

7. Um livro por semana – Tirei proveito da falta de carro para colocar a leitura em dia. Se a comunidade Good Reads me rendeu dicas incríveis, a Estante Virtual me ajudou a viabilizar boa parte delas – comprei dezenas de livros usados e em ótimo estado a preços bem modestos. E para quem quer seguir o mesmo rumo em 2008 recomendo (com muito mais que as habituais 5 estrelas) os romances de Ian McEwan, JM Coetzee e Michel Houellebecq

8. Minha estréia em cursos e palestras de AI – Confesso que estava fugindo ao máximo, mas foi inevitável – e menos doloroso do que pensei. Agora que me rendi ao poder do microfone estou preparando novos cases para o próximo ano

9. Blog – Finalmente me livrei da vergonha de não ter um blog. Há tempos eu não escrevia e tampouco tinha a noção do quê exatamente escrever. Mas depois do 1º post ficou tudo mais fácil. E agradeço muito todos os comentários e e-mails de vocês, minha grande fonte de pautas para o dia-a-dia

10. AIs mais valorizados – Os resultados tanto da pesquisa do IA Institute quanto da revista A List Apart mostraram como a disciplina está sendo valorizada. Já somos os profissionais mais bem pagos no segmento web – e em contrapartida os mais cobrados. Essa própria retrospectiva nos dá algumas diretrizes para 2008: participar de eventos, ler mais, estudar novas interfaces, realizar testes de usabilidade, pesquisar, pesquisar, pesquisar…

Essa foi a minha retrospectiva. Como ela provavelmente não deve bater muito com a sua, não deixe de comentar quais foram os principais acontecimentos do ano para você.

Nova pesquisa sobre o perfil do arquiteto de informação

Recentemente publiquei um post sobre os salários dos arquitetos de informação no mundo – pelo menos no exterior eles são os melhores da web. A pesquisa anual do IA Institute, realizada entre junho e outubro deste ano com 575 profissionais do segmento, comprova o quão a disciplina é valorizada no segmento.

Vou pegar carona no blog da Laura Lessa, que comenta alguns dos resultados da pesquisa. Vale ressaltar que estes dados não refletem a realidade brasileira: apenas 5,3% das respostas vieram da América do Sul (incluindo Brasil), contra 71% dos Estados Unidos.

  • Cerca de 33% ganham salários anuais superiores a US$ 100 mil (um dia chego lá)
  • Os padrões salariais são bem mais altos que os nossos – em Londres um AI ganha uma diária de até 500 libras como freelancer (temos que colocar na conta o alto custo de vida de lá)
  • 80% dos entrevistados estão envolvidos com testes de usabilidade
  • A mesma quantidade também trabalha na definição de metadados e de estratégia
  • Um terço trabalha em empresas de grande porte, com mais de 3 mil funcionários
  • A maior parte dos profissionais (31%) está na casa dos 31 e 35 anos (olha eu aqui!)
  • O número de homens e de mulheres na profissão é praticamente o mesmo
  • Mais de metade possui mestrado ou doutorado

Minha interpretação é a de que apesar da valorização existe uma grande cobrança do arquiteto – conhecimento, estratégia e resultados. A falta de cursos de especialização no Brasil ainda é uma realidade que de certa forma nos distancia destes profissionais.

SAIBA MAIS

Pesquisa completa do IA Institute
Post da Laura Lessa
Pesquisa da revista A List Apart
Eventos de arquitetura de informação e de usabilidade

Salvem o urso polar – o blog de cara nova

Tanto o urso polar do hemisfério norte quanto o do livro do Peter Morville e do Lou Rosenfeld estão em constante perigo. O primeiro pelo aquecimento global, que está derretendo o gelo do círculo polar ártico e afogando centenas deles. O segundo pela ignorância. Infelizmente não são todas as empresas que despertaram a consciência para questões como o design centrado usuário, a usabilidade e a acessibilidade – e nem preciso lembrar do meio ambiente.

Information Architecture for the World Wide Web

Estávamos discutindo o redesign da página e adorei quando o Fabricio Teixeira veio com a idéia de salvar o urso. Vejo em nosso blog o lugar perfeito para uma verdadeira militância pró-arquitetura de informação e o urso não poderia representá-la melhor. Espero que vocês tenham gostado.

Procuramos nos templates do Word Press um que tornasse a leitura dos posts mais fácil e agradável, destacando features como o “RSS” e “enviar comentários”. Nossas “tags” (ou categorias) também estão em mais evidência, embora ainda necessitem de uma boa revisão (isso tem cara de promessa de ano novo). E o “arquivo” vem com toda a força para nos cobrar cada vez mais atualizações.

Depois de todo esse tratamento para o verão 2008, nos resta tirar a canga e abrir ainda mais espaço para que você participe com idéias, críticas e sugestões!

Natal sem Papai Noel nem uva passa

No fim de ano devia ser proibido o uso indiscriminado de papais noéis e (principalmente) da uva passa, que vai em tudo – no arroz, na carne, na sobremesa… argh! Realmente não sou muito fã da combinação. A premiada agência Glue, de Londres, está com uma campanha divertida e inteligente em que a única referência ao bom velhinho está no loading da ação.

Se o período pré-festas é corrido para a maioria das empresas, para a equipe da Glue está sendo ainda mais – ela deve pedalar 1.900 milhas (cerca de 3.060 quilômetros) para converter cada metro percorrido em libras para o Exército da Salvação. A bike está na agência e o esforço dos colaboradores pode ser acompanhado em tempo real no site Let’s Go to Lapland. Os visitantes interagem mandando mensagens de incentivo para o ciclista da vez.

Let's Go to Lapland

Na bike o próprio Ricardo Figueira angariando umas libras para o Salvation Army

O trabalho é uma das estréias do brasileiro Ricardo Figueira em terra estrangeira. Para arquitetos de informação fica uma referência de como “menos” pode ser “mais”. O site é tão simples quanto deveria – e tudo está lá.

Pedala Glue, que ainda tem chão pela frente! Não comam uvas passas pois elas têm alto poder calmante, o que vocês menos precisam por hora ;o)