Como o celular pode interferir no cinema usando a internet?
Novembro 26, 2006 de Juliana Constantino
A resposta para isso está na campanha que une todas essas tecnologias que fizemos para o Fiat Idea Adventure. Nem sei como falar sem emoção sobre o trabalho - meu favorito do ano - pois ainda estou sob efeito da estréia na última sexta-feira, no cinema do Shopping Frei Caneca. Mas vamos lá.
Apesar de ser uma campanha de propaganda, a interatividade é a palavra-chave da ação, portanto, podemos concluir que tudo foi um tremendo trabalho de “arquitetura de interação” para combinar internet, celular e cinema.
Quem só tinha visto os prints sobre este trabalho na minha palestra da iMasters, agora terá uma visão mais esclarecedora do projeto como um todo. Quem não sabe do que se trata, assista ao vídeo abaixo ou acesse o site: Fiat Idea Adventure. Vou contar um pouco para vocês o trabalho envolvido especificamente na situação retratada pelo usuário que filmou a sessão e publicou no youtube.
Só para dar um contexto, tudo começou com o roteiro de um filme que pudesse funcionar feito lego e ainda assim servisse de propaganda, para que pudéssemos sair do clichê “o público escolhe o final”. Em vez disso, o público decide o roteiro de cabo a rabo. Montamos uma história combinatória de 4 cenas, com 2 possibilidades de roteiro para cada uma, totalizando 16 filmes diferentes.
Na internet, cada um vê o seu filme. No cinema os espectadores de cada sala assistem ao filme escolhido pela maioria. Logo na fila, os espectadores ganham um folheto com instruções sobre a ação. Afinal, as pessoas estão habituadas a desligar seus celulares no cinema e não a usá-los. Além disso, a chance de um sujeito entrar no cinema, sentar na cadeira, pegar a pipoca e ficar em “posição de cinema” é enorme. Portanto, não custa incentivar.
Mas a emoção acontece já na sala do cinema. Entre os primeiros trailers estão as instruções da ação. O usuário não espera que a tela peça para que ele faça alguma coisa. No nosso caso, a tela pede para que você use o celular para mandar um SMS e interagir com um filme. O SMS, por sua vez, é pouco usado para provocar resposta que não seja no próprio celular ou na internet. O nosso filme é produto da compilação dos SMSs enviados pelos espectadores de cada sala. A função destas cartelas (chamamos assim as instruções da ação, exibidas no cinema) era quebrar estes dois paradigmas.
Vamos assumir que o primeiro paradigma – obedecer à tela - tenha sido vencido pelo folheto convite (este terá um post a parte). Vamos nos concentrar no SMS.
Em primeiro lugar a escolha das cenas tiveram que ser associadas à letras, porque a maioria das aplicações nativas de SMS assumem que, por padrão, a mensagem enviada será um texto e não uma seqüência de números.
Por que A ou D? Estas duas letras foram eleitas, porque elas estão em teclas distintas. Se usássemos A ou B, por exemplo, teríamos que instruir o usuário a navegar pelas opções de letras em cada tecla.
Perguntas em áudio, respostas em texto. Usamos este formato por 2 motivos: evitar que as pessoas perdessem muito tempo tentando ler textos longos na tela e, ao mesmo tempo, demos ênfase nas respostas. Afinal, a cartela tinha um limite de tempo. Isso também nos ajudou a controlar as pausas entre uma questão e outra, de forma que uma resposta não sobrepusesse a outra, sabendo que os usuário poderiam escolher duas respostas A, na seqüência. Quem usa o T9 para escrever SMS também pôde participar, uma vez que o sistema que computa os votos conseguia fazer esta leitura.
Bom, espero que todos tenham a oportunidade de participar da experiência no cinema. O anúncio está em cartaz nos cinemas digitais da Rain em São Paulo e no Rio de Janeiro. Amanhã eu confiro na agência e publico todas as seções em que a experiência pode ser vista.
Oi Juliana,
Muito legal o conceito da propaganda. Em um momento do post, você falou sobre “arquitetura de interação”, que me remeteu ao conceito de “arquitetura interativa”. Não sei se você está familiarizada com o termo, nesse site daqui (http://www.interactivearchitecture.org/) tem bastante coisa sobre o assunto. Mas todas os casos são aplicações artísticas. Que eu me lembre agora, é uma das primeiras aplicações comerciais que eu vi usando o conceito. Bem legal. Parabéns!
[]s!
Parabéns Ju pelo pioneirismo da ação. Foi muito bacana ver o escurinho do cinema iluminado por tantas telinhas de celular. E essa é só uma mostra do que pode vir pela frente.
Bem legal a ação. Mas como “cliente”, vou aguadar uns dias pra saber quais foram os primeiros outputs. Parabéns pelo conteúdo.
Silvia,
Parabéns para nós. Como arquiteta oficial, sua participação foi muito importante para o projeto também. bjs
[...] e estão empolgados em fazer parte dela. O contexto é o mesmo que permitiu que a ação do cinema interativo - desenvolvido pela AgênciaClick para o Fiat Idea Adventure - tivesse a aceitação que [...]
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