Arquitetos de informação (pelo menos lá fora) são os mais bem pagos da web. Por quê?

Pesquisas sobre o mercado de trabalho ajudam a entender como estamos, para onde vamos e se realmente devemos ir. Em abril deste ano a revista A List Apart convocou profissionais do mundo inteiro para a Web Design Survey. Designers, programadores, gerentes de projetos, redatores, arquitetos de informação e toda a beligerância que atua no desenvolvimento de websites foi convidada a responder um questionário bem servido com três dúzias de perguntas – quase 33 mil pessoas atenderam o chamado.

As descobertas do estudo, apesar de retratarem pouco a realidade brasileira (enquanto a metade dos entrevistados estava nos Estados Unidos, ínfimos 2,6% residiam na América do Sul), comprovam em números parte do que gente já sabia sobre a atividade web:

Demanda tempo – 60% dos entrevistados trabalham bem mais de 40 horas por semana
Exige conhecimento – Quase metade atua há mais de 5 anos na área
Tem alta rotatividade – 1/3 está há menos de 1 ano na empresa atual
Paga bem – mais de 70% têm ganhos anuais superiores a US$ 20 mil, cerca de R$ 3 mil/mês
Mas não dá folga – Apenas 12% conseguem tirar anualmente as sonhadas férias de 30 dias
Estimula o marketing pessoal – 72% possuem um site ou um blog, a maior parte com idade superior a 2 anos
Te faz “pedalar” – Mais da metade tem nível superior sendo que outros 16% já subiram os degraus do mestrado e do doutorado

Se você ainda não desistiu, continue pois também tem boas notícias. Os arquitetos de informação estão entre os profissionais mais bem pagos do meio (pelo menos no exterior) – um motivo bem razoável para continuar investindo na carreira.

A própria pesquisa traz indícios de porque isso acontece. Os arquitetos de informação geralmente têm as principais qualidades desejadas do setor: pensamento orientado para usabilidade e acessibilidade, conhecimentos de design e de interface, noções de programação e domínio da escrita, entre outras (aqui incluo também a visão estratégica do negócio).

Quem quer mapear melhor o terreno antes de ingressar na área pode conferir a pesquisa sobre a prática de Arquitetura de Informação de Websites no Brasil, realizada por Guilhermo Reis.

E como dinheiro sempre gera polêmica, eu pergunto: você acha mesmo que os arquitetos de informação devem ter remuneração superior a de designers e programadores, por exemplo?

User experience do futuro

Por Silvia Melo

A Smashing Magazine traz nesta semana uma inspiradora lista de lançamentos – alguns nem tão novos assim – que representam a user experience do futuro. A relação mostra como a tecnologia está convergindo cada vez mais para o realismo (com impressionantes representações gráficas em 3D) e para a ubiqüidade (presente em todo o lugar).

As novas tendências com certeza devem trazer grandes desafios para os arquitetos de informação. Se já temos angústias sobre como gerar protótipos em Flash e RIA, imagine como será a projeção de realidades simuladas, onde tudo deve ser tão simples como a vida, sem botões ou até mesmo cliques?

Demonstração da tecnologia Cheoptics, criada pela Vizoo

Segue a lista da Smashing, indispensável para qualquer bookmark:

Cheoptics360™
Reactable
Multi-Touch
Microsoft Surface
Photosynth
BumpTop
3D Operating System
XTR3D

Senti falta do Second Life. Acho que ele traz alguns destes conceitos, embora esteja em uma plataforma ainda limitada.

Um olhar moderado sobre o eye-tracking – 23 lições e 1 alerta

O artigo “Scientific Web Design: 23 Actionable Lessons from Eye-Tracking Studies”, escrito por Christina Laun e publicado na primeira quinzena do mês, está fazendo sucesso no meio. Ele traz um compilado do Eye Track III, estudo realizado pelo The Poynter Institute em parceria com a Eyetools Inc. e o Estlow Center for Journalism and New Media. Em 2003 esse time de pesquisadores fez com que 46 pessoas (homens e mulheres entre 19 e 60 anos) olhassem para 10 diferentes publicações online, entre elas o The New York Times, o The Wall Street Journal e o MSNBC.

AS LIÇÕES

1. Por incrível que pareça os textos atraem mais o olhar do que gráficos e imagens
2. A leitura da página é bem ocidental, começando invariavelmente no canto esquerdo superior
3. Essa mesma leitura que começa no canto esquerdo é continuada na forma de “F”
4. Banners são simplesmente ignorados
5. Fontes mais sofisticadas também são ignoradas justamente por remeterem a publicidade
6. Mostre números escritos como números: “6” ao invés de “seis”
7. O tamanho das fontes influencia no comportamento da leitura: enquanto as maiores fazem com que o usuário ESCANEIE o texto, as menores fazem com que ele LEIA o texto
8. Utilize subtítulos apenas se eles forem relevantes e especialmente se contiverem palavras-chave importantes sobre o texto
9. As pessoas geralmente apenas escaneiam as áreas mais baixas da tela. Evite textos complexos e massudos nessas áreas
10. Parágrafos curtos têm um melhor desempenho que os longos
11. Textos em duas ou três colunas tendem a ser ignorados
12. Banners apresentam melhores resultados se posicionados nas áreas superior e esquerda da tela
13. A publicidade localizada próxima ao melhor conteúdo da página leva vantagem
14. Publicidade em texto tem mais visibilidade do que a gráfica
15. Imagens maiores chamam mais atenção, mas é importante que elas façam parte da notícia e sejam um complemento da história
16. As imagens devem ser simples. Evite fotos com muitos elementos e todo aquele rococó que mostra como você é fera no Photoshop. O uso de pessoas reais também tem melhor desempenho do que o uso de modelos (talvez por também remeterem a publicidade)
17. Os usuários são ávidos por manchetes – desobstrua o caminho para que ele chegue com facilidade até elas
18. Os usuários perdem bastante tempo olhando botões e menus; e a navegação não é definitivamente o conteúdo mais importantes da página. Isso reforça a importância de uma organização simples e eficiente
19. Listas (como essa) fazem sucesso simplesmente porque são mais fáceis e agradáveis de ler
20. Grandes blocos de texto são evitados – utilize parágrafos pequenos, imagens e marcadores (bullet points)
21. Elementos de formatação ajudam a leitura: faça uso do negrito, do itálico e da CAIXA-ALTA, entre outros recursos
22. É bom que a página tenha respiros (espaços em branco)
23. Menus no topo da página têm melhor desempenho

O ALERTA

Uma lista e tanto, não? Mas acho importante que o arquiteto de informação tenha um olhar moderado sobre a mesma. É importante voltar à metodologia do Eye Track III e se ater ao fato de que essas “lições” se referem a um tipo de site: os portais de conteúdo. Ricardo Figueira, vice-presidente de Criação da AgênciaClick, reforça o alerta: “Imagine se a gente fizesse um eye-track do usuário vendo filme no computador, jogando um game online, conversando num chat, montando um produto ou ainda vendo álbum de fotos picantes… Cada experiência inspirada por uma arquitetura demanda uma pré-disposição diferente do usuário”.

Também tenho uma visão particular sobre o termo “desempenho” no eye-tracking. Ele sinaliza o que é mais VISTO, mas não o que é mais CLICADO no site. No que diz respeito a publicidade e ao layout da tela, o estudo nos dá um verdadeiro um puxão de orelha: precisamos ser mais inteligentes e criativos. Uma boa campanha com certeza vai burlar as “regras do olhar” e seduzir usuários para o clímax do banner: o clique. Não acontece o mesmo quando vemos aquele gato (ou gatinha) na multidão? E imagine como seria chato se toda a internet seguisse a mesma experiência proposta pelo eye-tracking? Já temos reclamações suficientes de que os portais são todos iguais.

Para quem se interessou pela técnica, a Try Consultoria (São Paulo) deve realizar esse tipo de teste já a partir de janeiro do ano que vem. Algumas ferramentas gratuitas, como o Crazy Egg, permitem um estudo mais simplificado com a geração heatmaps a partir do “mouse-tracking” do usuário.

Bem, acho que infringi algumas recomendações do estudo com este post gigante. Melhor encerrar por aqui antes que eu desvie para longe todos os olhares deste blog.

Roteiro de viagens para 2008

Se você está planejando uma viagem internacional para 2008, principalmente com passagem pelos Estados Unidos, vale a pena tentar conciliá-la com alguns dos eventos de arquitetura de informação e de usabilidade previstos para a temporada. Eles geralmente duram menos de uma semana, acontecem em regiões cercadas de muito vinho e com certeza irão render alguns pontos extra em seu currículo.

Quem consegue se programar com antecedência já tem o dinheiro das lembrancinhas garantido: os descontos para inscrições antecipadas chegam quase a 50%. Com o dólar abaixo de R$ 1,80 é bom ir reservando o hotel e as passagens. E se sua empresa está organizando o orçamento do ano que vem, por que não conclamar uma verba para a reciclagem profissional?

Os principais “rockstars” da interação homem-computador têm presença garantida nessa verdadeira turnê mundial: Peter Morville, por exemplo, se apresenta na Webstock da Nova Zelândia. Steve Krug e Lou Rosenfeld participam nos Estados Unidos do An Event Apart de Boston e de Chicago, respectivamente. A Usability Week ainda não divulgou a agenda, mas com certeza terá uma canja do Jakob Nielsen por lá.

Abaixo segue uma lista com as principais atrações, com preços estimados para o programa completo. Se for para escolher uma, elejo o IA Summit. Se na lista entrarem duas, incluo a Usability Week do Norman Nielsen Group.

Content Week 2008
De 28 de Janeiro a 1o. de fevereiro
San Diego, Califórnia (Estados Unidos)
Preço: US$ 4.492 (inscrições até 29 de novembro) e US$ 5.592

IxDA Interaction 08
De 8 a 10 de fevereiro
Savannah, Georgia (Estados Unidos)
Preço: US$ 499 (inscrições até 15 de dezembro) e US$ 599 (estudantes pagam meia)

Webstock
De 11 a 15 de fevereiro
Wellington (Nova Zelândia)
Preço: $NZ 895 (dólar neozelandês)

UX Intensive
De 19 a 22 de fevereiro
San Francisco, Califórnia (Estados Unidos)
Preço: US$ 1.595 (até o dia 2 de dezembro) e US$ 2.495

HotMobile 2008
Dias 25 e 26 de fevereiro
Silverado Resort, Napa Valley, Califórnia (Estados Unidos)

SXSW Interactive Conference and Festival

De 7 a 11 de março
Austin, Texas (Estados Unidos)
Preço: US$ 1.050

CHI 2008
De 5 a 10 de abril
Florença (Itália)

IA Summit 2008: “Experiencing Information”
De 10 a 14 de abril
Miami, Flórida (Estados Unidos)

@Media 2008
Dias 29 e 30 de maio
Londres (Inglaterra)

An Event Apart
New Orleans – Dias 24 e 25 de abril
Boston – Dias 23 e 24 de junho
San Francisco – Dias 18 e 19 de agosto
Chicago – Dias 13 e 14 de outubro

UPA 2008: “The Many Faces of User Experience”
De 16 a 20 de junho
Baltimore, Maryland (Estados Unidos)

User Experience Week 2008
De 12 a 15 de agosto
San Francisco, Califórnia (Estados Unidos)
Preço: US$ 1.695 (inscrições até 2 de janeiro) e US$ 2.495

Mobile HCI 2008
De 2 a 5 de setembro
Royal Tropical Institute Conference Center, Amsterdã (Holanda)

UPA Europe 2008
Entre outubro e dezembro, data a definir
Torino (Itália)

E você, já foi a algum destes eventos? Was it good for you?

A usabilidade pode influenciar no preço das ações de uma empresa?

Um estudo divulgado pelo Nielsen Norman Group em 2003 já havia mostrado como a usabilidade impacta positivamente nos resultados de um site. Com um redesign bem mais centrado no usuário, os sites das 42 empresas envolvidas no estudo registraram um aumento médio de 135% nas métricas desejadas – tráfego, conversão de vendas, performance do usuário e uso de funções específicas.

A UX Magazine divulgou no começo do mês os resultados de um estudo também focado no retorno de investimento em usabilidade. Desta vez o objetivo era saber o quão as iniciativas de uma empresa no setor seriam capazes de refletir no preço de suas ações na bolsa de valores.

Para isso a própria UX Magazine investiu US$ 50 mil em ações de 10 companhias que tinham realizado recentemente grandes trabalhos de user experience (aqui foram estabelecidos alguns critérios). O resultado deste UX Fund, como foi batizado o investimento, mostra o que aconteceu com essas ações após 1 ano:

Research In Motion (RIMM) + 207.97% $10,387.44
Apple (AAPL) + 131.81% $6,607.96
Google (GOOG) + 47% $2,248.40
Nike (NKE) + 38.65% $1,921.32
Electronic Arts (ERTS) + 10.62% $530.16
Yahoo (YHOO) + 15.61% $775.20
Target (TGT) – 2.09% ($104.16)
Netflix (NFLX) – 4.82% ($239.40)
Progressive Insurance (PGR) – 23.27% ($1,165.41)
JetBlue Airways (JBLU) – 29.36% ($1,476.00)

Na minha opinião, apesar de lucrativo (o portifólio cresceu quase 40%) o resultado do estudo ainda é pouco conclusivo, uma vez que vários fatores podem influenciar no preço das ações – a Apple, por exemplo, lançou o iPhone neste período.

Nas palavras da UX, o estudo provou que “usabilidade não é tudo”. Muitas empresas, apesar de atenderem bem os seus usuários online, estão sujeitas a realidade do negócio. Este foi o caso da companhia aérea JetBlue Airways, prejudicada por uma forte tempestade de inverno bem no Dia dos Namorados.

De qualquer forma temos aqui mais alguns argumentos (se é que é preciso) para vender a usabilidade como uma importante (mas não única) aliada na geração de resultados. Não deixem de ver o estudo completo.

Intervalo comercial

Enquanto não publico o próximo post vou aproveitar o intervalo para fazer um pequeno reclame. Nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro acontece na Jump Education o curso “Arquitetura de Informação em Projetos Web”. O Guilhermo Reis, conhecido da maioria dos leitores, elaborou uma programação bem equilibrada entre teoria e prática. E é nesta segunda parte que eu apareço – vou encerrar a programação com um case e uma apresentação sobre a importância da Arquitetura de Informação dentro das empresas. Clique aqui para ver mais informações e, quem sabe, aparecer por lá!

Algumas razões para cair de amores pelos protótipos navegáveis

Se você, assim como eu, nasceu na década de 70, provavelmente já teve contato com uma máquina de escrever. Este, que foi o principal instrumento de trabalho dos profissionais de comunicação durante muito tempo, forçava os usuários a escrever de forma doentiamente planejada, na maioria das vezes pressionados pelo medo de errar. Realocar uma frase em outro parágrafo significava ter que bater novamente toda uma página – 1.400 toques a mais (considerando uma lauda de 20 linhas com 70 toques cada) e cerca de 10 minutos perdidos (no caso de um datilógrafo mediano). O editor de texto, com os recursos de apagar, copiar e colar causou uma verdadeira revolução na vida de milhões de pessoas, sobretudo de escritores e de jornalistas.

Vejo uma revolução bem parecida para os arquitetos de informação com a chegada dos programas que geram protótipos (e/ou wireframes) navegáveis em HTML. Nessa lista incluo o Axure, o iRise e o OmniGraffle, entre outros que listarei adiante. Não é mais necessário dedicar tempo e esforços para organizar slides, fazer ajustes em um grande volume de telas ou até mesmo publicar centenas de comentários sobre o fluxo de navegação. A preocupação agora é com o que realmente interessa – o design centrado no usuário.

Ok, o assunto não é novo. Mas como é cada vez mais recorrente alguém me perguntar sobre as vantagens deste tipo de protótipo vou pontuar algumas delas. Mais do que vantagens, são verdadeiras razões para cair de amores por estes softwares:

Experiência de navegação – Este item vem no topo da lista porque acredito que é aqui onde está o maior ganho do protótipo em HTML. Por ser todo navegável ele simula realmente o que acontece a cada clique, resultado que víamos somente depois que o projeto já tinha passado pelo design e pela interface.

Dimensionamento do projeto – Fica bem mais fácil entender quais são as telas-tipo (ou templates) com o uso dessas ferramentas. No Axure, por exemplo, é possível acessar com facilidade a lista de páginas e até mesmo gerar um mapa (também navegável) a partir dela.

Componentização – O bom arquiteto tira proveito disso. Não é preciso desenhar novamente um fluxo de “enviar por e-mail” ou de “cadastro” a cada projeto que eles aparecem na matriz de escopo. Os softwares para desenvolvimento de wireframes permitem a criação de verdadeiras bibliotecas de padrões, que podem ser reaproveitadas com o mínimo de ajustes em outros trabalhos. Isso também dá uma grande agilidade na execução do protótipo.

Documentos mais enxutos (ou o fim do trabalho escravo) – Em um passado não muito distante cheguei a criar wireframes em PowerPoint com mais de 2.000 slides para simular fluxos e cenários diversos – uma documentação burra, pesada e de eficácia totalmente discutível que ainda me causava algumas lesões por esforços repetitivos.

E o cliente? – Pelas minhas estatísticas esta é a pergunta número 1. Devo ressaltar que só tenho tido resultados positivos. Os clientes não só estão compreendendo melhor a proposta como também estão aprovando mais rapidamente os trabalhos, com solicitações de ajustes cada vez menores. Alguns clientes inclusive já pediram (e pagaram!) para que documentações feitas inicialmente em PowerPoint fossem convertidas para HTML.

Fácil aprendizado – Quando a diretoria da empresa em que trabalho autorizou a compra do Axure ficamos com receio de demorar a aprender o software. Esse medo foi dissipado já no primeiro dia de uso da ferramenta – medo seria ter que voltar a usar o PowerPoint. O suporte do Axure, por exemplo, é muito bom: no site da empresa há tutoriais e um blog que realmente convida o usuário a compartilhar críticas e sugestões. Muitas melhorias já foram feitas partir delas.

Designers e programadores menos irritados – Abrir um wireframe em Visio ou PowerPoint era, para os desenvolvedores, uma experiência semelhante a de ler “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, em mandarim. Além de chato, muitas vezes o documento gerava uma série de dúvidas que simplesmente travavam o trabalho, a maioria delas referente ao fluxo de navegação. Por não conter libraries, os documentos em Visio e Powerpoint também traziam erros de consistência e muitas páginas escapavam da revisão, aumentando a incidência de erros. Para os programadores, um grande recurso destes programas é a geração da especificação técnica.

Reaproveitamento de código – Aqui vale a pena fazer um alerta: protótipo é protótipo, código é outra coisa. Não encare este tipo de documento como um avanço na etapa do desenvolvimento. Os recursos de programação dessas ferramentas são limitados e geram códigos feios, sujos e gigantes, para não ser mais explícita.

Voltando aos softwares disponíveis no mercado, segue um benchmark feito em março deste ano por Emmanuel Pays. Vale ressaltar que na relação custo-benefício o Axure (US$ 589) ganha disparado em comparação ao iRise (mais de US$ 2000,00), campeão na lista de funcionalidades.

UX Benchmark

E para finalizar fica o alerta: a empresa que não ainda não faz uso destas ferramentas está queimando horas de trabalho intelectual com trabalho braçal, além de desviar o foco do arquiteto para questões menores e nada lucrativas.

Shame on me! – part II

Spider Man

Grandes poderes trazem grandes responsabilidades, disse uma vez um super-herói. E qual não foi minha surpresa quando recebi na manhã de terça-feira, por e-mail, a senha do melhor domínio de arquitetura de informação da Língua Portuguesa? Não sei se foi o susto inicial, mas a herança já provocou algumas mutações – não tão radicais quanto as de Peter Parker, é claro. Acho que a maior delas foi deixar a timidez de lado para me comunicar diretamente com um grupo de profissionais tão seleto, que ainda busca espaço e reconhecimento no mercado de trabalho. Em um campo ainda tão novo e em expansão quanto o da Arquitetura de Informação é dever de qualquer profissional compartilhar idéias e experiências. Eis a missão na qual fui imbuída após receber este e-mail geneticamente modificado da Juliana Constantino.

O título do post, “Shame on me”, faz referência ao texto inaugural deste blog. Identifico-me muito com ele porque, de certa forma, tenho uma trajetória bem parecida – trabalho com web desde 1997 (isso mesmo, já são 10 anos!), sendo os últimos quatro exclusivamente com Arquitetura de Informação, e até hoje não havia publicado nada sobre o assunto. Para aumentar a vergonha, sou jornalista por formação. E, enfiando a cabeça de uma vez por todas no buraco, preciso também confessar que sou canhota, um daqueles seres que sofrem com problemas de usabilidade desde cedo e nunca militaram pela causa.

Desculpas dadas, a proposta do blog continua a mesma: ser “muito mais um grande fórum de discussão sobre o assunto do que um editorial no modelo tradicional”. A isso quero somar algumas experiências do dia-a-dia com clientes, jobs e prazos reais. E ainda adicionar um tempero web 2.0, já que o blog agora conta com a colaboração de outros arquitetos da AgênciaClick, onde trabalho atualmente:

Fabricio Teixeira: uma das grandes promessas da área! É da nova geração de profissionais da web que já começaram a carreira trabalhando com Arquitetura de Informação. Ele tem se destacado no desenvolvimento de experiências interativas complexas, como o test-drive virtual multiplayer do Fiat Punto, premiado recentemente com o Big Idea Chair do Yahoo.

Elisa Volpato: ela passou os dois últimos anos trabalhando com pesquisas e testes de usabilidade. Agora está colocando em prática tudo o que viu. Felizes os usuários que clicarem nas interfaces arquitetadas por esta moça! Com certeza eles terão muito mais prazer e segurança em realizar suas atividades online.

Ana Paula PJ: ainda procurando seu caminho, Ana ora transita pela arquitetura de sistemas, ora pela arquitetura de branding experience. Seja qual for a estrada, ela tem muito a colaborar com o relato destes percursos tão diversos.

Amanda Constantino e Cláudia Pátria: ambas estão no comecinho, lendo o livro do Steve Krug. Elas aprendem com a gente e nós aprendemos mais ainda com elas. E antes que perguntem, sim, a Amanda é irmã da Juliana.

Bem, o blog foi oficialmente reinaugurado! Vamos fazer o máximo para manter a qualidade. Não gosto muito dessa coisa de pacto, mas segue a proposta: aguardem os próximos posts antes de nos excluir dos bookmarks ;o)