
Toda vez que estou discutindo um wireframe com alguém da minha equipe eu sempre peço para que a pessoa faça o exercício de me dizer o que ela espera que o usuário veja ao entrar na página. Qual é o bloco de informação mais importante? Qual a leitura esperada da página?
Pois bem, pode parecer uma metodologia trivial, mas é fácil perder de vista o que queremos dizer principalmente quando estamos desenhando páginas com grande volume de informação, na qual, segundo o cliente, “tudo é prioridade” e deve estar acima da rolagem do 800 x 600. Nesta situação, quantas vezes eu não ouço meus arquitetos fazerem os seguintes comentários: “mas eu escrevi aqui o que era pra fazer”, “a instrução está perto do formulário” etc. O fato é que eu, e provavelmente também o visitante da página, não vejo a informação, simplesmente porque a maneira que os elementos estão dispostos na tela não me convida a olhar para um determinado bloco de informação.
É preciso dizer “sem texto” que o botão é clicável, que o campo do formulário pode ser preenchido, que existe um link no texto.
Fazendo um paralelo fora da internet, na semana passada assisti a um filme do diretor Steven Soderbergh chamado Bubble. O diretor é bem conhecido por filmes premiados e campeões de bilheteria como Traffic e Ocean´s Eleven, já o filme Bubble acho que esteve no cinema por aqui.
O roteiro do filme é tão banal quando poderia ser, trata-se da história de um triângulo amoroso que culmina em um crime entre as partes envolvidas. O mais interessante é a história que não é contada pelo roteiro, que se serve de uma série de técnicas de narrativas gráficas, para tratar com ironia toda a banalidade exposta pelo filme.
O enquadramento das cenas é praticamente fotográfico e totalmente horizontal. E horizontal, neste caso, não serve para ampliar o plano, como se espera do recurso wide screen, mas serve para tirar toda a noção de altura, todos os enfoques verticais do filme, que fica confinado num plano monótono, a ponto de, em uma cena em que os personagens estão sentados, aquele que se levantar da cadeira ficará fora do enquadramento. Para se aprofundar na psicologia dos personagens, ele utiliza supercloses e o ritmo da narrativa é ditado por cortes secos, simulando praticamente um slide show.
Por falar em ritmo, a trilha fecha com chave de ouro todo este clima criado pela escolha estética, pois ela não evolui. É também um arranjo de violão de uma regularidade perturbadora. O efeito causado pelo filme é uma tensão que provoca muito incômodo com relação à banalidade.
Digressões a parte, como eu falei no começo parece trivial falar que a mensagem é composta por todos os elementos envolvidos em sua apresentação. Isso nem é novidade pois se aplica a diversas plataformas de comunicação áudio-visual, como acabamos de ver no cinema, por exemplo. O fato é que não é uma tarefa simples levar todas essas facetas da comunicação em consideração e precisamos treinar o olho em função desse tipo de solução.

eyetracking!!!
http://www.ojr.org/ojr/stories/070312ruel/
o melhor jeito é poder ver aonde o usuário está olhando.
p.s. descobri que não tenho você no msn.
bjus
É como dizem, se o que vc projetou precisa de um rótulo dizendo o que precisa ser feito. Provavelmente você não pensou duas vezes antes de desenhar aquele elemento.
Ju, que fofo seu pai e que danado esse wii ne? logo, logo eu vou ter um tb.
bjs
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