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Este post talvez não tenha muito a ver com arquitetura de informação, mas certamente tem a ver com inspiração e com pessoas capazes de buscar referências em lugares inimagináveis. Foi isso que Jarbas Agnelli apresentou este sábado em uma das palestras do TEDx-SP – versão paulistana do famoso evento mundial que acontece em Oxford e na Califórnia desde 1984. Ele observou a disposição dos pássaros em um fio elétrico e criou uma música inspirada nessa aleatoriedade, como se fossem notas espalhadas por uma partitura musical.

O resultado, além de belíssimo, faz pensar sobre o quanto não deixamos passar despercebido em nosso dia-a-dia e sobre o quanto as referências estão espalhadas nas imagens mais inusitadas. Muito bacana saber que existe um evento como esses no Brasil, que reúna pessoas incríveis para falarem sobre coisas incríveis. Pelo visto ainda teremos muitos vídeos do TEDx-SP por aqui.

Muita gente entra em contato através do blog para se informar mais a respeito de cursos de especialização em Arquitetura de Informação, livros-referência e blogs interessantes sobre o assunto. A maioria dos contatos são de pessoas que desejam iniciar na área e sentem falta de boas referências em AI.

Por isso resolvi compilar em uma lista esses vários blogs, livros e cursos sobre Arquitetura de Informação, Usabilidade, User Experience (UX) e afins. A lista é uma seleção minha voltada ao profissional que está começando a trabalhar com AI, e não tenho qualquer pretensão de que seja uma lista definitiva ou avançada sobre o tema. Por favor, enviem suas próprias sugestões e comentários caso tenham algo a acrescentar.

O que faz o Arquiteto de Informação?

Lendo o conteúdo do blog já dá para ter uma ideia do que faz o profissional de Arquitetura de Informação, mas este não é o foco deste post. Para quem ainda tem dúvidas, recomendo o bem humorado artigo de Hélio Costa, Afinal, o que faz o Arquiteto de Informação?, ou ainda a página sobre AI na Wikipedia.

Quem são os Arquitetos de Informação?

A Arquitetura de Informação é uma carreira multidisciplinar, o que acaba trazendo para o mercado uma diversidade muito rica de profissionais, formados em diversas áreas do conhecimento. Jornalistas, bibliotecônomos, publicitários, designers e até cientistas moleculares – o que conta mesmo é a organização, a capacidade de abstração e o bom senso. Em 2008 o Guilhermo fez uma pesquisa para levantar o perfil dos arquitetos de informação brasileiros: características demográficas, formação, cargo, salários, job description e interesses. Vale a pena dar uma olhada nos resultados e entender um pouco mais sobre mercado no qual você está pensando em entrar.

Onde eles estão?

O número de Arquitetos de Informação espalhados pelo país ainda é relativamente pequeno, então não é muito comum encontrar um deles na fila do supermercado ou na padaria perto de sua casa. Para saber onde é que os AIs se escondem você pode consultar o Mapa da Arquitetura de Informação no Brasil, criado pelo Anderson Sales, com várias empresas, agências, institutos e consultorias que empregam arquitetos de informação em todo o país. O mapa é colaborativo e aceita contribuições de novos lugares. É bacana para ter uma ideia da concentração dos profissionais pelas grandes cidades.

Como me aproximar do assunto?

Blogs

Grande parte do conteúdo disponível sobre Arquitetura de Informação está na internet, no formato de blogs. A agilidade das mudanças do mercado digital exige um meio condizentemente ágil para divulgá-las, e nada melhor do que a internet para fazê-lo. Compilei na lista abaixo os que considero os principais blogs nacionais sobre o assunto. Vale a pena assinar os feeds desses blogs e acompanhar diariamente o conteúdo que é postado ali.

Listas de discussão

O IAI (Information Architecture Institute) possui uma lista de discussão em português onde participam grande parte dos profissionais da área. Nessa lista são discutidas referências, estudos de caso, novas tecnologias, processos, metodologia, vagas, eventos e outros assuntos relacionados à profissão, incluindo a organização de animados happy hours e outros encontros regionais entre AIs. Nesta página é possível se inscrever para receber os e-mails e participar das discussões. A lista conta com um grande número de entusiastas e profissionais da área, então é importante ter bom senso na hora de participar.

Há também a lista de discussão internacional do IxDA, com um volume ainda maior de participantes e de discussões, todas realizadas em inglês.

Como me aprofundar no assunto?

Há quem acredite que não seja possível se aprofundar no assunto senão trabalhando durante muitos anos com Arquitetura de Informação ou então seguindo carreira acadêmica. Mas caso você esteja pensando em entrar de cabeça, há uma série de livros, cursos e eventos recomendados para quem deseja refletir um pouco mais sobre a disciplina – e no caso dos workshops, até colocar a mão na massa.

Livros

Listei abaixo os principais deles, mas vale pesquisar outros títulos caso você esteja procurando uma orientação mais específica (sobre mecanismos de busca, search engine optimization, testes de usabilidade etc.). Alguns deles possuem também uma versão em português.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cursos

Apesar de grande parte dos profissionais que trabalham na área serem autodidatas, um dos assuntos mais procurados por quem visita o blog são os cursos e especializações em Arquitetura de Informação. Infelizmente, são poucos os cursos disponíveis aqui no Brasil – e eles não estão muito bem distribuídos geograficamente. Reuni abaixo uma lista com os cursos que eu conheço. Por favor, indiquem outros cursos dos quais tenham conhecimento.

Eventos

Ainda não são muitos os eventos, especialmente os nacionais, mas todos os eventos em que estive presente foram sempre muito bem organizados. Frequentemente acontecem palestras e eventos irregulares, que não estão listados aqui. A lista de discussão do IAI é uma boa forma de ficar informado quando eles estão para acontecer.

Nacionais

Internacionais

Por enquanto é isso. Espero que essa lista ajude a orientar os novos Arquitetos de Informação e também aqueles que já trabalham na área e que não têm muito contato com outros AIs. Contribuições positivas são sempre bem vindas =]

Eu e o Fabricio Teixeira estivemos mais uma vez presentes no Encontro Brasileiro de Arquitetura de Informação (Ebai) com um case da AgênciaClick. Nesta 3ª edição do evento mostramos a saga de criar, testar e acertar no redesign do portal da FIAT Brasil, a montadora líder de vendas no país (tema inclusive de um post anterior).

Atendendo a pedidos, segue a apresentação:

Dois infográficos de fontes diferentes chamaram minha atenção essa semana. Apesar do formato similar dos dois gráficos, eles trazem óticas bastante distintas sobre a mudança de comportamento do novo consumidor digital.

O primeiro deles, publicado pela Wired, mostra como o consumidor está lidando com a nova “dieta de consumo de mídia” dentro das 24 horas de seu dia. Segundo o artigo, tão importante quanto manter uma alimentação balanceada ao longo do dia, é manter um consumo saudável de mídia, mesclando quantidade e qualidade de informações e percorrendo diferentes telas. O excesso de informação aqui é controlado, diversificado, producente.

A dieta de mídia no novo consumidor digital

O segundo gráfico, publicado no Information is Beautiful, hierarquiza em diferentes níveis as distrações digitais às quais estamos sujeitos ao longo do dia, e mostra como o acúmulo de alertas acaba nos distanciando das tarefas que realmente precisamos executar.

Hierarquia das distrações digitais

Ao mesmo tempo em que o excesso do consumo de mídia permite aos AIs explorarem novas plataformas, novas interfaces e novas situações de consumo, também exige que tudo seja projetado com cautela redobrada. A quantidade de distrações é perturbadora. Foi-se o tempo onde o usuário navegava em seu site sujeito a ruídos apenas externos ao digital. O ruído agora está na própria máquina e vem do próprio usuário. Navegação multi-abas, plugins nos navegadores, alertas de aplicativos e notificações de redes sociais – além dos gadgets que ficam sempre à mesa, vibrando e apitando freneticamente ao longo do dia. Quantas vezes você já não se pegou com o browser aberto tentando lembrar o que iria fazer?

O vídeo é antigo, mas nunca é demais relembrar. Hans Rosling, em palestra do TED, mostrando como estatísticas podem ser deliciosas quando apoiadas por uma interface inteligente.

more about “Hans Rosling shows the best stats you…“, posted with vodpod

(Se o vídeo não abrir, veja aqui)

Vídeo interessante da Nokia mostra como eles estão pensando a interação gestual com os celulares em um futuro próximo. Reparem o que Younghee Jung diz logo no início do vídeo.

You might be surprised to learn how much time we spend studying people. (…) People are great source of our inspiration for design, but also they guide us to design the right thing.

A lista de possibilidades é imensa, se pararmos para pensar em todos os gestos que fazemos diariamente. Talvez no início as pessoas se sintam constrangidas, mas é uma questão de hábito. Hoje eu já estou acostumado a chacoalhar o iphone para trocar de música, mesmo passando por louco para quem olha de longe.

via IATV

O portal de “marketing para músicos” TheIndieDigest.com criou uma versão do gráfico da Cauda Longa, de Chris Anderson, adaptada para o mercado de músicos e fãs. O autor do gráfico, Owen Kelly, divide os fãs em True Fans, Regular Fans e Casual Fans, e reafirma a lei de Pareto ao mostrar que 80% da renda de um músico provêm de 20% dos fãs.

Há ainda um post bem interessante sobre como a cantora inglesa Imogen Heap colocou seus fãs para trabalharem para ela de graça. A cantora pediu aos fãs e seguidores do twitter que a ajudassem a escrever sua própria biografia. Como em toda boa troca, ambos os lados saem ganhando: o fã que participa recebe uma cópia autografada de seu novo álbum, além do reconhecimento da artista; e a cantora conquista, além da biografia finalizada, a confiança de mais e mais propagadores de seu trabalho.

Isso mega funciona com marcas.

Links:

Vejam abaixo o primeiro protótipo de William, mostrando para o mundo o funcionamento do videogame que ele acabou de criar.

Via IATV

Design de Interação

Human-Computer Interaction (HCI)

Acessibilidade

Via The UX Bookmark

Tem mais algum livro gratuito e online para indicar? Deixe o link nos comentários.

Ontem me deparei com um vídeo incrível passeando pelos tweets dos amigos. No último World Science Festival, realizado em junho deste ano, o músico Bobby McFerrin sobe ao palco para demonstrar na prática o poder da escala musical pentatônica (oi?). Em cerca de 30 segundos McFerrin consegue “afinar a voz da plateia” e dar uma verdadeira aula sobre o vínculo cognitivo criado entre a informação visual e a sonora. Assista abaixo e entenda o que estou falando:

Uma abordagem bem humorada e bem ilustrada de Stephen Anderson sobre como algumas interações precisam ser sedutoras para obterem sucesso.

Esses dias me peguei navegando pelo Vimeo atrás de referências de infográficos animados (ou animated infographics, ou motion infographics, ou animated storytelling), e resolvi compartilhar os achados aqui no blog.

As diferentes denominações são justificáveis. Vinda tradicionalmente dos infográficos impressos que encontramos em jornais, revistas, manuais de instruções e outros livretos da vida urbana, a nova geração de infográficos animados está se apoderando da linguagem dinâmica e sintética da internet para explicar o mundo de forma diferente do que estamos acostumados.

A facilidade de entendimento é o ponto forte dos infográficos animados. São um poderoso recurso quando se precisa explicar um assunto complexo para um público leigo, ou que simplesmente esteja acostumado a receber as informações mastigadas e resumidas. Em um tempo onde predominam o excesso de informação e a raridade do tempo, os infográficos cumprem bem o seu papel e ainda produzem verdadeiras obras de arte animadas.

Mas se você pensa que um bom visual é tudo, está enganado. Alberto Cairo, diretor de infográficos e multimídia do elmundo.es, explica que de nada adianta uma boa interface se o conteúdo é fraco.

The first and gravest mistake that individuals make believing that infographics are a branch of graphic design or that they have anything to do with illustration.

Infographics, like any other form of journalism storytelling rely on solid, accurate content. It is great if you can create cool 3-D animations and great interactive scenes, but if your content is weak, the presentation will be weak. There are not good infographics without good reporting.

Confesso que adoro qualquer tipo de infográfico (impresso, digital, interativo ou animado), e grande parte dos AIs que conheço também. Afinal, simplificar a informação é a nossa praia.

Segue a lista com os vídeos que encontrei mais recentemente, para salvar e assistir com calma quando sobrar um tempo. Tem um vídeo legal pra indicar? Envie nos comentários =]

Alguns clipes aproveitam a linguagem de infográficos para contar uma história que não necessariamente tem a ver com estatística, jornalismo ou excesso de informações:

Links relacionados:

Mais uma do Dustin Curtis. Dessa vez ele resolveu fazer um experimento com os visitantes de seu site. Abaixo dos posts havia um call-to-action para que os visitantes o seguissem no Twitter. No decorrer do experimento ele foi medindo o quanto as mudanças no texto dessa chamada influenciavam a taxa de cliques dos usuários. Veja que interessante o resultado:

Resultados do experimento de Dustin Curtis

Mesmo descontando o crescimento natural do interesse das pessoas pelo twitter e o crescimento (imensurável) do interesse das pessoas pelo trabalho de Dustin após o polêmico episódio do redesign do site da American Airlines, ainda assim os números são bastante significativos.

Isso só reforça o quanto a preocupação com os textos de um site influencia diretamente nos resultados ali obtidos. Mudanças sutis na abordagem podem significar uma outra intepretação da mensagem e, consequentemente, um outro comportamento do usuário. Na dúvida, já mudei o call-to-action do @blogdeai aqui do lado.

PS: Fiquei pensando se abordagens mais radicais para esse call-to-action não teriam melhor desempenho. Algo como:

Se você não me seguir no twitter, algo muito ruim vai acontecer nos próximos 9 dias.

=]

A morte de Michael Jackson foi -definitivamente- o assunto da semana na mídia. A corrida pelo anúncio oficial do acontecido também foi alvo de acirrada disputa entre os principais sites americanos e, vejam só, o primeiro a conseguir informações a respeito do cantor foi um blog.

No mesmo dia o jornalista Tiago Doria fez uma coleta das homepages dos principais portais de notícias do Brasil e do mundo no exato momento em que anunciavam o acontecido. É impressionante a agilidade das redações e a flexibilidade da arquitetura de informação dos portais (de quase todos) para fazerem, em poucos minutos, verdadeiras obras de arte em tributo ao rei do pop.

Relacionado:

Na ocasião da vitória de Obama nas eleições estadosunidenses, Tiago Dória também fez esse mesmo levantamento de homepages. Vale a pena conferir.

Café com Interação IxDA-SP

No dia 04 de junho de 2009, o capítulo São Paulo do IxDA (Interaction Design Association) realizou seu primeiro Café com Interação no prédio da ESPM, em São Paulo. Desde o início do ano a Amyris Fernandez, o Fábio Palamedi e o Ricardo Seiji estão encabeçando a organização do IxDA-SP e cuidando dos trâmites para que a associação se consolide no estado.

O evento inaugurou um ciclo de encontros mensais do IxDA-SP e trouxe à tona uma discussão bem conhecida dos blogs e listas de discussão da área: como caracterizar cada uma das profissões que existem hoje e que estão relacionadas à experiência do usuário (usabilidade, arquitetura de informação e design de interação) e qual o papel de cada profissional dentro das empresas e agências?

Amyris Fernandez, Rachel Zuanon, Cláudio Bueno e Fabricio Teixeira

Participaram do bate-papo o Prof. Cláudio Bueno (Dr. em Ergonomia e Usabilidade da ESPM), a Profª. Rachel Zuanon (Dra. em Design da Anhembi-Morumbi), o Gil Barros (consultor de design de interfaces e especialista em usabilidade da Try) e eu, Fabricio Teixeira, arquiteto de informação da AgênciaClick. A conversa foi bastante descontraída e acabou percorrendo tanto os assuntos acadêmicos quanto os assuntos mercadológicos sobre a área. No fim, a conclusão à qual chegamos foi que o mercado brasileiro ainda é bastante embrionário e que tais rótulos não se aplicam na prática. Como bem disse Ale Nahra em seu blog, “numa equipe ideal e num mercado maduro, existiria um profissional para cada coisa. A gente aqui no Brasil faz tudo junto porque já é difícil que se contrate um cara de UX, imagine mais de um.”.

Bacana esse formato de evento, onde as pessoas podem bater um papo e realmente interagir, sem restrições. Aqui no Flickr do IxDA tem mais algumas fotos do evento.

Enquanto isso o trabalho continua no IxDA-SP. Veja como você pode contribuir. E o próximo Café com Interação já tem data marcada: dia 30 de Julho, das 19 às 21h30, no Museu da Imagem e do Som (MIS). É só entrar no site e fazer sua inscrição.

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